O pão e a pedra
A espera angustiante cala o brado
Dos pássaros que cantam no quintal.
Recorrência me fez ser sentenciado
A reviver aflita dor do mesmo mal.
Neste ambiente frio e carregado
Não há hino ou festa de natal,
Só correntes de medo refinado.
Refazer esperança é carnaval.
Pois enfim as lâmpadas se apagam
E com elas morre minha televisão.
E os pobres que por aqui divagam
Esperam sua próxima ressureição.
Pois quando vem e vêem escuridão
Se perdem esperando algum abrigo.
E nem pensam que é própria opção
Se enganar e ver tudo como castigo.
O divino dom da criação é dado
A todo individuo com carinho.
Mas se vê isso como um fardo
E por isso se perde o caminho.
Mesmo sozinho se tem a queda,
As provas vem se queira ou não.
Cabe a cada um pegar sua pedra
E conseguir transformar em pão.
Autor: Henrique B. Lobato




