segunda-feira, 30 de abril de 2012

Dia do trabalhador



     Dia do trabalhador
   
     Dia do trabalhador, do explorado,
     Que vende seu tempo e criatividade.
     Escravo de um sistema condenado,
     Que fecha os olhos pra verdade.
 
     Trabalha por kilo, por comida.
     E esquece o sentido da vida,
     De viver. Esquece quem é.
     Esquece o que queria ser.
     
     Produz por safra, por cotação.
     Esquece de usar a imaginação.
     Trabalha e ganha muito, para sua sorte.
     Mas nada dele resta, logo apos sua morte.
   
     Caminha rápido para não chegar atrasado
     Caminha para lugar nenhum, coitado.
     O dia já se foi, a noite cai!
     E para ele a corrida vida se desfaz.


     Autor: Henrique B. Lobato

Ruas Mortas



      Ruas Mortas      


      Hoje fez um dia vazio, um dia morto.
      Fiquei postergando meus sonhos e versos.
      E só mesmo na poesia encontro conforto.
      Mesmo de coração morto e peito aberto.

      Hoje tudo estava frio e nublado.
      Sem sol ou chuva, sem armonia.
      E os pesadelos que deixei de lado
      Hoje pintaram de cinza meu dia.
   
      As ruas eram cemiterios mortos.
      Eram longos caminhos solitarios.
      Apenas alguns deitados como corpos.
      E outros caminhando sem entinerário.
     
      Sai descalço, recolhendo espinhos
      E farejando sangue nas rodovias.
      Sem escolher caminho, sozinho...
      Pra onde será que foi minha vida?

      Autor: Henrique B. Lobato

Paisagem

  Eu não vejo a mim mesmo hoje. Não vejo a ti e nem ninguem, só o horizonte e meus sonhos escondidos além das nuvens.
 Somos esses com saudade do que ainda não vivemos, com vontade de fazer algo que não sabemos o que é, com sonhos que não foram criados em vidro, como os das pessoas do sistema. E ainda que cheguemos a conseguir o que tanto almejamos, nossa evolução pessoal, nossa virtude plena e sem aplausos se esconde bem dentro de nosso eu interior, que tão gentilmente dedicamos a nosso pai e criador... A nossa essência.

Disfarce

Perco-me em desgosto quando vejo orgulho se disfarçar de teimosia, quando vejo falsidade disfarçada de amizade, ou vaidade disfarçada de caridade. Mas me perco em desgosto mais ainda quando no final do dia me olho no espelho e vejo que não notei esses disfarçes, no bom dia, no abraço, e no beijo da almas ligadas a minha.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

O reino de Dateronte (Soneto)




 O reino de dateronte

  Eu quero dormir essa noite.
  Dessa luz eu já estou farto.
  Pois ela limita meu corpo e alma
  As fronteiras da parede do quarto.

  Eu quero sonhar essa noite.
  E velejar com pensamento ao vento,
  Onde não há sentido ou tempo,
  Onde não há dor ou sofrimento.

  Na infinidade da mente
  Há esse lugar não aderente
  A qualquer desventura.

  Na infinidade da mente
  Há esse lugar felizmente
  Onde a alma ainda é pura.


  Autor: Henrique B. Lobato

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Noite no olhar





  Noite no olhar

  Eu vejo nos teu olhos
  A primeira hora da noite.
  E vejo tua intenção
  De perder-te comigo.

  Como na tua iris escura
  Eu posso admirar a lua?
  É um misteiro a beleza
  Da luz dos olhos teus.
 
  São tão simples e belos
  Que neles eu fico vidrado,
  O magnetismo dos teus olhos
  Me deixa hipnotizado.

  Não quero nunca minha amada
  Nos teus olhos fazer chover.
  Apenas uma lagrima tua
  Poderia fazer-me morrer.

 Autor: Henrique B. Lobato

sábado, 21 de abril de 2012

O sonho de uma folha


 Sonho de uma folha
 A historia de uma folha é dançar, viajar no vento ate cair ao relento.
 A canção de uma folha é o assobio, ela gosta de frio, de velejar no rio.
 A sina de uma folha é o vão, encontrar a mão, adubar o chão.
 O caminho de uma folha é triste, quase não existe por entre grandes ela é pequena
 A utilidade de uma folha é tantas, algumas santas que com ela curam
 O pesadelo da folha é o quente, seca subitamente e quebra rapidamente
 O oficio da folha é ser pulmão, respiração, absorção de gás
 A boemia da folha é o cais, virar reais, ou o caldo verde.
 O sonho de uma folha não é estridente, 
 É simplesmente no outono cair, 
 Para dormir e nutrir a terra, 
 Depois se enterra e tudo recomeça.

  Nós somos como folhas. Fazemos parte de algo maior do que nós mesmos, somos o singular do plural que é a arvore. Todos nós sabemos que o outono vai chegar e com o outono secamos, apodrecemos e morremos, nos desprendemos então do sistema perfeito ao qual fazíamos parte, um sistema sólido e seguro.
 Caímos e agora estamos nas mãos do vento e esse nos leva até o chão. lá nos desfazemos e deixamos de existir. E por mais que tudo isso pareça trágico... Nós caímos por um motivo, adubamos o chão e novos sistemas nascem, assim nós que somos simples folhas evoluímos e conseguimos passar por muitos outonos... Morrendo e voltando a cada primavera. 

