"Ninguém quer confissões aqui, nem reminiscências. É apenas uma questão de manter o foco. Por isso, esse formato essa falsa elaboração. Se alguém quisesse ser realmente bom, contaria sílabas de um soneto perfeito, mas não é o caso. Nem é o caso aqui, em meio a tanta confusão ser ele um homem prestes a chorar ou não. Não! Taí uma coisa que não vai interessar você. Ninguém quer confissões aqui." Fernanda Young
quinta-feira, 29 de março de 2012
Teatro (devaneio)
As vezes me pergunto se não existo pela própria natureza de existir, De insistir na vida, e se essa vida já não seria uma historia já pronta cendo encenada num teatro.
E se assim o for quem a escreveu? Nâo seria mesmo eu a escreve-la, não seriamos nós a tentar concertar as linhas mal feitas, a rabiscar as palavras erradas e mal ditas?
De que adianta então essa historia tão rabiscada vista ao todo, e tão bela vista de perto? Seremos todos pequeninas letras antes do ponto final. Salve algumas observações que de tão bem feitas ressoam pelo tempo.
Mas afinal de que vale o tempo? o criamos para contar nossos dias e por nosso orgulho e vaidade descobrimos que morremos a cada dia, a cada noite. Morremos de pouco em pouco, andamos de pouco em pouco, vivemos de pouco em pouco.
Ainda não sei se sou apenas mais um ator encenando o que lhe foi destinado ou se sou eu mesmo meu próprio autor, que escreve um capitulo a cada dia esperando que ele faça alguma diferença no final da grande historia da humanidade.
Autor: Henrique B. Lobato
quarta-feira, 28 de março de 2012
Minha mesura
Minha mesura
Estou esperando, naquele canto da parada.
Que Deus olhe por mim, porque eu não vejo nada.
Eu sigo só, pensando em ti.
Eu ainda canto enquanto ando na estrada.
Ainda que eu procure
Eu nunca acho o que eu queria.
Achar quem cure
Aquele mal, eu não devia.
Nem em verde manto
Daquele campo encontro vida.
Nem flor-de-jade, nem amaranto,
Nenhuma flor é mais querida.
Por ti eu canto enquanto chove.
E será que vai ressoar em ti a melodia?
E por mais que chova ou fassa sol no mesmo dia...
Eu planto flor que no meu canto logo morre a cantoria.
Autor: Henrique B. Lobato
terça-feira, 27 de março de 2012
Ser invisível
Sou invisível, posso andar pelas ruas fantasiado de lixo.
Sou invisível, posso dormir por ai em qualquer lugar.
Sou invisível, ninguém se importa vou migrar novamente.
Sou invisível, meu governo deveria cuidar de mim, olhar por mim.
Sou invisível, esse é um país de todos, menos alguns. Existem alguns que valem menos que papel, estou entre eles agora.
Sou invisível, e hoje me olhei no espelho, não vi ninguém, estou sumindo... Algum dia eu vou acordar e ver que não existo.
Sou invisível, mas algumas raras pessoas de bom coração me vêem e me dão comida, dinheiro e roupa as vezes ate carinho. Ter que depender disto faz eu me sentir como uma peça sobrando no sistema. Eu sou uma peça sobrando no sistema. Mas tenho direito de viver.
Sou Invisível e ninguém se importa, não tenho nome nem assinatura nem direito a entrar onde é proibido animais.
Saber que ninguém se importa e saber que o dinheiro que todos me deram foi roubado me deixa sem esperança pro futuro.
Saber que se eu morrer hoje não fará diferença nenhuma pra ninguém me deixa muito triste.
Como poderia fazer diferença se sou invisível, as pessoas passam por mim e ninguém me vê.
Estendo a mão pra pedir vida e ninguém me vê, por favor, se livrem da hipnose e me vejam no meio do lixo, no meio desssa droga, no meio da droga!
O lixo é o único que me entende, ele é como eu, sem família, sem amigos, sem nada.
Só nele encontro alimento e só nele encontro calor e abrigo.
