segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Convivência (soneto)



Convivência

 Quero me livrar desse lugar.
 Desse jeito sem juízo, desse futuro vulgar,
 Dessa nota sem tom, sem harmonia.
 Dessa flor sem cor, que entristece meu dia.

 Quero me livrar desse lugar.
 Tenho nojo dessas mascaras de vaidade.
 Tenho raiva desse silêncio
 Que grita mais alto que a tempestade.

 Quero me separar de tudo isso,
 Desse conformismo miserável.
 Essa falta de interesse o torna tão maleável.
  
 Quero me separar de tudo isso.
 Esse medo fede a perfume de querubim.
 Não aguento mais isso, quero me separar de mim.

Autor: Henrique B. Lobato

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Caravela


Caravela
É impressionante a velocidade da correnteza do tempo, eu tento não me deixar levar, eu juro que tento, mas no fim acabo indo pelo senso comum. Das coisas que eu sei, ou melhor, das coisas que eu acho que sei, o tempo é uma das impensáveis coisas que nenhum sábio ousou escapar, ao menos não conheço algum que o tenha feito realmente. Se deixar levar por essa correnteza de cenas e atos sempre tem suas conseqüências, e apesar de ser o caminho mais fácil, é também o mais breve e incerto, sem falar que o efeito colateral é o pior que se tem noticia, muito pior que um enjôo ou o frio na barriga, o efeito colateral do tempo é a saudade, e a imensa solidão que a saudade causa.
 Eu sempre considerei, e ainda considero insignificante ficar lamentando, e se arrependendo do que já passou e não está mais em nossas mãos, se gastarmos metade do tempo em que fazemos isso tentando reparar os tais erros, nós conseguiríamos ao menos amenizá-los e ao mesmo tempo daríamos paz a nossa consciência. Mas como eu disse no inicio, no fim acabo sendo levado pela corrente e pensando com o senso comum, mas se não conseguirei evitar esse pensamento medíocre que é lamentar ao menos tentarei tirar algum proveito disso.
 Em muitas festividades como o natal e a ação de graças, as pessoas geralmente se perguntam pelo que são gratas, geralmente encontramos respostas como: sou grato pela minha família, sou grato pela vida e por estar vivo, ou sou grato por estarmos todos reunidos e bem, e muitas e muitas outras respostas. Infelizmente muito de nós são gratos apenas em épocas especiais, ou quando estão longe daquilo a que são gratos, eu me coloco nesse grupo. Entre as coisas que temos e as coisas que queremos ter, geralmente damos mais valor a segunda, e isso não é totalmente culpa nossa, crescemos assim, acreditando que se não dermos o devido valor para o que queremos nunca conseguiremos, e isso nos fez fechar os olhos para o que temos. Se tiver algo que eu lamento é não ter dado o devido valor para as coisas e pessoas que eu perdi quando ainda as tinha, não é que eu não me importasse, eu me importava, mas não o suficiente, não na proporção que essas pessoas mereciam. “Eu chorava por não ter sapatos, até o dia em que conheci alguém que não tinha pés.”
 “Ser ou não ser?” Dos lugares que eu não fui, eu só me arrependo dos que eu não fui por preguiça. Penso nas pessoas que eu teria conhecido, nas coisas que eu teria visto e aprendido, essas pequenas coisas que foram perdidas e que poderiam ser importantes em minha vida. Talvez eu até tivesse uma opinião diferente sobre isso, mas creio que nada é a mesma coisa duas vezes, as praias ainda estão lá, eu ainda posso ir nesses lugares, mas ele não será o mesmo do dia em que eu deixei de visitá-lo. Por esse motivo penso que nunca poderemos viver aquilo que perdemos e que deixamos para trás. Mas poderemos viver e temos muito a ganhar ainda se apenas dermos o devido valor nas oportunidades que temos de ser e estar.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Minuto de silêncio (Soneto)


Minuto de silêncio
 Vou fazer um minuto de silêncio para o falecido no funeral.
 Mas quem diria, que perderia a sua essência no carnaval.
 Aos prantos brados de hinos falhos dos pássaros do seu quintal,
 Ele ficou querendo mais, além do mais que era cristão.

 E seu amor, ali ficou por entre as ruas de Nazaré,
 Mas peregrino, era franzino, andou, andou elas a pé.
 E enfim ficou pra descansar, na igreja consolação,
 Ficou demais, além do mais, ele nem mesmo era cristão.

 Pobre coitado, acorrentado nas ruas de Nazaré.
 Tinha bondade, mas que maldade que foi sua condenação.
 Vagando aos hinos, dos peregrinos, dos pássaros de seu quintal.

 Minuto de silêncio aconteceu.
 Sua consciência ficou viúva, e seu corpo ficou órfão,
 Enquanto anda, ele derrama a sua alma que já morreu.

Autor: Henrique B. Lobato

Barco a vela


Barco a vela
A curiosidade que esconde a verdade do que era.
E como seria se todos nós fossemos um barco a vela?
Por vezes na brisa apenas levados pelo vento,
As vezes cansado de mastro arqueado pelo tempo.

E como seria? Quem daria a direção?
Seria a sorte? Se não quem mais daria a mão?
Viveríamos vagando sem saber o caminho.
Acabaríamos batendo e morrendo sozinho.

Mas alguém sobraria a vagar pelo mar.
E a quem culparia aquele que acabasse por afundar?
Culparia a sorte. Talvez até Deus.
Mas só o faria aqueles que no fundo são atéos.

