sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A última nota no diário


A ultima nota no diário de John:

 Era uma noite fria de inverno em Londres, chovia como sempre e o cheiro de poluição e de esgoto perfumavam o ar, eu caminhava com meu sobretudo amarelo característico, e clamava maldizeres para aquela cidade.

 Ao chegar à porta do seu apartamento meu coração acelerou como se eu, homem feito, fosse novamente um adolescente chamando uma garota para sair pela primeira vez. Bati na porta três vezes e Body, seu cachorro me reconheceu.

 - Entre! – você gritou da janela do terceiro andar e a chuva fria que ferrava minha pele ficou para trás.
 Lá dentro a atmosfera era outra, era quase outro mundo, se não fosse a janela que você esqueceu aberta.
- Ola meu amor... – Você me abraçou e me beijou, senti seu coração que também batia acelerado e ressoava com o meu.

 Quando você me soltou eu caminhei até a janela e estendi os braços a fim de fechá-la, mas antes não pude deixar de notar a bela lua cheia e os sete gatos que cantavam desafinados lá fora, eles cantavam para a lua seu coro de saudade, protegidos da chuva pela varanda e pela sua irracionalidade, a tristeza própria daqueles tempos de guerra não os afetava.

 Fechei enfim a janela, deixando os gatos, a lua e a velha Londres para trás. Seu mundo era bem melhor, ele continha aquele amor, carinho e afeto que só as mulheres sabem demonstrar e eles preenchiam mais seu ambiente que os moveis e a sujeira de uma péssima dona de casa.

- Venha deitar-se comigo, está frio John.
- Tenho planos para amanhã, vamos sair. Quer passar as férias inteiras aqui dentro? – A chuva tiritando na janela completa a música de fundo.
- Oh querido como eu queria, mas chove muito lá fora e quem trabalha com a voz como eu não pode se dar ao luxo de adoecer. – Ela aponta para fora e depois me olha faceira como só ela sabia.
- Minha avó me contava a lenda de um dia de sol no inverno. – Ela sorriu e me chamou novamente gesticulando com a mão.
- Lenda... – Ela refletiu um minuto. - Esqueça isto e venha para a cama, está frio.

 Dentro do seu mundo e envolvido pelo seu carinho eu esqueço todo o sofrimento do mundo lá fora.

 Passamos a noite acordados disputando com os gatos quem fazia mais barulho, a vizinha de baixo deve ter batido duas ou três vezes com o cabo da vassoura, mas nós não ligamos. Fui dormir apenas as cinco e meia da manhã.

 No dia seguinte a lenda se tornou realidade e fez realmente um dia de sol, você me sacudia as quatro da tarde querendo que eu levanta-se, e se não fosse pelo convidativo sol lá de fora eu ficaria deitado como um recém defunto, mas me rendi a sua vontade e saímos para passear.

 Convidei-te para ir ao cinema, mas você queria fazer atividades ao ar livre, eu também queria sentir o sol depois de tanto tempo nublado, namoramos a tarde inteira no banco do Hyde Park, vimos o sol se por no horizonte, você disse que me ama, se recostou em meu ombro e ficamos em silêncio...

 Depois de algum tempo, não sei ao certo quanto, tentei falar contigo e você não respondeu, deduzi que estivesse dormindo e fiquei mais um pouco junto de ti e esperei mais, novamente tentei falar contigo e pegando tua mão percebi que esta estava fria. Gritei, chamei ajuda, te carreguei no colo e te levei para o hospital mais próximo.

 Lá me disseram que você estava morta, duvidei, como? Ela estava bem até agora a pouco.
 - O que ouve? – Perguntei.
- Câncer Senhor. – Responderam-me.

 Voltei para teu apartamento sob uma chuva fina que me foi fiel e companheira, a poluição e o barulho dos carros em meu lado estavam longe, eu havia embarcado no trem das lembranças sem pagar a passagem e meu corpo deixado para trás caminhou sozinho pelas calçadas úmidas da velha Londres.

 Ao entrar sem baterem teu apartamento, deparo-me com um ambiente frio e úmido, todo o carinho, amor e afeto que antes haviam aqui se foram. Teriam eles ido embora contigo para aqueles momentos eternos de que tanto você falava? Enquanto eu me questionava, encontrei na gaveta do teu criado mudo uma carta e um exame.

 Pouco entendi do exame, por isto resolvi ler a carta, que dizia:
 Querido John, fiquei sabendo nesta quinta que tinha câncer já em avançado estado, o medico explicou que eu teria no máximo mais alguns dias de vida, se você encontrou está carta é porque já não estou viva, mas sempre estaremos juntos, naqueles poucos momentos eternos.
                                                                                                          Com amor
                                                                                                                      Sara

Quando terminei de ler a carta o vento frio soprou pela janela, arrepiando-me até a ponta do pé e as cortinas brancas dançaram em par, lá fora os gatos pretos cantavam para a lua o seu coro de saudade, então eu dobrei a carta, coloquei novamente no envelope e escrevi está nota em meu diário, está que será a ultima nota antes que eu vá cantar com os gatos pretos da sua varanda.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

A Pena do poeta


   
                              A pena do poeta.

