sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A última nota no diário


A ultima nota no diário de John:

 Era uma noite fria de inverno em Londres, chovia como sempre e o cheiro de poluição e de esgoto perfumavam o ar, eu caminhava com meu sobretudo amarelo característico, e clamava maldizeres para aquela cidade.

 Ao chegar à porta do seu apartamento meu coração acelerou como se eu, homem feito, fosse novamente um adolescente chamando uma garota para sair pela primeira vez. Bati na porta três vezes e Body, seu cachorro me reconheceu.

 - Entre! – você gritou da janela do terceiro andar e a chuva fria que ferrava minha pele ficou para trás.
 Lá dentro a atmosfera era outra, era quase outro mundo, se não fosse a janela que você esqueceu aberta.
- Ola meu amor... – Você me abraçou e me beijou, senti seu coração que também batia acelerado e ressoava com o meu.

 Quando você me soltou eu caminhei até a janela e estendi os braços a fim de fechá-la, mas antes não pude deixar de notar a bela lua cheia e os sete gatos que cantavam desafinados lá fora, eles cantavam para a lua seu coro de saudade, protegidos da chuva pela varanda e pela sua irracionalidade, a tristeza própria daqueles tempos de guerra não os afetava.

 Fechei enfim a janela, deixando os gatos, a lua e a velha Londres para trás. Seu mundo era bem melhor, ele continha aquele amor, carinho e afeto que só as mulheres sabem demonstrar e eles preenchiam mais seu ambiente que os moveis e a sujeira de uma péssima dona de casa.

- Venha deitar-se comigo, está frio John.
- Tenho planos para amanhã, vamos sair. Quer passar as férias inteiras aqui dentro? – A chuva tiritando na janela completa a música de fundo.
- Oh querido como eu queria, mas chove muito lá fora e quem trabalha com a voz como eu não pode se dar ao luxo de adoecer. – Ela aponta para fora e depois me olha faceira como só ela sabia.
- Minha avó me contava a lenda de um dia de sol no inverno. – Ela sorriu e me chamou novamente gesticulando com a mão.
- Lenda... – Ela refletiu um minuto. - Esqueça isto e venha para a cama, está frio.

 Dentro do seu mundo e envolvido pelo seu carinho eu esqueço todo o sofrimento do mundo lá fora.

 Passamos a noite acordados disputando com os gatos quem fazia mais barulho, a vizinha de baixo deve ter batido duas ou três vezes com o cabo da vassoura, mas nós não ligamos. Fui dormir apenas as cinco e meia da manhã.

 No dia seguinte a lenda se tornou realidade e fez realmente um dia de sol, você me sacudia as quatro da tarde querendo que eu levanta-se, e se não fosse pelo convidativo sol lá de fora eu ficaria deitado como um recém defunto, mas me rendi a sua vontade e saímos para passear.

 Convidei-te para ir ao cinema, mas você queria fazer atividades ao ar livre, eu também queria sentir o sol depois de tanto tempo nublado, namoramos a tarde inteira no banco do Hyde Park, vimos o sol se por no horizonte, você disse que me ama, se recostou em meu ombro e ficamos em silêncio...

 Depois de algum tempo, não sei ao certo quanto, tentei falar contigo e você não respondeu, deduzi que estivesse dormindo e fiquei mais um pouco junto de ti e esperei mais, novamente tentei falar contigo e pegando tua mão percebi que esta estava fria. Gritei, chamei ajuda, te carreguei no colo e te levei para o hospital mais próximo.

 Lá me disseram que você estava morta, duvidei, como? Ela estava bem até agora a pouco.
 - O que ouve? – Perguntei.
- Câncer Senhor. – Responderam-me.

 Voltei para teu apartamento sob uma chuva fina que me foi fiel e companheira, a poluição e o barulho dos carros em meu lado estavam longe, eu havia embarcado no trem das lembranças sem pagar a passagem e meu corpo deixado para trás caminhou sozinho pelas calçadas úmidas da velha Londres.

 Ao entrar sem baterem teu apartamento, deparo-me com um ambiente frio e úmido, todo o carinho, amor e afeto que antes haviam aqui se foram. Teriam eles ido embora contigo para aqueles momentos eternos de que tanto você falava? Enquanto eu me questionava, encontrei na gaveta do teu criado mudo uma carta e um exame.

 Pouco entendi do exame, por isto resolvi ler a carta, que dizia:
 Querido John, fiquei sabendo nesta quinta que tinha câncer já em avançado estado, o medico explicou que eu teria no máximo mais alguns dias de vida, se você encontrou está carta é porque já não estou viva, mas sempre estaremos juntos, naqueles poucos momentos eternos.
                                                                                                          Com amor
                                                                                                                      Sara

Quando terminei de ler a carta o vento frio soprou pela janela, arrepiando-me até a ponta do pé e as cortinas brancas dançaram em par, lá fora os gatos pretos cantavam para a lua o seu coro de saudade, então eu dobrei a carta, coloquei novamente no envelope e escrevi está nota em meu diário, está que será a ultima nota antes que eu vá cantar com os gatos pretos da sua varanda.

2 comentários:

  1. tem que melhorar...isso mais parece uma carta do que uma nota pessoal de diário. E durante todo o texto tu narra a uma pessoa específica , a "ela" ("... Convidei-TE para ir ao cinema, mas VOCÊ queria fazer atividades ao ar livre...") mas, nessa parte " ELA sorriu e me chamou novamente..." só nessa parte, tu narra pra qualquer leitor, oq fica sem coerência...sem falar nos erros de pontuação e acentuação...e o diálogo também ficou um pouco confuso =/

    ResponderExcluir
  2. Opa, eu fiz esse texto em 15 minutos enquanto estava no cyber, por isso os erros de coesão, porém uso a primeira pessoa como narrador personagem e os erros entre segunda e terceira pessoa que você detectou são comuns em diários em especial nas ultimas notas, eles foram colocados propositalmente. Achei que ficaria mais similar se assim fosse. Valeu.

    ResponderExcluir