Preste bem atenção,
Pois você tem na sua mão o leme.
E não navega bem aquele que teme.
Eu não afirmei, apenas perguntei como seria.
Você não é o barco a vela!
Você é aquele que o guia.

Autor: Henrique B. Lobato

No escuro da noite


No escuro da noite
(Epilogo de um bêbado lúcido)

Caio novamente na noite, em baixo da luz de algum lugar.
 Um poste, uma lâmpada, quer saber, sei lá.
 Caio novamente na noite, espaço vazio na rua.
 Afinal minha vida é de quem, é minha? Não, não acho que é sua.
 Caio novamente na noite, as estrelas enfeitam a lua.
  Não sei se estou sóbrio, mas vejo anjos na rua.
 Caio novamente na noite, alguém anda ao telefone.
  E eu ali sentado, tentando lembrar meu nome.
 Caio novamente na noite, anjos me mostram o paraíso.
 Mas na minha cabeça, está o véu que esconde o juízo.
 Caio novamente na noite, sentado na calçada em baixo de um poste de luz. Na minha frente está à selva de pedra que esconde um predador.
 Penas brancas voam por todo lugar, anjos diante de um perdedor.
 Caio novamente na noite, o anjo da guarda que deveria olhar por mim, cuidar de mim, está corrompido.
 Todos os dias pessoas vendem seus valores, sua honra, sua alma. Não deveria ser proibido?
 Caio novamente na noite. Anjos puros, dizem que não tem pecado.
 Talvez seja verdade, me mostre algum que foi condenado.
 Caio novamente na noite, anjos somem e pessoas com cordas aparecem em todo lugar.
 O que é isso? Eu vou escolher quem vai me controlar?
 Caio novamente na noite, votos em branco, secretos e de cabresto.
 Aqui no Brasil, a língua portuguesa se diferencia pelo contexto.
 Caio novamente na noite, crimes, e anjos de terno e colarinho branco, o grande vip.
 Maletas de couro cheias de papel, o dinheiro fica em outro lugar, procure atrás do zíper.
 Caio novamente na noite, largado ali pra seu governo.
 Mas pelo menos “doutor”, eu ainda me olho no espelho.
 Caio novamente na noite, não se admire se eu te chingar.
 Sabe por que “doutor”? Por que a suada renda dos humildes você vem aqui roubar.
 Mas aqui fica uma dica rapaz, corrupção é corda banda.
 Por que mais cedo ou mais tarde você cai na noite e acaba se vendo na lama
 
 Autor: Henrique B. Lobato
Domini

Nas grades do medo


Nas grades do medo

Eles estão presos
Pelas grades do medo
Alguns praticam o apego,
Outros o desapego.
Fantasmas jogados no escuro.
Mentes humanas jogadas contra o muro.
O muro, o paredão, a cela da prisão,
A cidade, o cidadão.
A morte e a ressurreição,
Alguns buscam a perfeição.
Se prendem a ilusão,
De que tudo é o que parece.
Não escutam a prece,
Daquele que desaparece.
São distraídos pelo entretenimento
Que a televisão oferece.
Alguém os convence,
De que há fantasmas no escuro.
São como crianças com medo da sombra do galho,
Jogados no quarto, em frangalhos.
Restos de juízo, debaixo do assoalho,
Tentam varrer a praia, como se fosse um chão imundo.
Todas as noites rezam pelo fim do mundo,
Planejam datas bonitas, implorando pela morte.
Mentes presas pela grade do medo,
Mal podem ver sua sorte.
Dizem em ditados populares que pai é quem cria,
Quem seria nosso pai então?
Deus, o governo, o medo ou a monotonia?
Então vamos supor que seja verdade, que o mundo seja um teatro.
Que seja um filme de terror, onde os terroristas são os vilãos.
Que vivemos em um teatro, onde se passa uma peça secreta,
Que peça então você será?
A que falta ou a que completa?

Autor: Henrique B. Lobato
 Domini

Podre vida


Podre vida
(tributo a augusto dos anjos)

O vivo anda em meio as ruas escuras da outrora criança, a noite.
O morto vaza, carne podre na rua, pela cabeça um escarlate liquido vermelho.
O vivo se olha no espelho, no banheiro de um bar.
O morto apodrece na rua, na calçada de algum lugar.
O vivo sai da armadilha, a fuga do bar para a rua, afinal a noite continua.
O morto cria um mar, de sangue no chão, já não tem irmão, nem família.
O vivo começa a dançar, cambaleando pela rua, cruzando os pés.
O morto ignora papeis, de jornal que são colocados sobre ele, o vento logo leva.
O vivo é levado pela levada da musica em sua cabeça, canta errado enquanto boceja.
O morto jaz jogado na lama, ninguém o chama ou chora por ele, apenas os vermes o abraçam.
O vivo tropeça e cai, a luz para ele se vai, o sangue cai e escorre, a vida corre para longe.
O morto dorme do escuro, sem luz, sem velas, acolhido apenas pela fria morte escura.

O morto vaza, carne podre na rua, um escarlate liquido vermelho.
O morto apodrece na rua, na calçada de algum lugar.
O morto cria um mar, de sangue no chão, já não tem irmão, nem família.
O morto ignora papeis, de jornal que são colocados sobre ele, o vento logo leva.
O morto jaz jogado na lama, ninguém o chama ou chora por ele, apenas os vermes o abraçam.
O morto dorme do escuro, sem luz, sem velas, acolhido apenas pela fria morte escura.

