O eu dentro de mim
Como ficarei eu? se quando fico só eu fico assim.
Como ficarei eu? Se quando penso, não sei quem sou.
E em meio ao mundo imenso, quando penso
Não me reconheço, me perco e não sei pra onde vou,
Desapareço, enlouqueço e pereço diante de mim.
E mergulho pra dentro de mim, sem querer sentir-me assim:
O eu tão desconhecido de dentro de mim.
E nesse momento, quando mergulho pra dentro enfim,
Os enfeites se desmancham como velhos retalhos.
Tento então seguir meus defeitos, e em meio aos atalhos
Acho minhas qualidades, minhas metas de verdade.
Encontro lembranças, janelas de luz e de morte,
Sigo dependendo da sorte, em um mundo desconhecido.
O eu lírico ferido, de coração partido e caminho proibido.
Quebro então o vidro das janelas da morte,
E com sorte consigo abrir as janelas de luz.
A luz que conduz meus passos descompassados.
A luz da inocência que termina em becos fechados.
Por entre poços de alegria e lagrimas de lagos.
Organizo a bagunça e finalmente me encontro.
No espelho cristalino de minha alma me reconheço.
E enfim com minha mente em ordem, reapareço.
E quão perfeita é a criação...
Como ficarei eu então?
Se o futuro desconheço.
Autor: Henrique B. Lobato.

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