"Ninguém quer confissões aqui, nem reminiscências. É apenas uma questão de manter o foco. Por isso, esse formato essa falsa elaboração. Se alguém quisesse ser realmente bom, contaria sílabas de um soneto perfeito, mas não é o caso. Nem é o caso aqui, em meio a tanta confusão ser ele um homem prestes a chorar ou não. Não! Taí uma coisa que não vai interessar você. Ninguém quer confissões aqui." Fernanda Young
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Alma Penada
Alma penada
O fim chegará para sua excentricidade.
A dor macabra que assombra suas vontades,
Nos seus passeios nebulosos pela cidade,
Andando, pensa no que realmente é verdade.
Assombra dia e noite seu próprio templo.
Desmaia em álcool e destroi seu altar.
E pausa para ferir-se por algum tempo,
Sem discernimento, só o instinto de matar.
Sem forças para lutar ou mudar de canal.
Tornando-se mais uma suicida em potencial.
Sem coragem de se habituar, fica estupida!
E isso que hábita dentro dela não escuta.
E todos correm quando a veem passar.
Talvez por medo de querer também matar.
Espirito assassino que vira, vaga, vazio.
Espirito suicida que sofre e queima no frio.
A dor é tamanha que ela, louca, puxa a faca
para furar seu coração que a muito jorra.
E a fera, louca, bruxa, naquela exata hora,
Lembra que já morreu a muito tempo e chora.
Autor: Henrique B. Lobato
terça-feira, 29 de maio de 2012
Comatose coletiva
Comatose coletiva
Os garotos que caminharam no verão.
A muito já não estão mais entre nós.
O castelo, o gigante e o furação,
Foram vencidos quando ficamos sós.
Quando vimos pela primeira vez a vida:
- Nossa! Como é grande e complicada.
Mas o novo tem gosto de partida,
E a vida não pode ser postergada.
Já nem a vejo... Já nem me lembro.
Que forma mesmo tinha aquela nuvem?
O que eles dizem, eu não entendo,
O sorrizo alheio com cor de ferrugem.
O que se manifesta é o ar frio...
Em uma quente tarde na estação.
Ambiente cheio, recipiente vazio.
Para onde foi aquele doce verão?
Como um susto, subitamente lembrei.
'O castelo, o gigante e o furação...'
E me veio um insight que interpretei:
sou eu a criança perdida na estação!
Autor: Henrique B. Lobato
domingo, 27 de maio de 2012
Dia de criança.
É incrível como funciona certos pensamentos infantis, a criança passa o dia todo brincando e se divertindo, tudo é maravilhoso ate que ela cai e rala o joelho. Então ela entra em casa e chora, chora, tudo que ela se lembra é do joelho ralado, agora toda a diversão já não importa mais, ela nem mesmo lembra o quanto estava feliz, só lembra da dor do joelho ralado, mas o dia acaba, ela dorme, e no dia seguinte, veja só! Ela está correndo e brincando novamente e o joelho ralado parece nem doer mais, até que ela cai e rala o cotovelo, assim o ciclo continua.
Autor: Henrique B. Lobato
Autor: Henrique B. Lobato
Liberdade Relativa
Liberdade relativa
Querem organizar os pastos e expandir a prisão.
E tudo isso seria para a segurança da população:
chipar nossos sapatos e prender-nos a ilusão.
Talvez sejamos cortados do direito da evolução.
Como pode a águia querer tudo controlar?
Ela quer monopolizar o mundo multipolar
E para quem afinal tudo isso interessa?
Se para a morte humana há tempo e presa.
Com tantas culpas, ela ficou querendo mais.
As desculpas serão o teatro de algum tempo atrás.
E normalmente apenas isso não seria o suficiente.
Mas a inumeras gerações, brincam com nossa mente.
E nesse jogo de verdade ou mentira da cidade.
Nós destruimos a essencia do qual faziamos parte.
A chuva a muito derrete nossa pele e nossa arte,
E já respiramos os gorfos da própria sociedade.
Eu vou voltar socado em lada para a minha doce casa,
Onde ainda há relativa paz com a televisão desligada.
Fiz o que pude hoje com minha cota de energia diária.
E agora vou morrer e descansar, sair da asa da águia.
Fazer transparecer...
ficar sozinho em casa.
Para nascer e transcender
As tão esperadas asas.
Autor: Henrique B. Lobato
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Correntes D´Água e Sal
Correntes D´Água e Sal
Estou preso nessa grade de ilusão.
Girando e tonto no olho do furação.
Disolvendo-me em tormentosa amargura.
Faz parte de mim essa terrivel desventura.
Estou preso a correntes d´água e sal.
Louco, fera, descontrolado lado mal.
É corrente que escore dos meus olhos.
É estaca firmadora aterrada ao meu coração.
Oh passaro cinza, faz chover e lava agora.
Faz chorar e leva embora para sempre.
Faz o céu gritar e o sol secar...
Todo esse mar de sofrimento.
O meu grito ecoou por algum tempo...
Então raios cairam do firmamento.
O mar se converteu em céu cinzento.
E eu ainda preso a um futuro incerto.
Eu vou lutar e quebrar essas correntes!
Correntes d´água e sal em peito ardente.
A oração em coro dos meus maldizeres,
Quebrou a lasca do meu peito tristimente.
As correntes trincam, gritam pendantes.
Já sou mais firme, mais forte que antes.
Eu vou quebrar, me libertar... Enfim bonansa.
É preciso bem mais para tirar minha esperança.