Autor: Henrique B. Lobato

Aquário


Aquário

Eu posso ver dentro de você,
O que criamos com sonhos
É maior que a avidez do tempo.
E como tudo que é feito de sonhos,
É tão real quanto pensamentos.
São castelos de cartas levados pelo vento.


Eu posso ver dentro de você,
Você está logo atrás de mim.
Seguindo-me e iluminando meu caminho.
Eu posso sentir seu corpo me aquecendo,
No inverno entre os caminhos da solidão.
Arriscando seu destino,
Se ligando a planos incertos.

Eu posso ver dentro de você,
Eu posso sentir as lagrimas que você derrama,
Elas caem do céu todas as tardes.
E molham meu rosto todos os dias.
E por mais que você tente, nunca conseguira afogar
As borboletas de dor que cria dentro do peito.
As gotas de chuva que caem à tarde,
Nunca encheram o aquário dentro de você.

Eu posso ver dentro de você.
E não posso aceitar que isso continue.
Tenho que jogar novamente os monstros pra dentro do armário
Jogar a realidade na vida e assim
Eu corro pro escuro, quebrando o aquário.
E as borboletas voam, as lagrimas transbordam ao monte.
Mas o tempo passará e o sol vai secar a água do chão.
E talvez algum dia eu consiga juntar os cacos de vidro do aquário
Que antes costumava ser seu coração.

Autor: Henrique B. Lobato
Para: Najma Akhintar
Domini 

Esperando o trem


  
Esperando o trem

Estou na estação esperando o trem
Esperando a muito tempo e muito mais que duas horas.
Muitas luzes já acenderam no fim do túnel, mais nenhum dos trens que
Peguei era o certo.
Estou numa estação que não sei onde é; Apenas a sorte me mantém no jogo.

Estou na estação esperando o trem
Dos muitos trens que peguei poucos levaram para uma estação segura;
Alguns pareciam levar para algum lugar, mais mudaram o rumo.
Alguns saíram do trilho e me machuquei gravemente;
E de alguns fui expulso porque não sou igual a todos os passageiros.
Não fui ao hospital, tenho um trem pra pegar!

Estou na estação esperando o trem
Peguei um muito confortável, dava até pra dormir, mas eu não tinha
passagem e fui jogado pra fora.

Estou na estação esperando o trem
Os meus amigos pegaram os deles, apenas alguns ficaram
na estação como eu; Outros foram pra casa mais cedo pois hoje
 não teve sol. Os estranhos que encontro são apáticos
 demais para falar um ‘oi’;
Eu também não me importo, não quero conversar.

Estou na estação esperando o trem
Lá fora deve estar chovendo cinzas nos prédios de vista pro rio de gente,
Aqui na estação apenas algumas lâmpadas trazem luz;
Será que luz artificial é o suficiente para tirar o seu medo e te fazer ver?

Cada um dos que estão aqui acreditam que sua roupa é melhor que a do outro;
Eu estou vestindo trapos, mais isso porque eu quero! To sem paciência pra debater sobre moda... 
Os tênis e sapatos sociais não os aquecem, estou de sandália e ela já me serviu muito bem.

Estou na estação esperando o trem,
Ali acende mais uma luz no túnel, será que é o meu?  Esperando o trem... 

Autor: Henrique B. Lobato                                                             

Ferro com açúcar


Ferro com açúcar

Qual a melhor armadura do mundo?
Estava pensando hoje mais não lembro em que.
Distraído revendo palavras em devaneios que faziam o tempo correr
E planejando atos que farão esse efeito se repetir
Se bem que às vezes eles não são planejados

Eu sei o medo que a solidão te dá, mas também trás muita inspiração.
O ódio destrói a mente, mas se for bem direcionado trás uma força gigante.
A vingança é muito feia, mas às vezes não me importo.
Eu sei que eu não sou perfeito, quebrei meus espelhos ontem.
Ontem também desfiz algumas ilusões e tratei logo de fazer outras.
Dei para elas o nome de sonhos e quando forem concretas iram desfazer a ilusão que foi a base para sua existência.


A vida não tem graça sem os desafios.
Meus dias calmos são bem apreciados.
Eu confio que um dia terei paz.
E sem avisos,
Começa a guerra sem inimigos do dia-a-dia.
E para alguém o mundo acaba todo dia da semana.
Menos alguns.
Um homem morre por segundo e qual sua surpresa ao ver que seu dia termina e que a noite não se iniciará.
Qual sua surpresa ao ver que não vera o dia e ficara prezo a uma noite, sem lua, e sem estrelas para guiá-lo ao destino incerto.


‘’Estou feliz, pois encontrei meus amigos hoje.
 Eles estavam dentro de mim’’.
Qual o sentimento é amizade em qual quantidade ele esta presente?
O quanto uma pessoa pode ser falsa, externa?
Muitos já veneraram a lua, mas poucos pararam pra conversar com ela.
Sobre seus desafios, sobre seus amores, sobre sua solidão, e sobre a sua saudade?
Há mais quem sou eu para julgar o mundo?


Um vagabundo sabe como aproveitar a vida.
Mas hoje em dia as damas são raras.
Algumas são caras, mas a paciência é a mãe das coisas boas.
Não vou perdê-la.
Conservar e plantar a fé para me proteger.
Afinal qual a melhor armadura do mundo?

