sábado, 30 de março de 2013

O pão e a pedra







O pão e a pedra

A espera angustiante cala o brado
Dos pássaros que cantam no quintal.
Recorrência me fez ser sentenciado
A reviver aflita dor do mesmo mal.

Neste ambiente frio e carregado
Não há hino ou festa de natal,
Só correntes de medo refinado.
Refazer esperança é carnaval.

Pois enfim as lâmpadas se apagam
E com elas morre minha televisão.
E os pobres que por aqui divagam
Esperam sua próxima ressureição.

Pois quando vem e vêem escuridão
Se perdem esperando algum abrigo.
E nem pensam que é própria opção
Se enganar e ver tudo como castigo.

O divino dom da criação é dado
A todo individuo com carinho.
Mas se vê isso como um fardo
E por isso se perde o caminho.

Mesmo sozinho se tem a queda,
As provas vem se queira ou não.
Cabe a cada um pegar sua pedra
E conseguir transformar em pão.

Autor: Henrique B. Lobato

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