A página esquecida
A última carta de amor sincero.
Foi escrita com curva nas letras
A tinta parecia ser um raro pedido
Por mãos distintas e meigas tecído.
O papel respirava antiga lembrança
De uma história tatuada no coração.
Os dedos ritmavam sua bela dança
Compartilhavam a mesma canção.
Passo, passo, passo e serenidade
Sem compromisso de ter resposta.
É amor entregue com a caridade
De não esperar o carteiro na porta.
Envelopes selados com saudade
E enviados com um ermo destino
De nunca sair daquela fria tarde,
De ser deixada fora do caminho.
Nem mesmo assinatura continha
Na tormentória carta terminada
Sem endereço para ser entregue,
Ficou perdida no banco da praça.
Autor: Henrique B. Lobato
Em honra ao meu amigo poeta do tormentório.

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