Historia de alguém
Eu sinto algo de muito estranho que está prestes a começar.
É como algo que
agorinha era, um dia foi, mais nunca mais será.
Observei o tempo
correr vazio por entre as minhas mãos.
Mãos, irmãos, um
ajudando o outro.
Mas num mundo de outros
eu sou alguém.
Me ajudaram, eu
ajudei, me ajudaram a me ajudar.
Não to satisfeito,
enfeito as sombras, e apago a luz.
Orei pra deus, pedi
perdão para mim mesmo e fui dormir.
Afinal se um cretino
não puder perdoar ao outro, que humano poderá?
Quem criará? Quem
transformará? Quem destruirá?
Alguém... Alguém...
Alguém...
Em uma terra de
outros eu fui alguém.
A minha terra eu dei
e minha espada recebi.
Recebi também o sol,
o céu e um lugarejo.
Num realejo acordei
no frio, num rio nadei pra me secar.
Nadei, andei, voei,
criei, transformei e matei.
Mas não me conformei
nem me confrontei, não amei.
Eu sinto algo de muito estranho que está prestes a começar.
É como algo que
agorinha era, um dia foi, mais nunca mais será.
A beleza se esconde
pelos cantos, e os que conseguem ver correm atrás.
O amor ta
desaparecido, mas fizeram pouco caso de procurar o coitado.
O ódio ficou famoso
lutando, ganho o campeonato mundial.
Quem sabe ele não
matou o amor entre uma luta e outra.
A tristeza se tornou
um vírus que cai com a chuva, enquanto molha os outros e pinta tudo de cinza.
A arte entrou no ramo
de vendas, musicas raras em liquidação, poesia e cultura por uma pechincha.
Mas sempre existiu, e
sempre existirá o pirata, musicas que ate um macaco conseguiria fazer sendo
vendida em massa, para a massa, pela massa, pichações sendo dadas de graça no
lugar de pinturas, danças idiotas feitas por idiotas, para idiotas.
O efeito disso? A
arte faliu e agora só sobrou o resto, me presto a protestar contra isso.
Mas minha voz é
calada por um celular alto falante fazendo barulho.
Entulho sendo levado
na cabeça, naquele espaço onde ficava o cérebro.
Em um mundo de
outros, quem pensaria no coitado do amor desaparecido? Quem pensaria em mudar?
Alguém... Alguém... Alguém...
Eu sinto algo de muito estranho que está prestes a começar.
É como algo que
agorinha era, um dia foi, mais nunca mais será.
Andando pra algum
lugar, percebi andar perdido.
Vendi o coração pra
juntar dinheiro.
Mas ele foi
devolvido, mercadoria quebrada.
A vida de um vendedor
de sonhos é difícil.
Com o dólar e o euro
em queda ninguém tem dinheiro para gastar com isso.
Quem teria dinheiro e
tempo para os sonhos?
Alguém... Alguém...
Alguém...
Tudo acontece lá
fora.
Nada acontece aqui
dentro.
Lá fora o calor, aqui
dentro apenas o frio.
Girei a roda do tempo,
e o destino parou.
O movimento parou, a
estação fechou, a luz apagou.
Alguém parou e
morreu.
Alguém parou e
morreu.
Alguém parou e
morreu.
Fim da historia de
alguém...
Autor: Henrique B. Lobato
Domini

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