Autor: Henrique B. Lobato-------DOMINI

Historia de alguém


Historia de alguém

Eu sinto algo de muito estranho que está prestes a começar.
 É como algo que agorinha era, um dia foi, mais nunca mais será.
 Observei o tempo correr vazio por entre as minhas mãos.
 Mãos, irmãos, um ajudando o outro.
 Mas num mundo de outros eu sou alguém.
 Me ajudaram, eu ajudei, me ajudaram a me ajudar.
 Não to satisfeito, enfeito as sombras, e apago a luz.
 Orei pra deus, pedi perdão para mim mesmo e fui dormir.
 Afinal se um cretino não puder perdoar ao outro, que humano poderá?
 Quem criará? Quem transformará? Quem destruirá?
 Alguém... Alguém... Alguém...
 Em uma terra de outros eu fui alguém.
 A minha terra eu dei e minha espada recebi.
 Recebi também o sol, o céu e um lugarejo.
 Num realejo acordei no frio, num rio nadei pra me secar.
 Nadei, andei, voei, criei, transformei e matei.
 Mas não me conformei nem me confrontei, não amei.

Eu sinto algo de muito estranho que está prestes a começar.
 É como algo que agorinha era, um dia foi, mais nunca mais será.
 A beleza se esconde pelos cantos, e os que conseguem ver correm atrás.
 O amor ta desaparecido, mas fizeram pouco caso de procurar o coitado.
 O ódio ficou famoso lutando, ganho o campeonato mundial.
 Quem sabe ele não matou o amor entre uma luta e outra.
 A tristeza se tornou um vírus que cai com a chuva, enquanto molha os outros e pinta tudo de cinza.
 A arte entrou no ramo de vendas, musicas raras em liquidação, poesia e cultura por uma pechincha.
 Mas sempre existiu, e sempre existirá o pirata, musicas que ate um macaco conseguiria fazer sendo vendida em massa, para a massa, pela massa, pichações sendo dadas de graça no lugar de pinturas, danças idiotas feitas por idiotas, para idiotas.
 O efeito disso? A arte faliu e agora só sobrou o resto, me presto a protestar contra isso.
 Mas minha voz é calada por um celular alto falante fazendo barulho.
 Entulho sendo levado na cabeça, naquele espaço onde ficava o cérebro.
 Em um mundo de outros, quem pensaria no coitado do amor desaparecido? Quem pensaria em mudar?
 Alguém... Alguém... Alguém...

Eu sinto algo de muito estranho que está prestes a começar.
 É como algo que agorinha era, um dia foi, mais nunca mais será.
 Andando pra algum lugar, percebi andar perdido.
 Vendi o coração pra juntar dinheiro.
 Mas ele foi devolvido, mercadoria quebrada.
 A vida de um vendedor de sonhos é difícil.
 Com o dólar e o euro em queda ninguém tem dinheiro para gastar com isso.
 Quem teria dinheiro e tempo para os sonhos?
 Alguém... Alguém... Alguém...
 Tudo acontece lá fora.
 Nada acontece aqui dentro.
 Lá fora o calor, aqui dentro apenas o frio.
 Girei a roda do tempo, e o destino parou.
 O movimento parou, a estação fechou, a luz apagou.
 Alguém parou e morreu.
 Alguém parou e morreu.
 Alguém parou e morreu.
 Fim da historia de alguém...


Autor: Henrique B. Lobato
 Domini

FORAGIDO DA INJUSTIÇA


FORAGIDO DA INJUSTIÇA
                                                                              
  Todas as manhãs eu fujo, não é por medo e sim porque não me sinto bem em ficar aqui neste lugar.
  É como se eu não fizesse parte de tudo isto, como se eu atrapalhasse a perfeita ordem e progresso daqui.
  Um estranho, um forasteiro num lugar onde todos se olham de forma diferente e com olhares de analise critica.
  Quem deu esse direito a eles? Ninguém, eu me respondo.
  Mais antes que eu possa recuperar-me da queda vem à necessidade de fugir.
  Varias vezes me vem na cabeça que eu sou a presa deles e estou correndo por instinto.
  Não! Isso não é verdade, eles são prezas de si mesmos e eu estou querendo sair disso.
  Não me adapto a esse ar refinado de culpa que eles carregam por não terem fugido quando tinham a chance.
  Venderam sua possibilidade de ser e estar, agora só resta um pedaço daquilo que chamam de alma.
  Agora veja só o que sobro, escravos de si próprios e eu estou livre.
  Mas Por quanto tempo?
  Por quanto tempo eu continuarei fugindo desonrando aos meus professores e amigos?
  Eu tenho que vencer o sistema e conhecer melhor a mim mesmo para não ser hipnotizado quando voltar.
  Para poder voltar lá e não me sentir estranho, diferente, supérfluo.
  Vou fugir para armar-me com conhecimento e sabedoria para enfrentar esse misterioso futuro.
  Ainda resta muito aqui dentro!
Mas quanto ainda resta lá fora?

Autor: Henrique B. Lobato-----DOMINI   

Presente invisível.


Presente invisível.

Eu venho te presentear com esses versos
Alguns são de Venus alguns são espertos.
Alguns são o que eu tenho por dentro
Alguns dizem que é autoconhecimento.
Lembre-se das lições de vida que aprendeu.
Lembre-se de alguns pescadores de sonhos como eu.

Eu venho te presentear com esses versos
Sinta cada hora passar, ate chegar o amanhã
Pois quando o amanhã chegar será hoje e você não terá tempo.
Pois quando o amanhã chegar, quando a manhã chegar, você terá mudado como o vento.
Talvez seja deixado de fora, talvez saia fora, mas terá mudado e apenas por agora pense nisso.
Não se faça de coitado, dês do inicio você queria isso.
E para pescadores noturnos como eu, você é o farol.
Esqueceu que pessoas como você que tem brilho próprio não precisam de sol.
Esqueceu do hoje, esqueceu que tinha pouco tempo, esqueceu que já havia mudado.

