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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Cartas rasgadas




 Cartas de papel

 Faz tanto tempo que não cantamos
 Pelas sombras da estação.
 Escondidos do mundo planejamos
 Antes de terminar a canção.

 Sempre dura pra sempre.
 Pois quem é o tempo pra se opor?
 Se na infinidade da mente
 O tempo fica ao nosso dispor.

 E assim o amor continua vivo.
 Nos corações jovens apaixonados.
 E depois do fim de todo ciclo
 Voltamos a ser recem casados.

 Porem mesmo os mais belos sonhos
 Passam pelas ruas do pesadelo.
 E voltamos a ser meros mortais
 Que também se arrependem por tê-lo.

 Pois como é doce e bondosa
 A historia gentil e amorosa.
 Mas também febril e cruel.
 No fim são rasgadas cartas de papel.

 Autor: Henrique B. Lobato

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Dies Domini





 Dies Domini

 Ator doutrinado a encenar o que aprendeu
 De preto e com mascara de tragedia.
 Mas o dia está acabando e nada mudou,
 apenas se transformou em comedia.


 Não tenho entendimento dessa tradição.
 Passar o ano todo não ligando,
 Mas escolher um dia para sepultação.
 E alguns mesmo viajando, aproveitão de ante-mão.


 A reflexão fica por nossa parte,
 É o que vale verdadeiramente a pena.
 Porque não cabe mais a nós essa arte
 De fingir tristeza a quem condena.

 Não precisamos mais ir a praça, a contagem,
 Pra ver quem por medo ainda segue a cruz.
 Agora podemos ver quem tem coragem
 De seguir o caminho em que Deus o conduz.

Se somos todos iguais perante a lei,
Não aceito tão duvidoso tradutor!
Não sigo humildade que se veste de rei.
Eu falo por mim com o criador.

 Autor: Henrique B. Lobato
 Domini

quinta-feira, 29 de março de 2012

Teatro (devaneio)


As vezes me pergunto se não existo pela própria natureza de existir, De insistir na vida, e se essa vida já não seria uma historia já pronta cendo encenada num teatro.
 E se assim o for quem a escreveu? Nâo seria mesmo eu a escreve-la, não seriamos nós a tentar concertar as linhas mal feitas, a rabiscar as palavras erradas e mal ditas?
 De que adianta então essa historia tão rabiscada vista ao todo, e tão bela vista de perto? Seremos todos pequeninas letras antes do ponto final. Salve algumas observações que de tão bem feitas ressoam pelo tempo.
 Mas afinal de que vale o tempo? o criamos para contar nossos dias e por nosso orgulho e vaidade descobrimos que morremos a cada dia, a cada noite. Morremos de pouco em pouco, andamos de pouco em pouco, vivemos de pouco em pouco.
 Ainda não sei se sou apenas mais um ator encenando o que lhe foi destinado ou se sou eu mesmo meu próprio autor, que escreve um capitulo a cada dia esperando que ele faça alguma diferença no final da grande historia da humanidade.

 Autor: Henrique B. Lobato

terça-feira, 27 de março de 2012

Ser invisível





Sou invisível, posso andar pelas ruas fantasiado de lixo.
Sou invisível, posso dormir por ai em qualquer lugar.
Sou invisível, ninguém se importa vou migrar novamente.
Sou invisível, meu governo deveria cuidar de mim, olhar por mim.
Sou invisível, esse é um país de todos, menos alguns. Existem alguns que valem menos que papel, estou entre eles agora.
Sou invisível, e hoje me olhei no espelho, não vi ninguém, estou sumindo... Algum dia eu vou acordar e ver que não existo.
Sou invisível, mas algumas raras pessoas de bom coração me vêem e me dão comida, dinheiro e roupa as vezes ate carinho. Ter que depender disto faz eu me sentir como uma peça sobrando no sistema. Eu sou uma peça sobrando no sistema. Mas tenho direito de viver.
Sou Invisível e ninguém se importa, não tenho nome nem assinatura nem direito a entrar onde é proibido animais.
Saber que ninguém se importa e saber que o dinheiro que todos me deram foi roubado me deixa sem esperança pro futuro.
Saber que se eu morrer hoje não fará diferença nenhuma pra ninguém me deixa muito triste.
Como poderia fazer diferença se sou invisível, as pessoas passam por mim e ninguém me vê.
Estendo a mão pra pedir vida e ninguém me vê, por favor, se livrem da hipnose e me vejam no meio do lixo, no meio desssa droga, no meio da droga!

O lixo é o único que me entende, ele é como eu, sem família, sem amigos, sem nada.
Só nele encontro alimento e só nele encontro calor e abrigo.
 Como todos podem achar que as coisas estão certas, que tudo isto é normal, eles não podem ver? Não podem sentir? A todo o momento pessoas passam por pessoas, e a todo o momento alguém se arrasta nas sombras e nos cantos de calçadas. Onde fica o dinheiro que damos nos impostos para ajudá-las?
 O dia nasce e tudo se inicia novamente, o pão de cada dia é incerto e que alternativa eu tenho a não ser ter fé?
Ter fé de que um dia alguém decida mudar o que todo mundo acha certo, normal e banal.
Sou um ser humano e tenho direitos mesmo não sabendo quais são.
Que raiva eu tenho de tudo por não ter chance de melhorar.
Eu não sou daqui? Não sou dessa terra que dizem ser de todos? Não tenho escolha!
O que eu tenho a perder a não ser a vida?
Que por enquanto não vale nem um bom dia de ninguém.
O que uma pessoa que não tem nada tem a perder?

Continuem comprando e não se importem comigo,
Pois no fundo o lixo que eu chamo de vida vai ser reciclado em outro alguém.
E diz amém quem não incherga, quem fecha os olhos e se torna seu próprio inimigo.
Afinal eu sou literalmente o resto da sociedade de hoje morrando num abrigo.

Autor: Henrique B. Lobato