sábado, 18 de fevereiro de 2012

FORAGIDO DA INJUSTIÇA


FORAGIDO DA INJUSTIÇA
                                                                              
  Todas as manhãs eu fujo, não é por medo e sim porque não me sinto bem em ficar aqui neste lugar.
  É como se eu não fizesse parte de tudo isto, como se eu atrapalhasse a perfeita ordem e progresso daqui.
  Um estranho, um forasteiro num lugar onde todos se olham de forma diferente e com olhares de analise critica.
  Quem deu esse direito a eles? Ninguém, eu me respondo.
  Mais antes que eu possa recuperar-me da queda vem à necessidade de fugir.
  Varias vezes me vem na cabeça que eu sou a presa deles e estou correndo por instinto.
  Não! Isso não é verdade, eles são prezas de si mesmos e eu estou querendo sair disso.
  Não me adapto a esse ar refinado de culpa que eles carregam por não terem fugido quando tinham a chance.
  Venderam sua possibilidade de ser e estar, agora só resta um pedaço daquilo que chamam de alma.
  Agora veja só o que sobro, escravos de si próprios e eu estou livre.
  Mas Por quanto tempo?
  Por quanto tempo eu continuarei fugindo desonrando aos meus professores e amigos?
  Eu tenho que vencer o sistema e conhecer melhor a mim mesmo para não ser hipnotizado quando voltar.
  Para poder voltar lá e não me sentir estranho, diferente, supérfluo.
  Vou fugir para armar-me com conhecimento e sabedoria para enfrentar esse misterioso futuro.
  Ainda resta muito aqui dentro!
Mas quanto ainda resta lá fora?

Autor: Henrique B. Lobato-----DOMINI   

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