   Cada poeta tem a capacidade de entender
   O sofrimento e a alegria que o outro sente.
   E por isto as sentimos ao viver e escrever
   Aquilo que não se diz expressamente.

   Mas o poeta também sofre e vive,
   Humano, ele também chora e clama.
   Mas se recupera e levanta do deslize
   De perder de vista quase tudo que ama.

   Escreve de madrugada as dores do dia-adia,
   Nem sempre são suas ou de uma visita.
   Pois muitas vezes o poeta nem o conhece
   Mas deixa um pouco de si e desaparece.

   O que é afinal a poesia para o poeta?
   É viver o sentimento nos versos
   Atravez de letras, papel e caneta
   E dividir com outros seu universo.

Autor: Henrique B. Lobato
Para: Felipe Valente
Em resposta a sua pergunta.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Flor do caos




Flor do caos 

O grande rio vermelho corre
Pelo incerto fio do destino.
Nossa pobre alma fria escorre
No mesmo erro, mesmo caminho.
 

Seguimos nesta falsa calma,
Essa falsa paz de alma.
Neste ponto a felicidade

Se rende a frágil mortalidade.
 

O que eu vi do outro lado
Não se conta nem se escreve.
Ele era o próprio silêncio.


O que eu vi disse: coitado
Deixa ir este que escreve.
Pois vi o próprio silêncio.


Autor: Henrique B. Lobato
Domini

terça-feira, 14 de agosto de 2012

NIBIRU


 

  Ninibu
 
   Você consegue ouvir o som
   Desta tempestade que vem?
   Vêem com para-raio na mão
   E todo mundo grita amem.

   É nuvem, chuva e céu trovão.
   É esperando que se tem...
   Se tempo bom é perfeição
   Então tão raro é também.

   Ouve a canção da criação!
   Esta que tanto lhe convem.
   Ouve este som divino e bom
   E leva embora para outrem.

   Houve uma pausa na canção!
   E o futuro... Este não vem!
   E assim já vêem destruição.
   E todo mundo grita amém.
 
  Autor: Henrique B. Lobato

terça-feira, 24 de julho de 2012

Caminho azul e preto


 

  Caminho azul e preto

    Não sei se ainda quero
     Isto que eu tanto prezo,
      Não sei se ainda espero,
         Ou se enfim me desespero.


    Eu segui caminho incerto
        Por teu falso amor sincero.
          E eu bem sei que foi um erro
          Lutar por tu'alma de enterro.


      Agora quero é me purificar,
     Do teu andar, do teu olhar,
       Do teu modo frio de sonhar.

    
   E eu bem sei que é salutar
   Te entregar para a terra...
      E correr pra dentro do mar.
    

    Autor: Henrique B. Lobato

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Luz d'outrora


 

   Luz d'outrora

   A luz daquele instante
   Em que o coração acelera.
   Não é a luz do diamante,
   E nem a fraca luz da vela.


   A luz que eu vi antes,
   Não é luz aqui da terra.
   Talvez fossem habitantes
   Que vem d'outra atmosfera.


   Essa luz é paz constante.
   É espirito que regenera
   O que fizemos muito antes
   De acendermos nobre vela.


   A grande luz exuberante
   Chega para quem a espera.
   E talvez por um estante
   Eu tenha feito parte dela.


  Autor: Henrique B. Lobato

Anjo da guarda


 
   Anjo da guarda

   Portador da piedade divina,
   Guarda este pecador em divida.
   E aos pobres perdidos alumia
   Para que se veja o valor da vida.


   portador da infinita luz sagrada,
   Guarda aquele que pela estrada
   Encontrei enquanto caminhava,
   Que seja breve a sua alvorada.


   Meu sabio amigo e companheiro,
   Se sobrar tempo em teu caminho
   Vela também por este peregrino,
 
   Alumia a escolha do destino,
   Deste que já não está sozinho,
   Após a chuva de cada partida.

 Autor: Henrique B. Lobato

domingo, 1 de julho de 2012

O Arauto


  
 
                                                                                 

   O Arauto

  Perdi o sono sonhando alto,
  Sem conseguir terminar o dia.
  Eu espero chegar o Arauto
  que anunciará minha nova vida.


  O Arauto espera o meu sinal,
  Mas nem mesmo sei qual seria.
  Talvez seja'lgo fundamental
  Para que eu siga esta trilha.


