quarta-feira, 9 de maio de 2012

Brado de Partida



              Brado da partida.

       
        Pode ir embora sem se despedir.
        Afinal você já se foi a muito tempo.
        Pode ir, se esse caminho pretende seguir.
        Só não esqueça de levar todo seu sofrimento.

        Esse grande amor que talvez nunca acabaria
        Por muitas primaveras foi nossa alegria,
        foi a salvação para o mundo, para a vida.
        Foi cura para a alma mil vezes partida.
       
        Eramos dualidade una em perfeita simetria.
        E agora somos dois incompletos quebrados.
        Eramos fogo sagrado que queimava noite e dia.
        E agora somos simples caminhantes solitarios.        

        Te acompanhar até a saída já não preciso,
        Sua consciência será sua tortuosa companhia.
        E se algum dia você recuperar o juízo,
        Não volte! Fique sozinha com sua agonia.

        Esse vento que corre por dentro do quarto,
        Não me deixará esquecer o que fomos um dia.
        E nem mesmo precisa fechar a porta ao sair.
        Meu grito fechará ela para sempre por mim.    
       
        Lembre-se sempre do que agora eu digo:
        A vida é curta demais para arrependimento,
        E se algum dia você quizer voltar comigo,
        Procure-me... apenas apos eu ter morrido!


       Autor: Henrique B. Lobato
       Para aquela que parte.

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