quarta-feira, 28 de maio de 2014

Abaixo do tempo



Abaixo do tempo

Enquanto estiver dentro do vidro
Da ampulheta de grãos do tempo,
Haverá um momento aqui dentro
De olhar para um lugar distante.

Chegará dias que não fluirá
Qualquer informação por aqui.
Quando este fidalgo chegar,
O fim de algo será o porvir.

Fecharemos as portas agora,
Mas só por um breve instante.
Pois agora chegará a reforma
Do novo ser que não era antes.

E quem quiser ver permaneça
Enquanto fiam as linhas da norna,
Esta que controla a presença
Que temos na ampulheta de terra.

Autor: Henrique B. Lobato

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Wind ows



Wind ows

O vento pede uma pausa lenta,
Talvez não seja possível dejàvu
Tentar sair deste orbe violeta
Como meu olho roxo de novo.
Não que eu tenha brigado...
Tentei apenas fazer uma janela
Ou escapar desta canção violenta.
Meu coração tem um silêncio
Habitando com aluguel caro
E condições em papel e caneta.

E lá fora um distúrbio sonoro
Me mantém preso no soro.
Estou entre o silêncio e o barulho,
Não é meio termo nem nada,
É porque não tenho casa...
É porque sábado cansei
E tentei abrir uma janela
Quando o vento pediu

Uma pausa.

Autor: Henrique B. Lobato
Do livro: Amor embalado na rede

Canção do sertão




Canção do Sertão

Preciso decidir onde cair.
Entendo um novo amanhã.
Por que tenho que ser assim?
Sem derivar com hortelã...
Cada palavra registrada
Não é nada, não é piada,
Não é discurso, nem cantada,
Não sei fazer outra fornada.
Não sei se já é condenada
A minha perdida estrada,
Só sei que te perdi em mim. (x3)

Preciso decidir onde dormir.
Entendo um novo amanhecer.
Por que você é assim por mim?
Não sei hoje o que vou fazer,
Fazer chover até cair...
Longe de mim sem perceber,
Fazer canção sem enfraquecer,
Fazer o céu escurecer aqui. (x3)

Fazer delírio envaidecer
Por mim que quis me libertar,
Eu quis fugir sem perceber,
Correr e já não mais parar
Até chegar no teu lugar
E entender bem mais de mim.(x3)

Preciso decidir onde ficar,
Não há lugar perto daqui.
Não há parada pra pensar,
Nem pra comer e repartir.
Não há carona pra tentar
Pegar nuvem que chega lá
Ou parar e entender, fingir.
Não é culpa, nem lamento,
Não é pudor, nem sentimento.
Não é largada e nem jornada,
Não é destino, não é nada.
Não é certeza e nem parada,
Não escolhi Sertão assim. (x3)

Autor: Henrique B. Lobato


Bonjour





Bonjour

Eu queria ser também pintor
Para eternizar a tua imagem
Mas me coube ser o trovador
Que ilustrará a tua passagem.

A tua quietude em gestos ternos
Quando o vento vem te passear
Trazendo consigo outros tempos
Onde bem se conjugava o amar.

Hoje a paisagem bem te veste
No final de manhã ou de tarde
E toda inquietação esvaneceu
Pois tua luz em mim amanheceu,

Fez surgir fios de cores pelo ar
Por isso eu bem te queria pintar
Pois é pintura o desdito momento
Onde te fiz canção e sentimento.

Autor: Henrique B. Lobato
Do livro: Amor embalado na rede

Cidade velha


A cidade velha

As ruínas da minha cidade
Andam querendo um só desejo:
Serem traídas com um beijo
Pois partem paroutra saudade.

Elas sussurram para os passantes
Que param e escutam sua arte,
Eles que pairam sem passaportes
Para partir ao tempo da bellepoque.

Já não há lembrança fotografada
Nos olhos da praça abandonada.
A preservação só ficou no oficio

Querem construir um edifício
No lugar da casa velha, lavrada
Foi pelo beijo feita sacrificio.

Autor: Henrique B. Lobato