FORAGIDO DA INJUSTIÇA
Todas as manhãs eu fujo, não é por medo e sim porque
não me sinto bem em ficar aqui neste lugar.
É como se eu não fizesse parte de tudo isto,
como se eu atrapalhasse a perfeita ordem e progresso daqui.
Um estranho, um forasteiro num lugar onde
todos se olham de forma diferente e com olhares de analise critica.
Quem deu esse direito a eles? Ninguém, eu me
respondo.
Mais antes que eu possa recuperar-me da queda
vem à necessidade de fugir.
Varias vezes me vem na cabeça que eu sou a
presa deles e estou correndo por instinto.
Não! Isso não é verdade, eles são prezas de
si mesmos e eu estou querendo sair disso.
Não me adapto a esse ar refinado de culpa que
eles carregam por não terem fugido quando tinham a chance.
Venderam sua possibilidade de ser e estar,
agora só resta um pedaço daquilo que chamam de alma.
Agora veja só o que sobro, escravos de si
próprios e eu estou livre.
Mas Por quanto tempo?
Por quanto tempo eu continuarei fugindo
desonrando aos meus professores e amigos?
Eu tenho que vencer o sistema e conhecer
melhor a mim mesmo para não ser hipnotizado quando voltar.
Para poder voltar lá e não me sentir
estranho, diferente, supérfluo.
Vou fugir para armar-me com conhecimento e
sabedoria para enfrentar esse misterioso futuro.
Ainda resta muito aqui dentro!
Mas quanto ainda resta lá
fora?
Autor: Henrique B. Lobato-----DOMINI

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