Eu venho te presentear com esses versos.
Por isso tome muito cuidado.
Os mais santos do século caíram em pecado.
Mais a verdade mora nós detalhes da vida
Em um por do sol, em uma partida.
O pecadores pedem redenção.
Oram horas e horas atrás de perdão.
Gritaram a todo peito que eram fieis seguidores.
Mas ao virarem as costas se tornavam matadores, ceifadores.
Usaram a mais santa palavra para conseguir suas metas de partido.
 No fundo eram ateus corrompidos.
 Mãos tão sujas que não são dignas de tocas o mais santo dos livros.
 Mãos tão sujas que não são dignas de tocar qualquer ser vivo.

Eu venho te presentear com esses versos
Para que você possa ver, ver o que te cerca.
Ver o que te espreita, ver o que te ajuda, ver o que te acerta.
Os versos são pra evoluir algo aqui, algo ali.
Pare, pense, olhe, escute, vibre, dance, sinta.
Abra o presente invisível, e me diga se não é a coisa mais maravilhosa que já viu.

Autor: Henrique B. Lobato.
Domini 

As vezes


As vezes
As vezes eu paro...
As vezes olho para o lado e vejo que eu poderia ter seguido outra direção
Eu me olho no espelho e me pergunto:
Como teria sido então? Como teria sido se eu tivesse seguido outra direção?
Talvez algo teria mudado, talvez eu não tivesse errado, talvez estivesse enterrado.
As vezes eu presto atenção...
Olho para o lado e vejo alguém na contramão.
Talvez ele não tenha visto a placa de frente.
Ou será uma caixa vazia fingindo ser diferente?
Mas que mal me pergunte então: se não seria eu a estar na contramão?
Se o normal é andar para trás fingindo andar para frente.
As vezes eu sigo...
Mas parecia tão real, e as vezes parece tão banal.
Que não liguei em seguir as placas nas vias.
Mas parecia normal não poder mudar de canal.
Parecia normal ignorar o sinal, se mentires tão bem nas avenidas.
Se mentires tão bem durante a vida, se puder mentir pra si mesmo afinal.
Mas não minto bem, e mudo tanto de canal
Que acabo me sentindo mal em não poder ajudar os garotos do sinal,
Mas isso é culpa daqueles que ficam a brincar com essas vidas.

Autor: Henrique B. Lobato

Olhar do céu


Olhar do céu
Quando a tristeza floresceu em minha alma.
Vi um pássaro cinza.
Chorei e o céu em demonstração de amizade choro junto comigo.
Então se fez lagrimas de chuva no céu, e a cara se fecho em nuvens de chuva.
Os gritos de raiva são misturados com os gritos de vento.
O relógio em um ato de verdade diz que são 4:30 da tarde.
Eu em um ato de mentira digo que sou mais forte que isso.
E então como que por um milagre, um ultimo primeiro sopro de vida.
Igual ao sopro de vida que me fez chorar quando nasci
Mas agora é diferente agora é um sopro de renascimento
Senti a essência do infinito dentro de mim resgatando meu altruísmo.
O pássaro cinza agora voará pra longe de mim.
E nem eu nem o céu choramos mais.
Nossas caras ainda fechadas e embaçadas de nuvens de chuva.
Mas dessa vez se abre uma fenda pro pássaro passar entre as nuvens.
Abre-se uma fenda pro pássaro passar e pro sol sair.
Abre-se uma fenda pro pássaro passar e pro sol sair em forma de um sorriso meu.
A fenda que se abre faz sair um fecho de luz e o sol se pondo no canto parece um olhar confiante.
Foi então que aprendi a ler olhares e o olhar do céu em nuvens douradas em que uma fenda se abre com uma bola laranja no meio me lembra o olhar do leão em mim.
Todo o altruísmo renasce e sinto o calor do sol dessa vez vindo de dentro pra fora e não mais o contrario.
Sou tomado por uma paz interior tão grande que não consigo descrever em palavras.
Então como num ato de agradecimento.
Encaro o olhar do céu, encaro o olhar do sol quase morto e digo: obrigado!

Henrique B. Lobato
Domini

Quando o mundo acabar



Quando o mundo acabar
Ainda restará você, e você terá a mim
Chegue bem perto, quando estiver se sentindo mal...
Abrace-me, deixe tudo em mim e vá.
Quando tudo parecer frio e escuro
Ainda restará sua luz.
Olhe para trás e veja...
Tudo aquilo que te fez feliz, e o amor que te manteve quente.
Olhe para trás e veja...
Tudo aquilo que já passou, e depois de subir tanto me diga:
 Você ainda quer cair?
 Você ainda quer perder?

Quando o mundo acabar...
Mesmo depois que todos sumirem, ainda restará você, e você sempre terá a mim.
Chegue bem perto, quando estiver se sentindo mal...
Abrace-me, deixe tudo em mim e vá.
Quando tudo parecer loucura e escuridão
Lembre-se que você sempre terá sua luz.
Olhe para frente e veja...
Como está perto sua gloria.
Olhe para frente e veja...
Tudo que você vai conquistar, cante, conte as possibilidades infinitas.
Você ainda quer cair?
Você ainda quer perder?