Como todos podem achar que as coisas estão certas, que tudo isto é normal, eles não podem ver? Não podem sentir? A todo o momento pessoas passam por pessoas, e a todo o momento alguém se arrasta nas sombras e nos cantos de calçadas. Onde fica o dinheiro que damos nos impostos para ajudá-las?
O dia nasce e tudo se inicia novamente, o pão de cada dia é incerto e que alternativa eu tenho a não ser ter fé?
Ter fé de que um dia alguém decida mudar o que todo mundo acha certo, normal e banal.
Sou um ser humano e tenho direitos mesmo não sabendo quais são.
Que raiva eu tenho de tudo por não ter chance de melhorar.
Eu não sou daqui? Não sou dessa terra que dizem ser de todos? Não tenho escolha!
O que eu tenho a perder a não ser a vida?
Que por enquanto não vale nem um bom dia de ninguém.
O que uma pessoa que não tem nada tem a perder?
Continuem comprando e não se importem comigo,
Pois no fundo o lixo que eu chamo de vida vai ser reciclado em outro alguém.
E diz amém quem não incherga, quem fecha os olhos e se torna seu próprio inimigo.
Afinal eu sou literalmente o resto da sociedade de hoje morrando num abrigo.
Autor: Henrique B. Lobato
Enquanto ando... (soneto)
Enquanto ando...
Enquanto ando eu sigo em frente.
Olho pra longe, pra paisagem.
Enquanto ando eu ponho em mente
Que olhar pra dentro não é ver só imagem.
Enquanto ando eu me distraio,
Me perco em passos,em pensamentos.
Enquanto eles correm eu faço o contrario
Não me ligo no horário, só nos momentos.
Enquanto ando vou aprendendo
Com as pessoas do meu caminho.
Ando com elas, ando sozinho.
Enquanto ando vou me prendendo
E tomando gosto pelo caminho.
E assim descubro o ser peregrino.
Autor: Henrique B. Lobato
Domini
segunda-feira, 26 de março de 2012
O sagrado e a besteira
O sagrado e a besteira
O que é sagrado e o que é besteira?
Quanto do que faço é asneira é balela?
Qual é o valor da vela?
E quem é esse que diz que vela por mim?
Enfim o que és tu no fim?
Sabes me dizer com certeza?
Sabes me explicar com clareza o irreal?
Me diga então o que tem haver a fé com real, com reais?
O que é besteira e o que é sagrado?
Sagrado seria só o que é de seu agrado?
Com base em que isso seria certo?
Não terias tu em tua mente também o pecado?
Quem será que dita o texto que tu tanto acredita?
Seria mesmo sagrado tal altor, tal escrita?
Ou será que é só um louco fingindo ser um erremita?
Então que cada um siga o que acredita.
Não acho que seja errada essa vida.
Só quero que lembre do pobre coitado,
Que você dia e noite diz estar condenado.
Mas se querer assim viver a tua vida,
Julgando o certo e o errado,
Cantando o que é virtude e o que é pecado.
Então tenho que abrir-te a ferida.
Pense comigo e reflita:
O que é besteira e o que é sagrado?
segunda-feira, 5 de março de 2012
Pássaros verdes
Pássaros verdes
A rua verde se estendia por onde eu andava,
Os pássaros verdes voaram em revoada.
Os carros cinza buzinavam na rua tão trafegada,
Gritavam de inveja, da vida que se renovava.
Eu passava pelas ruas distraído e pensando,
Pensando em como terminar essa historia inacabada.
E como quem tira deboche o pássaro passa voando, voa
cantando.
Eu achei que ele estava me atrapalhando,
Mas na verdade aquilo era a própria vida continuando.
Sorri para os pássaros que estavam me lembrando,
Das tardes calmas quando eu não me importava.
Mas aqueles pássaros também estavam me alertando:
“Meu jovem peregrino eu vi o céu chorando,
Ele gritava tanto que acho que tava te chamando.
Mas tome cuidado eu posso estar me enganando,
Pode ser apenas a sua vida que está se renovando.”
Autor: Henrique B. Lobato.
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