Iluminura solitária
A noite brame com o sentir solitário.
Brada com uma paixão inexorável
Elevando a vontade involuntária
De fuga, de medo e inexistência.
E cada estrela pinta um quadro só
Com iluminura para a arte da alma.
Cada átomo do meu corpo em pó
Desatina a dor que prende a calma.
As nuvens cobrem os cílios da lua.
O poste vaga-lume ilumina o nada.
O silêncio vaga lúgubre pela rua
Que sonha em não ser estrada.
É a imanência das ideias sóbrias,
Quando a noite parece solidaria,
Que faz-nos perceber as sombras
Em uma rara iluminura solitária.
Autor: Henrique B. Lobato

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