Quando o mundo acabar...
Chegue bem perto, quando estiver se sentindo mal.
Abrace-me, deixe tudo em mim e vá.
Por que ainda resta sua luz.
Ainda resta você, e você ainda tem a mim.
Olhe pra você e veja...
Tudo que você é, tudo que foi e o que pode ser.
Olhe pra você e veja.
Veja como é grande sua luz e como é poderosa sua mente.
E quando tudo estiver frio e escuro, abrace-me, deixe tudo em mim e vá.
Porque mesmo se o mundo inteiro sumir.
Ainda restará você, e você ainda terá a mim.

Autor: Henrique B. Lobato
Domini

Te amo como a dor


Te amo como a dor

Eu te amo como amo os meus defeitos, e como no natal enfeito meus defeitos com enfeites de porcelana.
Eu te amo como amo a lama.
Eu te amo como amo os meus erros e falhas.
Eu te amo como se ama bagulhos e tralhas, que apesar de velhas não jogamos fora.
Eu te amo como o depois ama o agora, ou como o aqui dentro ama o lá fora.
Eu te amo como o gato ama o rato.
Eu te amo como o mito ama o fato.

Te amo como o mar ama o rio, ou como o calor ama o frio.
Te amo como o sonho ama a realidade.
Te amo como um mentiroso ama a verdade.
Te amo como um imperfeito ama a perfeição
Te amo como a loucura ama a razão.
Te amo como a vida ama a morte.
Te amo como o fraco ama o forte.

Amo-te como a lua e as estrelas amam ser ofuscadas pelo farol.
Amo-te como o deserto ama o sol.
Amo-te como se ama as noites escuras e frias.
Amo-te como a comida estragada ama as iguarias.
Amo-te como o excluído ama o escolhido.
Amo-te como o achado ama o escondido.
Amo-te como o proibido ama o permitido.

 Depois de tantos exemplos, te afirmo que não estamos isentos de errar, mas voltando a falar sobre amar, afirmo que te amo como amo a dor, e afirmo também que teu afeto me afetou e isso é fato, mas por favor, faça-me um favor, não minta quando descobrir que eu menti, lembre-se que não estamos livres de errar, e enquanto me amar diga a verdade, lembre-se que a realidade criamos com nossos sonhos. Pense bem sobre meu amor, pois encontrará o horror quando descobrir que se te amo como a dor, talvez eu não te ame.

Autor: Henrique B. Lobato

Tributo a Augusto dos Anjos

Palavras


Palavras
 Aos poucos descobrimos que dizer o que vem a cabeça pode ser perigoso, pois por mais sinceras posam ser suas palavras, elas podem estar erradas, e todas as desculpas do mundo podem não ser o suficiente para que você perdoe a si mesmo, e nessas horas o silêncio pode ser o melhor que se pode fazer. Poucas vezes o silêncio não diz nada ou não tem nada a dizer.
 E enquanto muitos falam o que pensam, as vezes sem pensar, você acaba aprendendo a pensar antes de falar, não sendo falso ou medíocre e sim sendo cuidadoso e sábio, pois descobre que palavras tem mais poder do que se imagina, poder de tirar alguém da beira do abismo, ou no cumulo da maldade fazer alguém se jogar de cima do mesmo.
 Descobre também que a maior vergonha da palavra não é quando ela sai de forma errada, incompreensível ou com sotaque engraçado, a maior vergonha da palavra é quando não se vive aquilo que se diz.
 E passa a perceber que as palavras que se vê com tamanha insignificância podem ser as com maior significado para você, e que sem elas sua vida não faria sentido.
Você começa a perceber que o fogo só se chama fogo porque alguém deu esse nome a ele, e que a mesma coisa pode ter vários nomes e todos podem sim ser verdadeiros.
 Descobre que apesar de amarga a verdade pode ser libertadora, e que contaria a maior mentira do mundo para proteger quem você ama, e percebe que você pode sim conviver com isso.
 E descobre que tudo fica chato se for executado demais, e que sem experimentar o novo tudo fica com cheiro de monotonia, descobre que mais antigo nem sempre é melhor ou mais verdadeiro, e que coisas velhas sempre são novidade para alguém, pois tudo está em constante renovação e mudança mesmo que você não possa ver.
 Descobre que sempre tem algo oculto para ser visto e sempre tem mais de uma escolha a ser considerada.
 Descobre que simplicidade não significa falta de dinheiro, e que pessoas simples nem sempre são insípidas.
 E a saudade te mostra que os anônimos a quem você não da valor no seu dia-a-dia podem ser especiais, e as vezes até essenciais para você, e descobre que estava enganado quando disse que não poderia viver sem alguém, você perde alguém, e continua vivendo.
 Descobre que viver é apreciar a vida e não um simples funcionamento de órgãos, e as vezes descobre que não viveu boa parte de sua vida, e então começa a perceber que é sim possível viver mais em vinte horas do que se viveu em vinte anos, e começa a acreditar que isso depende de cada um e não do destino.
 E em meio as dificuldades quando tudo exige que você seja forte, você descobre que realmente é forte e que pode superar cada desafio que é colocado a sua frente.
 Descobre que é capaz de abandonar tudo para correr atrás de um sonho, então descobre que sonhos acabam, mas aprende que vale a pena correr atrás deles.
 Você percebe que esquecer não é superar e muito menos perdoar, e que deixar para trás não significa perder, e ainda que se perca, percebe que o perder não é o fim.
 Começa a perceber que colocar no cofre não é guardar e sim perder de vista, aprende que guardar é velar, vigiar, olhar, proteger aquilo que se ama.
 Aprende que superar é melhor do que esquecer, e que enfrentar é melhor do que fugir, pois mesmo na derrota se aprende algo, e isso é o grande segredo da queda.
 Depois de um tempo você percebe que a loucura te leva a lugares nunca antes visitados, e que precisa recuperar a sanidade para achar o caminho de volta.
 Percebe que alegria não significa felicidade, e aprende que felicidade está mais na visão do caminhante do que no caminho, ou no destino a ser alcançado.
 Às vezes esquecemos que meio-ambiente é onde naturalmente cada um vive, e não a natureza, e descobrimos que devemos cuidar do meio-ambiente e também da natureza, percebemos então que o meio-ambiente tem influência sobre nós, e nós temos influência sobre ele.
 E percebemos que tempo não tem quase nada haver com maturidade, nem com sabedoria, ambas vem como complemento quando você passa a se conhecer melhor, e depois de um tempo descobre que não conhece as pessoas que ama, e chega ate a pensar que as pessoas que amam você não o amariam se te conhecessem melhor.
 Descobrimos que o amor é empírico demais para ser entendido ou explicado, e que quando realmente amamos não precisamos de explicação.
 Aprende que ter paciência com os outros te trás paz interior, e que em momentos que exigem ação você pode e deve fazer acontecer e não esperar pela sorte.
 Descobre que o começo do dia é mais do que o badalar frenético do despertador ou o canto de um galo velho, é na verdade novas oportunidades, um novo começo, uma nova tentativa, são novos milagres a serem vistos, por isso acorde sempre brilhando mesmo em dias nublados e frios de inverno, pois quem tem brilho próprio não precisa de sol.
 E as vezes olhamos para trás e vemos que aquele ódio que sentíamos por alguém poderia ser inveja e que ela poderia ser superada, e percebe que a melhor maneira de superar a inveja é melhorar seu jardim, e não destruir o jardim do outro.
 E depois de descobrir, lembrar, perceber e continuar, com sorte você acaba vendo que não são os fatos em si que formam uma pessoa e sim como cada pessoa vê os fatos.

