sábado, 18 de fevereiro de 2012

Aquário


Aquário

Eu posso ver dentro de você,
O que criamos com sonhos
É maior que a avidez do tempo.
E como tudo que é feito de sonhos,
É tão real quanto pensamentos.
São castelos de cartas levados pelo vento.


Eu posso ver dentro de você,
Você está logo atrás de mim.
Seguindo-me e iluminando meu caminho.
Eu posso sentir seu corpo me aquecendo,
No inverno entre os caminhos da solidão.
Arriscando seu destino,
Se ligando a planos incertos.

Eu posso ver dentro de você,
Eu posso sentir as lagrimas que você derrama,
Elas caem do céu todas as tardes.
E molham meu rosto todos os dias.
E por mais que você tente, nunca conseguira afogar
As borboletas de dor que cria dentro do peito.
As gotas de chuva que caem à tarde,
Nunca encheram o aquário dentro de você.

Eu posso ver dentro de você.
E não posso aceitar que isso continue.
Tenho que jogar novamente os monstros pra dentro do armário
Jogar a realidade na vida e assim
Eu corro pro escuro, quebrando o aquário.
E as borboletas voam, as lagrimas transbordam ao monte.
Mas o tempo passará e o sol vai secar a água do chão.
E talvez algum dia eu consiga juntar os cacos de vidro do aquário
Que antes costumava ser seu coração.

Autor: Henrique B. Lobato
Para: Najma Akhintar
Domini 

Nenhum comentário:

Postar um comentário