sábado, 18 de fevereiro de 2012

Te amo como a dor


Te amo como a dor

Eu te amo como amo os meus defeitos, e como no natal enfeito meus defeitos com enfeites de porcelana.
Eu te amo como amo a lama.
Eu te amo como amo os meus erros e falhas.
Eu te amo como se ama bagulhos e tralhas, que apesar de velhas não jogamos fora.
Eu te amo como o depois ama o agora, ou como o aqui dentro ama o lá fora.
Eu te amo como o gato ama o rato.
Eu te amo como o mito ama o fato.

Te amo como o mar ama o rio, ou como o calor ama o frio.
Te amo como o sonho ama a realidade.
Te amo como um mentiroso ama a verdade.
Te amo como um imperfeito ama a perfeição
Te amo como a loucura ama a razão.
Te amo como a vida ama a morte.
Te amo como o fraco ama o forte.

Amo-te como a lua e as estrelas amam ser ofuscadas pelo farol.
Amo-te como o deserto ama o sol.
Amo-te como se ama as noites escuras e frias.
Amo-te como a comida estragada ama as iguarias.
Amo-te como o excluído ama o escolhido.
Amo-te como o achado ama o escondido.
Amo-te como o proibido ama o permitido.

 Depois de tantos exemplos, te afirmo que não estamos isentos de errar, mas voltando a falar sobre amar, afirmo que te amo como amo a dor, e afirmo também que teu afeto me afetou e isso é fato, mas por favor, faça-me um favor, não minta quando descobrir que eu menti, lembre-se que não estamos livres de errar, e enquanto me amar diga a verdade, lembre-se que a realidade criamos com nossos sonhos. Pense bem sobre meu amor, pois encontrará o horror quando descobrir que se te amo como a dor, talvez eu não te ame.

Autor: Henrique B. Lobato

Tributo a Augusto dos Anjos

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