Autor: Henrique B.Lobato
terça-feira, 15 de maio de 2012
Olhe para os dois lados
Eu não posso viver ou crer apenas na realidade e no concreto, pois a realidade que conheço é a realidade que me foi apresentada, e esta por si só é efêmera e limitada, isso porque ela é formada pela mente lógica das pessoas, e a mente lógica das pessoas é efêmera e limitada.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Medita ação
É sublime demais essa paz
Que equilibra e não se desfaz.
Ar de reflexão que paira pela sala.
Misterioso ar que faz pensar e a tudo cala.
Autor: Henrique B. Lobato
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Adeus
Adeus
Apenas por hoje já basta!
Acho que chega de pensar.
Se eu não sou de sua casta,
Não me rebaixo pra tentar.
Tentar subir no seu lugar.
Eu já cansei de discutir.
Tentar subir pra te tocar,
Não vou tentar, nem conseguir.
Se de mim em ti só isso resta,
Não vale a pena me arriscar,
Enfrentar vales e florestas
Só pra conseguir te encontrar.
Se já não anseia estar comigo,
Por que por ti eu correria?
Se não me tens nem como amigo,
Já não te quero em minha vida.
Autor: Henrique B. Lobato
Brado de chegada
Brado de chegada
Grande salve meu amigo, seja bem vindo.
Entre sem pedir licença, sem cerimonia.
A tempos não te vejo, converse comigo.
Você se lembra daquela linda sem vergonha?
Tu ainda segue solitario teu destino?
Ou uma bela dama já te faz boa companhia?
Ainda me lembro quando eras jovem peregrino,
E namorava mais de uma garota em cada vila.
E des da tua partida muita coisa aconteceu.
Anotei cada fato e mudança que se procedeu.
Cuidei de tudo que deixou, em tua ausência.
Te contarei cada detalhe com muita paciência.
Em que estrada dessa vida tem andado?
Ficamos muito felizes que tenha retornado.
Aposto que tem historias para contar.
O seu retorno nos vamos muito festejar.
Que grandes honras conseguiu em sua jornada?
Todos nós estamos muito felizes com tua chegada.
Realizou aquele sonho antigo, tão idealizado?
Faremos a festa amanhã, se tu estiver cansado.
Teremos muito tempo para por tudo em ordem.
Vamos começar a festa para que todos acordem.
Nosso irmão cavaleiro voltou de sua empreitada.
Vamos todos cantar para ele o brado de chegada.
Autor: Henrique B. Lobato
Para o grande amigo que voltou
Brado de Partida
Brado da partida.
Pode ir embora sem se despedir.
Afinal você já se foi a muito tempo.
Pode ir, se esse caminho pretende seguir.
Só não esqueça de levar todo seu sofrimento.
Esse grande amor que talvez nunca acabaria
Por muitas primaveras foi nossa alegria,
foi a salvação para o mundo, para a vida.
Foi cura para a alma mil vezes partida.
Eramos dualidade una em perfeita simetria.
E agora somos dois incompletos quebrados.
Eramos fogo sagrado que queimava noite e dia.
E agora somos simples caminhantes solitarios.
Te acompanhar até a saída já não preciso,
Sua consciência será sua tortuosa companhia.
E se algum dia você recuperar o juízo,
Não volte! Fique sozinha com sua agonia.
Esse vento que corre por dentro do quarto,
Não me deixará esquecer o que fomos um dia.
E nem mesmo precisa fechar a porta ao sair.
Meu grito fechará ela para sempre por mim.
Lembre-se sempre do que agora eu digo:
A vida é curta demais para arrependimento,
E se algum dia você quizer voltar comigo,
Procure-me... apenas apos eu ter morrido!
Autor: Henrique B. Lobato
Para aquela que parte.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Rotina perigosa
Rotina perigosa
Essa grade sufocante que me certa
Só me leva a cada dia para a morte.
É ela que ao sol meu peito enterra.
Me deixando sozinho a própria sorte.
É como estar perdido em um labirinto,
Percoro todos os dias o mesmo caminho.
E no espelho dia e noite o mesmo olhar,
Olhar caído de quem luta para chegar.
Essa infeliz comatose da nossa rotina
Faz com que a já claudicante beleza,
perca-se perante o viruz que contamina.
Contaminados de informação para processar,
Esquecemos de ir, de fazer, de analisar.
Esquecemos de rir, de viver, de pensar.
Autor: Henrique B. Lobato
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Xadrez Incolor
Xadrez Incolor
Teu preconceito futil é até aceitado,
Pois muitos de nós o temos adotado.
Mas discriminação já é um defeito!
Já que esbarra em fundamental direito.
Todos nós temos o direito de viver!
Seja qual for a nossa realidade.
Mas se com isso não consegues conviver
Es tu o deficiênte na verdade.
Mas se tens preconceito e se conforma,
Ou se es tu intolerante a outra cultura.
Procure mudar de alguma forma.
Ou viva morto sua triste desventura.
Ter preconceito é da nossa natureza,
Mas mante-lo na mente é ignorância.
Podemos perde-lo com toda certeza.
E nisso eu ainda tenho esperança.
Autor: Henrique B. Lobato
terça-feira, 1 de maio de 2012
Pintura Imaginaria
Pintura Imaginária
Vivem me perguntando pra onde vou
Quando fecho os olhos e durmo.
Mas quando digo quem fui e sou
Riem achando tudo um absurdo.
Esse grande cenário por mim criado
Que já não passa de uma pintura.
É fuga do medo e da maldade.
É direito dado a toda criatura.
Mas por vezes me pergunto:
Quem é prisioneiro na verdade?
Eu quando me entrego aos sonhos
Ou você que se prende a realidade?
Não sei se há de concordar comigo
Que esses sonhos onde tanto vivo,
São mais interesantes e divertidos
Que sua fragil realidade de vidro.
Autor: Henrique B. Lobato
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