Autor: Henrique B. Lobato


quinta-feira, 19 de abril de 2012

Mascaras




Mascaras

 O vento sopra e leva algumas palavras.
 As letras caem das bocas em cascatas,
 Caem gastas pelos canteiros da esquina.
 Caem cascas dessas pessoas vizinhas.

 O vento sopra cochichos nos ouvidos.
 Veneno na boca, Olhares escondidos,
 Roupas na ética e na conduta humana.
 A consciência pesada, sem sono na cama.

 O vento leva mensagens secretas.
 Chamadas discretas no celular.
 Ideias concretas para prejudicar
 Pessoas sem mente de todo lugar.

 O vento leva mentiras pra passear.
 Leva malicia e veneno pra destilar.
 Constroi campos de almas condenadas,
 Destruindo corpos com mentes escravas.

 O vento sopra e leva algumas palavras
 O vento sopra cochichos nos ouvido.
 O vento leva mensagens secretas.
 O vento leva mentiras pra passear.

 Autor: Henrique B. Lobato

domingo, 15 de abril de 2012

Carta ao metre




Carta ao mestre.

 Obrigado por lembrar de mim,
 Por ver em mim seu projeto para o mundo.
 Obrigado por apostar em mim,
 Por fazer de mim o seu amigo e aluno.
 Obrigado por me mostrar o caminho
 Nos momentos em que eu fico cego e surto.
 Obrigado por iluminar a minha mente.
 Em uma epoca em que o mundo
 Simplesmente não se importa.
 Obrigado por criar uma janela e uma porta.
 Quando o que eu via pela frente era só paredão.
 Obrigado por colocar meus pés no chão.
 Quando eu me perco na fantasia.
 Obrigado por ter paciência.
 Sempre que eu tentava e não conseguia.
 Obrigado por me mostrar oculta ciência.
 E dela me fazer ciêntista.

 Es tu!
                                                                                                   
 Razão da luz.                                                               
 Alquimia dos sábios.
 Força dos bravos.
 Aparência dos magos.
 Esperança dos justos.
 Lealdade dos honrados.

 Sapiência dos genios.
 Amor dos homens.
 Liberdade da mente.
 Elegância do espirito.
 Sabedoria dos nobres.

 Autor: Henrique B. Lobato
Para: Meu mentor e amigo.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Escrava de si mesma




Escrava de si mesma

 Entrega-te sem lutar todos os dias
 E vive profanando a própria mente.
 Enfeita-te com frageis alegorias
 Que quedram com a chuva como sempre.

 Es tu dona da tua própria vida!
 Não vê que já não vive a muito tempo?
 Não se entregue a quem abrindo-te feridas
 Se completa junto ao teu sofrimento.

 Conhese-te com luta todos os dias
 E assim conquista a própria mente.
 Pois ainda vive em calmarias.
 E ante a morte sorri alegremente.

 Querida ainda há de vir a noite escura
 E o destino não será benevolente.
 Então vê, sente, cheira,diga e escuta
 mais do que está a tua frente.

 Autor: Henrique B. Lobato

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Cartas rasgadas




 Cartas de papel

 Faz tanto tempo que não cantamos
 Pelas sombras da estação.
 Escondidos do mundo planejamos
 Antes de terminar a canção.

 Sempre dura pra sempre.
 Pois quem é o tempo pra se opor?
 Se na infinidade da mente
 O tempo fica ao nosso dispor.

 E assim o amor continua vivo.
 Nos corações jovens apaixonados.
 E depois do fim de todo ciclo
 Voltamos a ser recem casados.

 Porem mesmo os mais belos sonhos
 Passam pelas ruas do pesadelo.
 E voltamos a ser meros mortais
 Que também se arrependem por tê-lo.

 Pois como é doce e bondosa
 A historia gentil e amorosa.
 Mas também febril e cruel.
 No fim são rasgadas cartas de papel.

 Autor: Henrique B. Lobato

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Dies Domini





 Dies Domini

 Ator doutrinado a encenar o que aprendeu
 De preto e com mascara de tragedia.
 Mas o dia está acabando e nada mudou,
 apenas se transformou em comedia.


 Não tenho entendimento dessa tradição.
 Passar o ano todo não ligando,
 Mas escolher um dia para sepultação.
 E alguns mesmo viajando, aproveitão de ante-mão.


 A reflexão fica por nossa parte,
 É o que vale verdadeiramente a pena.
 Porque não cabe mais a nós essa arte
 De fingir tristeza a quem condena.

 Não precisamos mais ir a praça, a contagem,
 Pra ver quem por medo ainda segue a cruz.
 Agora podemos ver quem tem coragem
 De seguir o caminho em que Deus o conduz.

Se somos todos iguais perante a lei,
Não aceito tão duvidoso tradutor!
Não sigo humildade que se veste de rei.
Eu falo por mim com o criador.

 Autor: Henrique B. Lobato
 Domini