segunda-feira, 23 de junho de 2014

Rosa Bailarina


Rosa Bailarina

Ela brinca de ser bailarina.
Ornamenta de cor sua vida
Quando anda ela faz ciranda
E roda o tempo nesta cena.

Ela tem consigo uma poesia
E música com acorde e sina
De ser tão bela e tão feminina
Como a primavera dançarina.

Quando a noite vem fazer luz
Ela solta os seus vaga-lumes
E acende estrelas lamparina
Para velar meus sonhos livres.

Ela gosta de acordar palavras
E com elas planta e encanta
Para ressoar letras sentidas
Enquanto baila, anda e ama.

Autor: Henrique B. Lobato
Do livro: Amor embalado na rede

Serenata para dois


Serenata para dois

Teu passo acaricia a terra,
Perfuma a luz do fim de tarde.
E arde antes que a noite
Termine por te abraçar infinita.

Escuto a melodia do vento
Ecoando dentro do teu colo,
Entre o pulsar do nosso corpo
Acima do sono e do sereno.

Há de haver um único solo,
Uma profusão de sonhos
Plantados pela luz dos olhos
Que nos ligam neste momento.

E não existe, em nós, medo
Para o amor não há neblina,
Não tem guardado o segredo
Desta união de almas desditas.

Autor: Henrique B. Lobato
Do livro: Amor embalado na rede

Estrela de mim


Estrela de mim

Além da palavra e da voz
Há um peregrino e uma estrela.
Estela com mapa de se perder
Por entre os caminhos de som e luz
Ela conduz os ventos, as velas
Do peregrino que segue
Esta infinita estrela cadente.

Sempre que estamos agregados
O tempo é um elemento abstrato
E deixamos de EXISTIR em dois
E passamos a SER um absoluto.
Essa é a minha esperança
Vivendo dentro do milagre.

Autor: Henrique B. Lobato
Do livro: Amor embalado na rede

Não conte segredos


Não conte segredos

Abstenha-se de contar segredos.
Toda palavra é em si irredutível
Aqui nesta peneira de acasos
O momento é mero combustível.

Não há quem esteja disposto
Para doar sentimento solúvel.
Assalte este pobre discurso,
De a ele a mascara renovável.

Os córregos são rios ocultos
Por rostos feitos de fino barro,
Enfeites de chumbo dos tantos
Que tragam seu belo cigarro.

Não conte estes segredos
Eles não merecem nascer
Em meio aos tantos medos
Que escolhemos para viver.

Autor: Henrique B. Lobato

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Quebrando lentes


Quebrando lentes

Lentes enganadoras enfeitam os olhos
E pior que tal sina escura, escondida
Do que é feito das vidas e dos sonhos
Consumidos após a cena desvanecida.

E talvez não haja escolhas dispostas
A se mostrarem hoje para um poeta.
Talvez o estudante tenha feito pistas
Para a rosa seguir até a sua janela.

Vou embora para longe de ontem
Esse tempo só respeita a saudade
E já não suporto que me faltem
Os sentidos para amar de verdade.

Essa é a verdadeira e maior liberdade
A estação do amor é estar enamorado
E assim escapar do horrendo cárcere
Para deixar as lentes efêmeras de lado.


Autor: Henrique B. Lobato