  Mais me entristece muito afinal
  Não conhecer isso que eu devia.
  Temo não ser o guerreiro mortal
  Que eu tanto sonhava que seria.


  O Arauto prepara o seu discurso
  Para aquele que tanto lhe aguarda.
  E conhecerdor do valoroso percurso
  Daqueles que entram na vanguarda.


  O dia as vezes chega radiante
  E raramente demora a se findar.
  O caminho chega ao caminhante
  Que bem sabe aonde quer chegar.


  Autor: Henrique B. Lobato

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Bem vida



 Bem vida 

 Bem vida a minha vinda.
 Com olhos novos em vós.
 E és para mim agora
 O que antes nunca seria.


 Agora me mostra teus filhos.
 Esses que já não te dão valor,
 São filhos orfaõs da vida.
 É vontade forçosa e destrutiva.


 Bem vida a minha vinda.
 Que talvez lá no horizonte
 Venha a se esvair, findar.


 E se assim for minha ida,
 Não chore, isso não é partida.
 É chegada divina em algum lugar.



 Autor: Henrique B. Lobato

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Pensamento relativo




Pensamento relativo

 Se transformação fosse divina,
 Você seria santa por um dia.
 Se transformação fosse pecado,
 Eu já seria camarada do diabo.

 Nós somos alguém novo a cada lua,
 Pois a mudança continua constante.
 Você era casada e agora é amante.
 Você era grafite e agora é diamante.

 Eu queria poder entender tua santidade,
 Entender teu jeito louco e sem juízo.
 Mas tentar tal coisa é perder a sanidade,
 é perder de vista o teu raro sorriso.

 Não sei se teu sorriso é verdadeiro.
 Não sei se vai durar mais algum tempo.
 As vezes eu me sinto um estrangeiro
 No teu mundo de odio e sofrimento.

 Eu queria te mostrar aquelas flores.
 Te mostrar meu jardim entre as pedras.
 Mas esperança te resgata algumas dores,
 E acabo vendo teu historico de quedas.

 Algum dia vou conseguir te mostrar
 As maravilhas do meu mundo particular.
 E espero assim te fazer ver novamente
 As coisas boas desse mundo tão doente.

 Autor: Henrique B. Lobato

quarta-feira, 13 de junho de 2012

A sede

As velas se apagam novamente, e é hora de acender, ascender e viajar novamente rumo ao desconhecido, desgarrado de coragem, e frustrado pelos covardes do meu tempo, disernimento, desentendimento e insatisfação provocados pela corrupção, perdão, persoação do tempo, que mesmo lento aos poucos destroi, e constroi um pouco de mim a cada dia, e quem queria aqueles sonhos de padaria já foi embora, chegou a hora de apagar, de repousar, de se enclinar e espriguiçar o corpo para acordar a mente e tatear como um incopetente cego e louco, que cedo sabe a sede que tem, que sabe a sede que tem, quem sabe a sede que tem? Quem sabe?

Henrique Lobato

Koete

 Cheguei em casa e já eram 10:05, não vai dar tempo, eu perdi, perdi o jogo novamente.
     Não estou com raiva deles, é verdade que em pensamento tentei me convencer de que estava, mas não estou. Estou decepcionado comigo mesmo, achei que estava agindo segundo os valores que me foram encinados, e realmente eu estava, mas não é o suficiênte, achei que também conseguiria burlar as regras, mas essa força que eu conheço como destino ou sorte me impede de fazer isso, vejo pessoas corrompidas, trapaceiras e menos capacitadas que eu seguindo em frente, e o fazem por serem mais espertas, por não pensar duas vezes antes de fazer algo que vai contra suas próprias condutas, se é que elas tem alguma, mas como disse antes - Eu não estou com raiva deles.- Eles estão agindo segundo sua natureza, se adaptarão ao mundo cotidiano corrupto e desvirtuado, onde se puxa tapetes, onde se amarra os cadaços do oponente antes da corrida, onde se cria pequenas confusões que crescem como avalanche e destroem vidas, e no final do dia qual sua culpa por isso? Nenhuma. Eu tentei lutar com as mesmas armas, mas isso não é para mim,como disse antes sempre há algo que me impede. E aqui estou eu... No fundo do poço novamente, sem ter onde me agarrar ou onde pisar para subir, e aqui não há consolo que seja o suficiênte e nem estou procurando tal coisa, mas se há uma gota de esperança em minha mente é saber que eu já estive aqui antes, eu já conheço este lugar morbido, já senti essa mesma terra fria e escura daqui de baixo, eu já cai e conheço essa dor, conheço também a falsidade dos que me dão o famoso tapinha nas costas e dizem "que pena, não foi dessa vez." Mas eu vou me erguer novamente, vou transformar de novo esse odio em força e essa tristeza em inspiração, e assim aos poucos as pedras que apararam minha queda se tornaram minha base para sair desse inferno pessoal.

