segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Caminho de retorno



Caminho de retorno

Agora te quero um pouco distante
Como as lendas, constelações antigas
De um infinito suave e constante
Que cabe nas histórias perdidas.

Outra vez se abrem os passos falsos
E incertos do caminho de retorno.
Mas aceito a experiência de outros
Destinos, de outras folhas de outono.                                                       

Outrora de solenes segundos, minutos
Traçados como uma nova obra de arte
De muitas cenas com conflituosos atos
Moldados com o efêmero da morte.

E assim guardar a velha lembrança
Nas pegadas das estradas percorridas,
Sem a tristeza da dor de uma criança,
Mas com a forte de lutas já vencidas.


Autor: Henrique B. Lobato

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Os motivos de um livro.



Os motivos de um livro.

Aqui não há serenas páginas
de existência ou imortalidade.
Podem namorar nestas águas
Amores, temores e saudade.

Aqui não há o delírio da verdade
Contida somente no denso vazio.
Isto não é um produto de arte.
Só o misterioso silêncio do rio.

Aqui não é local pra encontros,
A busca está noutras veredas.
A porta está além das vendas.
Na noite, morada de monstros.

Não há heróis vivos neste verso
E nem canções de uma aventura.
O som, talvez o caminho interno
Façam passagem nesta iluminura.



Autor: Henrique B. Lobato

Iluminura Solitária




   Iluminura solitária

A noite brame com o sentir solitário.
Brada com uma paixão inexorável
Elevando a vontade involuntária
De fuga, de medo e inexistência.

E cada estrela pinta um quadro só
Com iluminura para a arte da alma.
Cada átomo do meu corpo em pó
Desatina a dor que prende a calma.

As nuvens cobrem os cílios da lua.
O poste vaga-lume ilumina o nada.
O silêncio vaga lúgubre pela rua
Que sonha em não ser estrada.

É a imanência das ideias sóbrias,
Quando a noite parece solidaria,
Que faz-nos perceber as sombras
Em uma rara iluminura solitária.


Autor: Henrique B. Lobato

Não há partida




Não há partida

São poucos saltos nesta vida,
Quando ele fica sobre o muro.
Passos soltos pelas avenidas
Em que caminha o seu futuro.

A estrada sempre lhe aparecia
Para um convite inesperado.
Andar de carro nas rodovias
Não era bem do seu agrado.

Mas ele cultivava a paciência
De esperar os tempos outros,
Quando se escolher a ciência
Será colher os passos soltos.

Pois para ele não há partida,
Nas avenidas livres da vida
Não há uma única estrada,
O destino é eterna chegada.


Autor: Henrique B. Lobato

Primeiro olhar




Primeiro olhar

Cadeira vazia.
Cada lugar reservado
Não se encaixa.