 Inspirado nas obras de William Shakespeare e charles chaplin


 Autor: Henrique B. Lobato.
                                                                 Domini

O eu dentro de mim



O eu dentro de mim

Como ficarei eu? se quando fico só eu fico assim.
Como ficarei eu? Se quando penso, não sei quem sou.
E em meio ao mundo imenso, quando penso
Não me reconheço, me perco e não sei pra onde vou,
Desapareço, enlouqueço e pereço diante de mim.
E mergulho pra dentro de mim, sem querer sentir-me assim:
O eu tão desconhecido de dentro de mim.
E nesse momento, quando mergulho pra dentro enfim,
Os enfeites se desmancham como velhos retalhos.
Tento então seguir meus defeitos, e em meio aos atalhos
Acho minhas qualidades, minhas metas de verdade.
Encontro lembranças, janelas de luz e de morte,
Sigo dependendo da sorte, em um mundo desconhecido.
O eu lírico ferido, de coração partido e caminho proibido.
Quebro então o vidro das janelas da morte,
E com sorte consigo abrir as janelas de luz.
A luz que conduz meus passos descompassados.
A luz da inocência que termina em becos fechados.
Por entre poços de alegria e lagrimas de lagos.
Organizo a bagunça e finalmente me encontro.
No espelho cristalino de minha alma me reconheço.
E enfim com minha mente em ordem, reapareço.
E quão perfeita é a criação...
Como ficarei eu então?
Se o futuro desconheço.

Autor: Henrique B. Lobato.

O que o velho faria

  
O que o velho faria
Todos os dias eu faço planos
Alguns eu cumpro outros não.
Enquanto eu compro,
Eu faço cumprir a profecia.
A algum tempo atrás
Um velho sábio dizia:
Se o homem conhecesse a ganância
O mundo morreria.
Mas se o mundo acabar
Acaba junto à poesia.
Então quando for comprar
Se pergunte: o que o velho sábio faria?

Autor: Henrique B. Lobato

Desértica


Desértica
Hoje ao acordar me perguntei se estava em um sonho.
Pareço estar na mente doentia de um demônio, seus olhos voltados para dentro a me encarar.
Hoje acordei e tudo aparenta vir de outro lugar, eu aparento vir de outro lugar.
Não reconheço isso que me rodeia, não reconheço essas arvores secas rodeadas de espinhos que me ferem no interior e me fazem sangrar de tristeza.
De certa forma a cada passo adiante, um pedaço de mim fica em um dos espinhos afiados que brilham hipnotizando-me
De certa forma eu queria estar aqui, eu queria morrer ontem.
Hoje eu acordei num pesadelo, eu acho que me perdi do bando.
Por onde ando apenas ruínas de florestas e ausência de vida.
Sombras de duvidas e poeira.
Chão deserto, futuro incerto e talvez maldito.
Não acredito que morri aqui.
Hoje acordei e senti minha alma fria como um iceberg, nem mesmo o céu existe.
No lugar dele só um preto sem estrelas e sem lua.
No lugar do céu eu vejo meu interior refletido.
Vazio....
Não resto nada para se apegar. Não resto nada...
Terra desértica sem fim.
Terra desértica em mim e enfim parei aqui.
Será que sou um anjo? Caído de cansaço estou e olhando o resto do céu por um minuto penso que nada importa.
Não pode ser! Não posso ter perdido!
Eu penso que ainda existe tempo e ainda existe vida lá fora.
Chegou a hora!
Vamos lá rapaz, levante-se!
Eu posso fugir, eu posso escapar daqui!
Eu preciso voltar, tenho uma missão a cumprir e um caminho a trilhar.
Seja glorioso!