 Henrique domini

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Conversa com o mensageiro



    Conversa com meu mensageiro  
   

    Enquanto andava distraido
    Ouvi sussuros nos ouvidos.
    Quem é ele? Quem é?
    Onde está? E a que veio?


    Segui seus passos em pensamentos.
    Descalso eu dormia ao relento.
    Mas uma oferta foi oferecida.
    E todo o sofrimento ela evitaria.


    Eu posso te mostrar um curto atalho,
    E eu bem sei que estavas cansado.
    E para que tudo isso, se nada é para ti?
    O que ele fez para merecer tua lealdade?


    Por um minuto me calei diante a duvida.
    E minha fé naquele momento se tornou nula.
    Minha espada se tornou lamina escura e cega,
    E minha armadura a sombra do que antes era.


    As perguntas do mensageiro ecoaram ao vento.
    E meu caminho seria tirado naquele momento.
    Mas meu coração de louca ou virtuosa coragem,
    Não padeceu ante tão preciosa miragem.


    Olhei no fundo dos olhos do mensageiro
    E regeitei a oferta tão tentadora.
    mandei embora o voraz cão traiçoeiro.
    Com afirmação por demais avassaladora:    


    Meus pés de cavaleiro não caminham por atalho,
    Pois muito pouco se aprende em tal caminho.
    Só se pode evoluir com duro trabalho,
    E é isso que é ser um peregrino.


    O que fazemos dedicamos ao pai amado.
    E fazemos isso por um único motivo:
    Tudo que temos por ele nos foi dado.
    E apenas plantamos boa ação pelo caminho.


    E a ultima pergunta respondi com mais bravura:
    Nossa lealdade é fruto de tão boa companhia.
    Pois mesmo quando estamos em noite escura
    Ele vela e fica conosco noite e dia.

   

    Autor: Henrique B. Lobato

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Alma Penada


   

     Alma penada

     O fim chegará para sua excentricidade.
     A dor macabra que assombra suas vontades,
     Nos seus passeios nebulosos pela cidade,
     Andando, pensa no que realmente é verdade.

     Assombra dia e noite seu próprio templo.
     Desmaia em álcool e destroi seu altar.
     E pausa para ferir-se por algum tempo,
     Sem discernimento, só o instinto de matar.

     Sem forças para lutar ou mudar de canal.
     Tornando-se mais uma suicida em potencial.
     Sem coragem de se habituar, fica estupida!
     E isso que hábita dentro dela não escuta.
       
     E todos correm quando a veem passar.
     Talvez por medo de querer também matar.
     Espirito assassino que vira, vaga, vazio.
     Espirito suicida que sofre e queima no frio.

     A dor é tamanha que ela, louca, puxa a faca
     para furar seu coração que a muito jorra.
     E a fera, louca, bruxa, naquela exata hora,
     Lembra que já morreu a muito tempo e chora.



    Autor: Henrique B. Lobato

terça-feira, 29 de maio de 2012

Comatose coletiva


                                                               

                                                     Comatose coletiva

  Os garotos que caminharam no verão.
  A muito já não estão mais entre nós.
  O castelo, o gigante e o furação,
  Foram vencidos quando ficamos sós.

  Quando vimos pela primeira vez a vida:
  - Nossa! Como é grande e complicada.
  Mas o novo tem gosto de partida,
  E a vida não pode ser postergada.

  Já nem a vejo... Já nem me lembro.
  Que forma mesmo tinha aquela nuvem?
  O que eles dizem, eu não entendo,
  O sorrizo alheio com cor de ferrugem.

  O que se manifesta é o ar frio...
  Em uma quente tarde na estação.
  Ambiente cheio, recipiente vazio.
  Para onde foi aquele doce verão?

  Como um susto, subitamente lembrei.
  'O castelo, o gigante e o furação...'
  E me veio um insight que interpretei:
  sou eu a criança perdida na estação!
 



 Autor: Henrique B. Lobato

domingo, 27 de maio de 2012

Dia de criança.

 É incrível como funciona certos pensamentos infantis, a criança passa o dia todo brincando e se divertindo, tudo é maravilhoso ate que ela cai e rala o joelho. Então ela entra em casa e chora, chora, tudo que ela se lembra é do joelho ralado, agora toda a diversão já não importa mais, ela nem mesmo lembra o quanto estava feliz, só lembra da dor do joelho ralado, mas o dia acaba, ela dorme, e no dia seguinte, veja só! Ela está correndo e brincando novamente e o joelho ralado parece nem doer mais, até que ela cai e rala o cotovelo, assim o ciclo continua.


