quarta-feira, 20 de março de 2013

Um devaneio lúcido



 Um devaneio lúcido


Não faz sentido esse empreendimento.
Dá-se tanto valor ao que nada nos soma
E as vezes até deixa negativo o dividendo.
E coisa de pouco discernimento e honra.

Não faz sentido querer tanto uma miragem
Se cobrir de pluma e pano de fina linhagem
Mas pouca coragem de se auto-descobrir,
Mas pouca vontade de viver o agora e aqui.

Que bobagem se encher de facho para fora.
E quando se chegar a hora de lutar ou fugir?
A meia-noite do natal que te mostra outrora
O que eras e o que seras se assim proseguir.

Outro codigo de barra que eu já não preciso.
Outro que narra no onibus sua falta de juiso,
Pedindo um trocado que ninguém pode dar.
Até educado o coitado que até tenta ajudar.

Mas ele fala para uma assembleia de surdos
Que nem ao menos lhe deseja um bom-dia...
Alguns dão moedas pra mostrar seus burgos,
E enfim seguem e proseguem sua cega rotina.

Já passou da hora de tirar a poeira do tapete,
De descobrir nossos defeitos atrás da cortina.
É preciso dissecar, disscertar esse vil enfeite,
Esse defeito que a tanto tempo nos hipnotiza.

Seguimos alimentando uma falsa pespectiva
Sem perceber como é curta essa terrena vida.
Será que somos os donos do que temos posse?
Será que virtude é realmente igual a toda pose?


Autor: Henrique B.Lobato

Um comentário:

  1. como disse o sábio Bené, nós não somos nada! Senão que um veiculo de ação da essência ou do ego.

    ResponderExcluir