quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Pasárgada perdida



 Disse o velho no fundo do armário, que todos os poetas vieram de Pasárgada. Se o velho estiver certo então podemos imaginar que pedaços de céu passeiam pela sala onde aqui fica a televisão, que redes balançam pelos corredores para embalar o vento das palavras. E com saudade de casa o grupo “os guardadores da palavra poética” resolveu decorar o velho armário do velho com poemas, para que todos os que ouvirem sua história sintam um pouquinho do gosto de Pasárgada e queiram se perder por estas bandas.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

A página esquecida



A página esquecida

A última carta de amor sincero.
Foi escrita com curva nas letras
A tinta parecia ser um raro pedido
Por mãos distintas e meigas tecído.

O papel respirava antiga lembrança
De uma história tatuada no coração.
Os dedos ritmavam sua bela dança
Compartilhavam a mesma canção.

Passo, passo, passo e serenidade
Sem compromisso de ter resposta.
É amor entregue com a caridade
De não esperar o carteiro na porta.

Envelopes selados com saudade
E enviados com um ermo destino
De nunca sair daquela fria tarde,
De ser deixada fora do caminho.

Nem mesmo assinatura continha
Na tormentória carta terminada
Sem endereço para ser entregue,
Ficou perdida no banco da praça.


Autor: Henrique B. Lobato
Em honra ao meu amigo poeta do tormentório.