 Autor: Henrique B. Lobato

Liberdade Relativa


                                         

      Liberdade relativa    

    Querem organizar os pastos e expandir a prisão.
    E tudo isso seria para a segurança da população:
    chipar nossos sapatos e prender-nos a ilusão.
    Talvez sejamos cortados do direito da evolução.    

    Como pode a águia querer tudo controlar?
    Ela quer monopolizar o mundo multipolar
    E para quem afinal tudo isso interessa?
    Se para a morte humana há tempo e presa.

    Com tantas culpas, ela ficou querendo mais.
    As desculpas serão o teatro de algum tempo atrás.
    E normalmente apenas isso não seria o suficiente.
    Mas a inumeras gerações, brincam com nossa mente.

    E nesse jogo de verdade ou mentira da cidade.
    Nós destruimos a essencia do qual faziamos parte.
    A chuva a muito derrete nossa pele e nossa arte,  
    E já respiramos os gorfos da própria sociedade.

    Eu vou voltar socado em lada para a minha doce casa,
    Onde ainda há relativa paz com a televisão desligada.
    Fiz o que pude hoje com minha cota de energia diária.
    E agora vou morrer e descansar, sair da asa da águia.
   
    Fazer transparecer...
    ficar sozinho em casa.
    Para nascer e transcender
    As tão esperadas asas.

    Autor: Henrique B. Lobato

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Correntes D´Água e Sal





  Correntes D´Água e Sal

  Estou preso nessa grade de ilusão.
  Girando e tonto no olho do furação.
  Disolvendo-me em tormentosa amargura.
  Faz parte de mim essa terrivel desventura.

  Estou preso a correntes d´água e sal.
  Louco, fera, descontrolado lado mal.
  É corrente que escore dos meus olhos.
  É estaca firmadora aterrada ao meu coração.

  Oh passaro cinza, faz chover e lava agora.
  Faz chorar e leva embora para sempre.
  Faz o céu gritar e o sol secar...
  Todo esse mar de sofrimento.

  O meu grito ecoou por algum tempo...
  Então raios cairam do firmamento.
  O mar se converteu em céu cinzento.
  E eu ainda preso a um futuro incerto.

  Eu vou lutar e quebrar essas correntes!
  Correntes d´água e sal em peito ardente.
  A oração em coro dos meus maldizeres,
  Quebrou a lasca do meu peito tristimente.

  As correntes trincam, gritam pendantes.
  Já sou mais firme, mais forte que antes.
  Eu vou quebrar, me libertar... Enfim bonansa.
  É preciso bem mais para tirar minha esperança.

  Autor: Henrique B.Lobato

terça-feira, 15 de maio de 2012

Olhe para os dois lados

 Eu não posso viver ou crer apenas na realidade e no concreto, pois a realidade que conheço é a realidade que me foi apresentada, e esta por si só é efêmera e limitada, isso porque ela é formada pela mente lógica das pessoas, e a mente lógica das pessoas é efêmera e limitada.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Medita ação


                                                         É sublime demais essa paz
                                                       Que equilibra e não se desfaz.
                                                    Ar de reflexão que paira pela sala.
                                              Misterioso ar que faz pensar e a tudo cala.



 Autor: Henrique B. Lobato

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Adeus




                                                                             Adeus        

                                                             Apenas por hoje já basta!
                                                             Acho que chega de pensar.
                                                             Se eu não sou de sua casta,
                                                             Não me rebaixo pra tentar.

                                                             Tentar subir no seu lugar.
                                                             Eu já cansei de discutir.
                                                             Tentar subir pra te tocar,
                                                             Não vou tentar, nem conseguir.

                                                             Se de mim em ti só isso resta,
                                                             Não vale a pena me arriscar,
                                                             Enfrentar vales e florestas
                                                             Só pra conseguir te encontrar.

                                                             Se já não anseia estar comigo,
                                                             Por que por ti eu correria?
                                                             Se não me tens nem como amigo,
                                                             Já não te quero em minha vida.

            Autor: Henrique B. Lobato      

Brado de chegada



      Brado de chegada

      Grande salve meu amigo, seja bem vindo.
      Entre sem pedir licença, sem cerimonia.
      A tempos não te vejo, converse comigo.
      Você se lembra daquela linda sem vergonha?

      Tu ainda segue solitario teu destino?
      Ou uma bela dama já te faz boa companhia?
      Ainda me lembro quando eras jovem peregrino,
      E namorava mais de uma garota em cada vila.

      E des da tua partida muita coisa aconteceu.
      Anotei cada fato e mudança que se procedeu.
      Cuidei de tudo que deixou, em tua ausência.
      Te contarei cada detalhe com muita paciência.

      Em que estrada dessa vida tem andado?
      Ficamos muito felizes que tenha retornado.
      Aposto que tem historias para contar.
      O seu retorno nos vamos muito festejar.

