A ultima
nota no diário de John:
Era uma
noite fria de inverno em Londres, chovia como sempre e o cheiro de poluição e
de esgoto perfumavam o ar, eu caminhava com meu sobretudo amarelo característico,
e clamava maldizeres para aquela cidade.
Ao chegar à porta do seu apartamento meu
coração acelerou como se eu, homem feito, fosse novamente um adolescente
chamando uma garota para sair pela primeira vez. Bati na porta três vezes e
Body, seu cachorro me reconheceu.
- Entre! – você gritou da janela do terceiro
andar e a chuva fria que ferrava minha pele ficou para trás.
Lá dentro a atmosfera era outra, era quase
outro mundo, se não fosse a janela que você esqueceu aberta.
- Ola meu
amor... – Você me abraçou e me beijou, senti seu coração que também batia acelerado
e ressoava com o meu.
Quando você me soltou eu caminhei até a janela
e estendi os braços a fim de fechá-la, mas antes não pude deixar de notar a
bela lua cheia e os sete gatos que cantavam desafinados lá fora, eles cantavam
para a lua seu coro de saudade, protegidos da chuva pela varanda e pela sua
irracionalidade, a tristeza própria daqueles tempos de guerra não os afetava.
Fechei enfim a janela, deixando os gatos, a
lua e a velha Londres para trás. Seu mundo era bem melhor, ele continha aquele
amor, carinho e afeto que só as mulheres sabem demonstrar e eles preenchiam
mais seu ambiente que os moveis e a sujeira de uma péssima dona de casa.
- Venha
deitar-se comigo, está frio John.
- Tenho
planos para amanhã, vamos sair. Quer passar as férias inteiras aqui dentro? – A
chuva tiritando na janela completa a música de fundo.
- Oh querido
como eu queria, mas chove muito lá fora e quem trabalha com a voz como eu não
pode se dar ao luxo de adoecer. – Ela aponta para fora e depois me olha faceira
como só ela sabia.
- Minha avó
me contava a lenda de um dia de sol no inverno. – Ela sorriu e me chamou
novamente gesticulando com a mão.
- Lenda... –
Ela refletiu um minuto. - Esqueça isto e venha para a cama, está frio.
Dentro do seu mundo e envolvido pelo seu
carinho eu esqueço todo o sofrimento do mundo lá fora.
Passamos a noite acordados disputando com os
gatos quem fazia mais barulho, a vizinha de baixo deve ter batido duas ou três
vezes com o cabo da vassoura, mas nós não ligamos. Fui dormir apenas as cinco e
meia da manhã.
No dia seguinte a lenda se tornou realidade e
fez realmente um dia de sol, você me sacudia as quatro da tarde querendo que eu
levanta-se, e se não fosse pelo convidativo sol lá de fora eu ficaria deitado
como um recém defunto, mas me rendi a sua vontade e saímos para passear.
Convidei-te para ir ao cinema, mas você queria
fazer atividades ao ar livre, eu também queria sentir o sol depois de tanto
tempo nublado, namoramos a tarde inteira no banco do Hyde Park, vimos o sol se
por no horizonte, você disse que me ama, se recostou em meu ombro e ficamos em
silêncio...
Depois de algum tempo, não sei ao certo
quanto, tentei falar contigo e você não respondeu, deduzi que estivesse
dormindo e fiquei mais um pouco junto de ti e esperei mais, novamente tentei
falar contigo e pegando tua mão percebi que esta estava fria. Gritei, chamei
ajuda, te carreguei no colo e te levei para o hospital mais próximo.
Lá me disseram que você estava morta, duvidei,
como? Ela estava bem até agora a pouco.
- O que ouve? – Perguntei.
- Câncer
Senhor. – Responderam-me.
Voltei para teu apartamento sob uma chuva fina
que me foi fiel e companheira, a poluição e o barulho dos carros em meu lado
estavam longe, eu havia embarcado no trem das lembranças sem pagar a passagem e
meu corpo deixado para trás caminhou sozinho pelas calçadas úmidas da velha
Londres.
Ao entrar sem baterem teu apartamento,
deparo-me com um ambiente frio e úmido, todo o carinho, amor e afeto que antes
haviam aqui se foram. Teriam eles ido embora contigo para aqueles momentos
eternos de que tanto você falava? Enquanto eu me questionava, encontrei na
gaveta do teu criado mudo uma carta e um exame.
Pouco entendi do exame, por isto resolvi ler a
carta, que dizia:
Querido
John, fiquei sabendo nesta quinta que tinha câncer já em avançado estado, o
medico explicou que eu teria no máximo mais alguns dias de vida, se você
encontrou está carta é porque já não estou viva, mas sempre estaremos juntos,
naqueles poucos momentos eternos.
Com
amor
Sara
Quando
terminei de ler a carta o vento frio soprou pela janela, arrepiando-me até a
ponta do pé e as cortinas brancas dançaram em par, lá fora os gatos pretos
cantavam para a lua o seu coro de saudade, então eu dobrei a carta, coloquei
novamente no envelope e escrevi está nota em meu diário, está que será a ultima
nota antes que eu vá cantar com os gatos pretos da sua varanda.
tem que melhorar...isso mais parece uma carta do que uma nota pessoal de diário. E durante todo o texto tu narra a uma pessoa específica , a "ela" ("... Convidei-TE para ir ao cinema, mas VOCÊ queria fazer atividades ao ar livre...") mas, nessa parte " ELA sorriu e me chamou novamente..." só nessa parte, tu narra pra qualquer leitor, oq fica sem coerência...sem falar nos erros de pontuação e acentuação...e o diálogo também ficou um pouco confuso =/
ResponderExcluirOpa, eu fiz esse texto em 15 minutos enquanto estava no cyber, por isso os erros de coesão, porém uso a primeira pessoa como narrador personagem e os erros entre segunda e terceira pessoa que você detectou são comuns em diários em especial nas ultimas notas, eles foram colocados propositalmente. Achei que ficaria mais similar se assim fosse. Valeu.
ResponderExcluir