Palavras
Aos poucos
descobrimos que dizer o que vem a cabeça pode ser perigoso, pois por mais
sinceras posam ser suas palavras, elas podem estar erradas, e todas as
desculpas do mundo podem não ser o suficiente para que você perdoe a si mesmo,
e nessas horas o silêncio pode ser o melhor que se pode fazer. Poucas vezes o
silêncio não diz nada ou não tem nada a dizer.
E enquanto muitos
falam o que pensam, as vezes sem pensar, você acaba aprendendo a pensar antes
de falar, não sendo falso ou medíocre e sim sendo cuidadoso e sábio, pois
descobre que palavras tem mais poder do que se imagina, poder de tirar alguém
da beira do abismo, ou no cumulo da maldade fazer alguém se jogar de cima do
mesmo.
Descobre também que a
maior vergonha da palavra não é quando ela sai de forma errada, incompreensível
ou com sotaque engraçado, a maior vergonha da palavra é quando não se vive
aquilo que se diz.
E passa a perceber
que as palavras que se vê com tamanha insignificância podem ser as com maior
significado para você, e que sem elas sua vida não faria sentido.
Você começa a perceber que o fogo só se chama fogo porque
alguém deu esse nome a ele, e que a mesma coisa pode ter vários nomes e todos
podem sim ser verdadeiros.
Descobre que apesar
de amarga a verdade pode ser libertadora, e que contaria a maior mentira do
mundo para proteger quem você ama, e percebe que você pode sim conviver com
isso.
E descobre que tudo
fica chato se for executado demais, e que sem experimentar o novo tudo fica com
cheiro de monotonia, descobre que mais antigo nem sempre é melhor ou mais
verdadeiro, e que coisas velhas sempre são novidade para alguém, pois tudo está
em constante renovação e mudança mesmo que você não possa ver.
Descobre que sempre
tem algo oculto para ser visto e sempre tem mais de uma escolha a ser
considerada.
Descobre que
simplicidade não significa falta de dinheiro, e que pessoas simples nem sempre
são insípidas.
E a saudade te mostra
que os anônimos a quem você não da valor no seu dia-a-dia podem ser especiais,
e as vezes até essenciais para você, e descobre que estava enganado quando
disse que não poderia viver sem alguém, você perde alguém, e continua vivendo.
Descobre que viver é
apreciar a vida e não um simples funcionamento de órgãos, e as vezes descobre
que não viveu boa parte de sua vida, e então começa a perceber que é sim
possível viver mais em vinte horas do que se viveu em vinte anos, e começa a
acreditar que isso depende de cada um e não do destino.
E em meio as
dificuldades quando tudo exige que você seja forte, você descobre que realmente
é forte e que pode superar cada desafio que é colocado a sua frente.
Descobre que é capaz
de abandonar tudo para correr atrás de um sonho, então descobre que sonhos
acabam, mas aprende que vale a pena correr atrás deles.
Você percebe que
esquecer não é superar e muito menos perdoar, e que deixar para trás não
significa perder, e ainda que se perca, percebe que o perder não é o fim.
Começa a perceber que
colocar no cofre não é guardar e sim perder de vista, aprende que guardar é
velar, vigiar, olhar, proteger aquilo que se ama.
Aprende que superar é
melhor do que esquecer, e que enfrentar é melhor do que fugir, pois mesmo na
derrota se aprende algo, e isso é o grande segredo da queda.
Depois de um tempo
você percebe que a loucura te leva a lugares nunca antes visitados, e que
precisa recuperar a sanidade para achar o caminho de volta.
Percebe que alegria não
significa felicidade, e aprende que felicidade está mais na visão do caminhante
do que no caminho, ou no destino a ser alcançado.
Às vezes esquecemos
que meio-ambiente é onde naturalmente cada um vive, e não a natureza, e
descobrimos que devemos cuidar do meio-ambiente e também da natureza,
percebemos então que o meio-ambiente tem influência sobre nós, e nós temos influência
sobre ele.
E percebemos que
tempo não tem quase nada haver com maturidade, nem com sabedoria, ambas vem
como complemento quando você passa a se conhecer melhor, e depois de um tempo
descobre que não conhece as pessoas que ama, e chega ate a pensar que as
pessoas que amam você não o amariam se te conhecessem melhor.
Descobrimos que o
amor é empírico demais para ser entendido ou explicado, e que quando realmente
amamos não precisamos de explicação.
Aprende que ter
paciência com os outros te trás paz interior, e que em momentos que exigem ação
você pode e deve fazer acontecer e não esperar pela sorte.
Descobre que o começo
do dia é mais do que o badalar frenético do despertador ou o canto de um galo
velho, é na verdade novas oportunidades, um novo começo, uma nova tentativa,
são novos milagres a serem vistos, por isso acorde sempre brilhando mesmo em
dias nublados e frios de inverno, pois quem tem brilho próprio não precisa de
sol.
E as vezes olhamos
para trás e vemos que aquele ódio que sentíamos por alguém poderia ser inveja e
que ela poderia ser superada, e percebe que a melhor maneira de superar a
inveja é melhorar seu jardim, e não destruir o jardim do outro.
E depois de
descobrir, lembrar, perceber e continuar, com sorte você acaba vendo que não
são os fatos em si que formam uma pessoa e sim como cada pessoa vê os fatos.
Inspirado nas obras de William Shakespeare e charles chaplin
Autor: Henrique B.
Lobato.
Domini