      Que grandes honras conseguiu em sua jornada?
      Todos nós estamos muito felizes com tua chegada.
      Realizou aquele sonho antigo, tão idealizado?
      Faremos a festa amanhã, se tu estiver cansado.

      Teremos muito tempo para por tudo em ordem.
      Vamos começar a festa para que todos acordem.
      Nosso irmão cavaleiro voltou de sua empreitada.
      Vamos todos cantar para ele o brado de chegada.


      Autor: Henrique B. Lobato
      Para o grande amigo que voltou

Brado de Partida



              Brado da partida.

       
        Pode ir embora sem se despedir.
        Afinal você já se foi a muito tempo.
        Pode ir, se esse caminho pretende seguir.
        Só não esqueça de levar todo seu sofrimento.

        Esse grande amor que talvez nunca acabaria
        Por muitas primaveras foi nossa alegria,
        foi a salvação para o mundo, para a vida.
        Foi cura para a alma mil vezes partida.
       
        Eramos dualidade una em perfeita simetria.
        E agora somos dois incompletos quebrados.
        Eramos fogo sagrado que queimava noite e dia.
        E agora somos simples caminhantes solitarios.        

        Te acompanhar até a saída já não preciso,
        Sua consciência será sua tortuosa companhia.
        E se algum dia você recuperar o juízo,
        Não volte! Fique sozinha com sua agonia.

        Esse vento que corre por dentro do quarto,
        Não me deixará esquecer o que fomos um dia.
        E nem mesmo precisa fechar a porta ao sair.
        Meu grito fechará ela para sempre por mim.    
       
        Lembre-se sempre do que agora eu digo:
        A vida é curta demais para arrependimento,
        E se algum dia você quizer voltar comigo,
        Procure-me... apenas apos eu ter morrido!


       Autor: Henrique B. Lobato
       Para aquela que parte.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Rotina perigosa


        Rotina perigosa

       
        Essa grade sufocante que me certa      
        Só me leva a cada dia para a morte.
        É ela que ao sol meu peito enterra.
        Me deixando sozinho a própria sorte.

        É como estar perdido em um labirinto,
        Percoro todos os dias o mesmo caminho.
        E no espelho dia e noite o mesmo olhar,
        Olhar caído de quem luta para chegar.

       
        Essa infeliz comatose da nossa rotina
        Faz com que a já claudicante beleza,
        perca-se perante o viruz que contamina.
               

        Contaminados de informação para processar,
        Esquecemos de ir, de fazer, de analisar.
        Esquecemos de rir, de viver, de pensar.

       Autor: Henrique B. Lobato
       

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Xadrez Incolor






                                                                    Xadrez Incolor

       Teu preconceito futil é até aceitado,
       Pois muitos de nós o temos adotado.
       Mas discriminação já é um defeito!
       Já que esbarra em fundamental direito.

       Todos nós temos o direito de viver!
       Seja qual for a nossa realidade.
       Mas se com isso não consegues conviver
       Es tu o deficiênte na verdade.      
   
       Mas se tens preconceito e se conforma,
       Ou se es tu intolerante a outra cultura.
       Procure mudar de alguma forma.
       Ou viva morto sua triste desventura.
     
       Ter preconceito é da nossa natureza,
       Mas mante-lo na mente é ignorância.
       Podemos perde-lo com toda certeza.
       E nisso eu ainda tenho esperança.


      Autor: Henrique B. Lobato

terça-feira, 1 de maio de 2012

Pintura Imaginaria





                 Pintura Imaginária
     
       Vivem me perguntando pra onde vou
       Quando fecho os olhos e durmo.
       Mas quando digo quem fui e sou
       Riem achando tudo um absurdo.
 
       Esse grande cenário por mim criado
       Que já não passa de uma pintura.
       É fuga do medo e da maldade.
       É direito dado a toda criatura.

       Mas por vezes me pergunto:
       Quem é prisioneiro na verdade?
       Eu quando me entrego aos sonhos
       Ou você que se prende a realidade?  

       Não sei se há de concordar comigo
       Que esses sonhos onde tanto vivo,
       São mais interesantes e divertidos
       Que sua fragil realidade de vidro.

      Autor: Henrique B. Lobato

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Dia do trabalhador



     Dia do trabalhador
   
     Dia do trabalhador, do explorado,
     Que vende seu tempo e criatividade.
     Escravo de um sistema condenado,
     Que fecha os olhos pra verdade.
 
     Trabalha por kilo, por comida.
     E esquece o sentido da vida,
     De viver. Esquece quem é.
     Esquece o que queria ser.
     
     Produz por safra, por cotação.
     Esquece de usar a imaginação.
     Trabalha e ganha muito, para sua sorte.
     Mas nada dele resta, logo apos sua morte.
   
     Caminha rápido para não chegar atrasado
     Caminha para lugar nenhum, coitado.
     O dia já se foi, a noite cai!
     E para ele a corrida vida se desfaz.