Autor: Henrique B. Lobato-----------------------Domini 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Elfos


Elfos

O que fazer com os errantes?
O que fazer quando o culpado é inocente?
Não que ele não seja culpado, não que ele não tenha errado.
Não que ele não tenha feito o que fez.
Ele errou e por isso é culpado!
Mais se ao errar ele se torna culpado pelo resto da vida. Quem será inocente?
Inocente em sua forma de pensar...
Inocente em usa forma de agir...
Diga-me quem será inocente?
Ele é culpado por ter feito o que fez.
Mais e inocente porque não pensou na ação e reação
Pensou apenas na ação
A ação ao qual lhe parecia certo.
Não foi o suficiente? Então o que será?
Se não podemos perdoá-lo, então quem poderá?
Ainda sim não esqueça, ele é culpado.
E será banido como um culpado e errante que é.
Se condenamos alguém pelos erros passados, então quem será salvo?
Se matamos os que mataram, então quem viverá?
Baniremos todos, e quando restar apenas um, este banirá a si mesmo.
O que seria ele?
O culpado mais inocente?
Ou o inocente mais culpado?
Ele seria apenas humano.

Autor:Henrique b.lobato

Cá estou eu


Cá estou eu    

Cá estou eu pensando novamente no futuro.
Cá estou eu pensando novamente sobre os meus desafios.
Cá estou eu correndo contra o vento, nadando contra a corrente como uma carpa sonhando com meu objetivo.
Cá estou eu tão distraído que eu mesmo me derrotei.
Estava ali e depois fui pra lá, mas tive que voltar pra cá pra pensar sobre o porque deu ter ido pra lá.
Quantas vezes escutei meu subconsciente ressoar em minha cabeça sobre o que eu devia ou não fazer.
E quantas vezes perturbei minha paz por ter me arrependido de fazer ou deixar de fazer algo.
E tudo tão simples que não consigo captar com clareza.
O caminho as vezes é tão longo que acabo esquecendo de pra onde estava indo.
O caminho as vezes é tão curto que a chegada não tem graça nenhuma.
Qual seria a graça de minha vida se não fosse meus desafios?
Sei que não preciso ir para estar e posso estar em dois lugares ao mesmo tempo.
Sem razão não poderia ter sentimentos e seria guiado apelas por instintos selvagens.
Então quando sinto perco a razão?
E quando sou tão racional que não posso sentir?
E onde pararia meu ser quando a razão e a emoção me deixarem e apenas o vazio restar?
Cá estou eu pensando novamente no futuro.
Cá estou eu pensando novamente sobre os meus desafios.
Cá estou eu correndo contra o vento, nadando contra a corrente como uma carpa sonhando com meu objetivo.
Cá estou eu tão vulnerável que eu mesmo me derrotei.
Cá estou eu...
Cá estou eu...
Cá estou eu...

Cá estou eu pensando, refletindo, sentindo e vivendo a cada dia.
Pois aprendi que cada dia deve trazer seus problemas e soluções, cada dia deve trazer seus milagres e banalidades, cada dia deve trazer suas tristezas e alegrias, e cada noite deve trazer seus sonhos e pesadelos. E depois de tudo isso, como ficarei eu? Como ficará minha alma? Não sei. Só sei que cá estou eu.

Henrique B.Lobato
Domini 

Descanso



Descanso

Meu corpo pede cama, pede descanso.
Humano cansa, e o sono me chama.
Minha mente clama, por conhecimento.
Peregrino ao relento, buscando abrigo.
Minha alma insana quer conquistar o mundo.
Meu coração moribundo pulsa por sabedoria.
Marco a estadia, lavo meu rosto na pia e conto com a sorte.
Apesar do cansaço eu ainda sou meu próprio talismã.
Não vou me entregar, tenho uma batalha a vencer hoje.
Desistir só amanhã.

Meu corpo pede cama, pede descanso.
Depois de lutar o dia todo, nem mesmo sei se valeu à pena.
Minha sina perdeu a graça, já acabou minha cena.
A causa não vale as perdas, a luta perdeu o sentido.
O efeito não passa de efeito diante de tamanho cansaço.
Não sou feito de aço, também canso.
Agora minha única duvida é se durmo na cama ou na rede.
Meu rio de entusiasmo secou e sobrou apenas a sede.
E em passos cambaleantes eu sigo pelo caminho deserto.
O futuro ainda está presente, ainda que pareça incerto.

Meu corpo pede cama, pede descanso
A tarde cai, o sol se vai, e a lua me chama.
Finalmente me deito em meu leito, minha cama.
Onde a doce mentira parece verdade, onde o mundo inteiro parece metade.
Os olhos se fecham, os sonhos vem vindo, dou adeus a realidade
Resistir ao sono? Pergunto-me como.
Merecido descanso, me entrego ao sono.
Cama sem alegria, vou descansar sem companhia. 
O despertar é belo, é poesia, é bom humor diante a monotonia.
As cortinas se abrem, o sol me da bom dia.
Saio da cama, saio de casa, tenho que fazer por merecer minha asa.
Dormir pra que?
“Terei muito tempo para dormir depois que eu morrer.”

Autor: Henrique B. Lobato