quinta-feira, 7 de junho de 2012

Conversa com o mensageiro



    Conversa com meu mensageiro  
   

    Enquanto andava distraido
    Ouvi sussuros nos ouvidos.
    Quem é ele? Quem é?
    Onde está? E a que veio?


    Segui seus passos em pensamentos.
    Descalso eu dormia ao relento.
    Mas uma oferta foi oferecida.
    E todo o sofrimento ela evitaria.


    Eu posso te mostrar um curto atalho,
    E eu bem sei que estavas cansado.
    E para que tudo isso, se nada é para ti?
    O que ele fez para merecer tua lealdade?


    Por um minuto me calei diante a duvida.
    E minha fé naquele momento se tornou nula.
    Minha espada se tornou lamina escura e cega,
    E minha armadura a sombra do que antes era.


    As perguntas do mensageiro ecoaram ao vento.
    E meu caminho seria tirado naquele momento.
    Mas meu coração de louca ou virtuosa coragem,
    Não padeceu ante tão preciosa miragem.


    Olhei no fundo dos olhos do mensageiro
    E regeitei a oferta tão tentadora.
    mandei embora o voraz cão traiçoeiro.
    Com afirmação por demais avassaladora:    


    Meus pés de cavaleiro não caminham por atalho,
    Pois muito pouco se aprende em tal caminho.
    Só se pode evoluir com duro trabalho,
    E é isso que é ser um peregrino.


    O que fazemos dedicamos ao pai amado.
    E fazemos isso por um único motivo:
    Tudo que temos por ele nos foi dado.
    E apenas plantamos boa ação pelo caminho.


    E a ultima pergunta respondi com mais bravura:
    Nossa lealdade é fruto de tão boa companhia.
    Pois mesmo quando estamos em noite escura
    Ele vela e fica conosco noite e dia.

   

    Autor: Henrique B. Lobato

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