     Autor: Henrique B. Lobato

Ruas Mortas



      Ruas Mortas      


      Hoje fez um dia vazio, um dia morto.
      Fiquei postergando meus sonhos e versos.
      E só mesmo na poesia encontro conforto.
      Mesmo de coração morto e peito aberto.

      Hoje tudo estava frio e nublado.
      Sem sol ou chuva, sem armonia.
      E os pesadelos que deixei de lado
      Hoje pintaram de cinza meu dia.
   
      As ruas eram cemiterios mortos.
      Eram longos caminhos solitarios.
      Apenas alguns deitados como corpos.
      E outros caminhando sem entinerário.
     
      Sai descalço, recolhendo espinhos
      E farejando sangue nas rodovias.
      Sem escolher caminho, sozinho...
      Pra onde será que foi minha vida?

      Autor: Henrique B. Lobato

Paisagem

  Eu não vejo a mim mesmo hoje. Não vejo a ti e nem ninguem, só o horizonte e meus sonhos escondidos além das nuvens.
 Somos esses com saudade do que ainda não vivemos, com vontade de fazer algo que não sabemos o que é, com sonhos que não foram criados em vidro, como os das pessoas do sistema. E ainda que cheguemos a conseguir o que tanto almejamos, nossa evolução pessoal, nossa virtude plena e sem aplausos se esconde bem dentro de nosso eu interior, que tão gentilmente dedicamos a nosso pai e criador... A nossa essência.

Disfarce

Perco-me em desgosto quando vejo orgulho se disfarçar de teimosia, quando vejo falsidade disfarçada de amizade, ou vaidade disfarçada de caridade. Mas me perco em desgosto mais ainda quando no final do dia me olho no espelho e vejo que não notei esses disfarçes, no bom dia, no abraço, e no beijo da almas ligadas a minha.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

O reino de Dateronte (Soneto)




 O reino de dateronte

  Eu quero dormir essa noite.
  Dessa luz eu já estou farto.
  Pois ela limita meu corpo e alma
  As fronteiras da parede do quarto.

  Eu quero sonhar essa noite.
  E velejar com pensamento ao vento,
  Onde não há sentido ou tempo,
  Onde não há dor ou sofrimento.

  Na infinidade da mente
  Há esse lugar não aderente
  A qualquer desventura.

  Na infinidade da mente
  Há esse lugar felizmente
  Onde a alma ainda é pura.


  Autor: Henrique B. Lobato

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Noite no olhar





  Noite no olhar

  Eu vejo nos teu olhos
  A primeira hora da noite.
  E vejo tua intenção
  De perder-te comigo.

  Como na tua iris escura
  Eu posso admirar a lua?
  É um misteiro a beleza
  Da luz dos olhos teus.
 
  São tão simples e belos
  Que neles eu fico vidrado,
  O magnetismo dos teus olhos
  Me deixa hipnotizado.

  Não quero nunca minha amada
  Nos teus olhos fazer chover.
  Apenas uma lagrima tua
  Poderia fazer-me morrer.

 Autor: Henrique B. Lobato

sábado, 21 de abril de 2012

O sonho de uma folha


 Sonho de uma folha
 A historia de uma folha é dançar, viajar no vento ate cair ao relento.
 A canção de uma folha é o assobio, ela gosta de frio, de velejar no rio.
 A sina de uma folha é o vão, encontrar a mão, adubar o chão.
 O caminho de uma folha é triste, quase não existe por entre grandes ela é pequena
 A utilidade de uma folha é tantas, algumas santas que com ela curam
 O pesadelo da folha é o quente, seca subitamente e quebra rapidamente
 O oficio da folha é ser pulmão, respiração, absorção de gás
 A boemia da folha é o cais, virar reais, ou o caldo verde.
 O sonho de uma folha não é estridente, 
 É simplesmente no outono cair, 
 Para dormir e nutrir a terra, 
 Depois se enterra e tudo recomeça.

  Nós somos como folhas. Fazemos parte de algo maior do que nós mesmos, somos o singular do plural que é a arvore. Todos nós sabemos que o outono vai chegar e com o outono secamos, apodrecemos e morremos, nos desprendemos então do sistema perfeito ao qual fazíamos parte, um sistema sólido e seguro.
 Caímos e agora estamos nas mãos do vento e esse nos leva até o chão. lá nos desfazemos e deixamos de existir. E por mais que tudo isso pareça trágico... Nós caímos por um motivo, adubamos o chão e novos sistemas nascem, assim nós que somos simples folhas evoluímos e conseguimos passar por muitos outonos... Morrendo e voltando a cada primavera. 

