As vezes
As vezes eu paro...
As vezes olho para o lado e vejo que eu poderia ter seguido
outra direção
Eu me olho no espelho e me pergunto:
Como teria sido então? Como teria sido se eu tivesse seguido
outra direção?
Talvez algo teria mudado, talvez eu não tivesse errado,
talvez estivesse enterrado.
As vezes eu presto atenção...
Olho para o lado e vejo alguém na contramão.
Talvez ele não tenha visto a placa de frente.
Ou será uma caixa vazia fingindo ser diferente?
Mas que mal me pergunte então: se não seria eu a estar na
contramão?
Se o normal é andar para trás fingindo andar para frente.
As vezes eu sigo...
Mas parecia tão real, e as vezes parece tão banal.
Que não liguei em seguir as placas nas vias.
Mas parecia normal não poder mudar de canal.
Parecia normal ignorar o sinal, se mentires tão bem nas
avenidas.
Se mentires tão bem durante a vida, se puder mentir pra si
mesmo afinal.
Mas não minto bem, e mudo tanto de canal
Que acabo me sentindo mal em não poder ajudar os garotos do
sinal,
Mas isso é culpa daqueles que ficam a brincar com essas
vidas.
Autor: Henrique B. Lobato

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