Autor: Henrique B. Lobato


quinta-feira, 19 de abril de 2012

Mascaras




Mascaras

 O vento sopra e leva algumas palavras.
 As letras caem das bocas em cascatas,
 Caem gastas pelos canteiros da esquina.
 Caem cascas dessas pessoas vizinhas.

 O vento sopra cochichos nos ouvidos.
 Veneno na boca, Olhares escondidos,
 Roupas na ética e na conduta humana.
 A consciência pesada, sem sono na cama.

 O vento leva mensagens secretas.
 Chamadas discretas no celular.
 Ideias concretas para prejudicar
 Pessoas sem mente de todo lugar.

 O vento leva mentiras pra passear.
 Leva malicia e veneno pra destilar.
 Constroi campos de almas condenadas,
 Destruindo corpos com mentes escravas.

 O vento sopra e leva algumas palavras
 O vento sopra cochichos nos ouvido.
 O vento leva mensagens secretas.
 O vento leva mentiras pra passear.

 Autor: Henrique B. Lobato

domingo, 15 de abril de 2012

Carta ao metre




Carta ao mestre.

 Obrigado por lembrar de mim,
 Por ver em mim seu projeto para o mundo.
 Obrigado por apostar em mim,
 Por fazer de mim o seu amigo e aluno.
 Obrigado por me mostrar o caminho
 Nos momentos em que eu fico cego e surto.
 Obrigado por iluminar a minha mente.
 Em uma epoca em que o mundo
 Simplesmente não se importa.
 Obrigado por criar uma janela e uma porta.
 Quando o que eu via pela frente era só paredão.
 Obrigado por colocar meus pés no chão.
 Quando eu me perco na fantasia.
 Obrigado por ter paciência.
 Sempre que eu tentava e não conseguia.
 Obrigado por me mostrar oculta ciência.
 E dela me fazer ciêntista.

 Es tu!
                                                                                                   
 Razão da luz.                                                               
 Alquimia dos sábios.
 Força dos bravos.
 Aparência dos magos.
 Esperança dos justos.
 Lealdade dos honrados.

 Sapiência dos genios.
 Amor dos homens.
 Liberdade da mente.
 Elegância do espirito.
 Sabedoria dos nobres.

 Autor: Henrique B. Lobato
Para: Meu mentor e amigo.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Escrava de si mesma




Escrava de si mesma

 Entrega-te sem lutar todos os dias
 E vive profanando a própria mente.
 Enfeita-te com frageis alegorias
 Que quedram com a chuva como sempre.

 Es tu dona da tua própria vida!
 Não vê que já não vive a muito tempo?
 Não se entregue a quem abrindo-te feridas
 Se completa junto ao teu sofrimento.

 Conhese-te com luta todos os dias
 E assim conquista a própria mente.
 Pois ainda vive em calmarias.
 E ante a morte sorri alegremente.

 Querida ainda há de vir a noite escura
 E o destino não será benevolente.
 Então vê, sente, cheira,diga e escuta
 mais do que está a tua frente.

 Autor: Henrique B. Lobato

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Cartas rasgadas




 Cartas de papel

 Faz tanto tempo que não cantamos
 Pelas sombras da estação.
 Escondidos do mundo planejamos
 Antes de terminar a canção.

 Sempre dura pra sempre.
 Pois quem é o tempo pra se opor?
 Se na infinidade da mente
 O tempo fica ao nosso dispor.

 E assim o amor continua vivo.
 Nos corações jovens apaixonados.
 E depois do fim de todo ciclo
 Voltamos a ser recem casados.

 Porem mesmo os mais belos sonhos
 Passam pelas ruas do pesadelo.
 E voltamos a ser meros mortais
 Que também se arrependem por tê-lo.

 Pois como é doce e bondosa
 A historia gentil e amorosa.
 Mas também febril e cruel.
 No fim são rasgadas cartas de papel.

 Autor: Henrique B. Lobato

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Dies Domini





 Dies Domini

 Ator doutrinado a encenar o que aprendeu
 De preto e com mascara de tragedia.
 Mas o dia está acabando e nada mudou,
 apenas se transformou em comedia.


 Não tenho entendimento dessa tradição.
 Passar o ano todo não ligando,
 Mas escolher um dia para sepultação.
 E alguns mesmo viajando, aproveitão de ante-mão.


 A reflexão fica por nossa parte,
 É o que vale verdadeiramente a pena.
 Porque não cabe mais a nós essa arte
 De fingir tristeza a quem condena.

 Não precisamos mais ir a praça, a contagem,
 Pra ver quem por medo ainda segue a cruz.
 Agora podemos ver quem tem coragem
 De seguir o caminho em que Deus o conduz.

Se somos todos iguais perante a lei,
Não aceito tão duvidoso tradutor!
Não sigo humildade que se veste de rei.
Eu falo por mim com o criador.

 Autor: Henrique B. Lobato
 Domini