Descanso
Meu corpo pede cama, pede descanso.
Humano cansa, e o sono me chama.
Minha mente clama, por conhecimento.
Peregrino ao relento, buscando abrigo.
Minha alma insana quer conquistar o mundo.
Meu coração moribundo pulsa por sabedoria.
Marco a estadia, lavo meu rosto na pia e conto com a sorte.
Apesar do cansaço eu ainda sou meu próprio talismã.
Não vou me entregar, tenho uma batalha a vencer hoje.
Desistir só amanhã.
Meu corpo pede cama, pede descanso.
Depois de lutar o dia todo, nem mesmo sei se valeu à pena.
Minha sina perdeu a graça, já acabou minha cena.
A causa não vale as perdas, a luta perdeu o sentido.
O efeito não passa de efeito diante de tamanho cansaço.
Não sou feito de aço, também canso.
Agora minha única duvida é se durmo na cama ou na rede.
Meu rio de entusiasmo secou e sobrou apenas a sede.
E em passos cambaleantes eu sigo pelo caminho deserto.
O futuro ainda está presente, ainda que pareça incerto.
Meu corpo pede cama, pede descanso
A tarde cai, o sol se vai, e a lua me chama.
Finalmente me deito em meu leito, minha cama.
Onde a doce mentira parece verdade, onde o mundo inteiro
parece metade.
Os olhos se fecham, os sonhos vem vindo, dou adeus a
realidade
Resistir ao sono? Pergunto-me como.
Merecido descanso, me entrego ao sono.
Cama sem alegria, vou descansar sem companhia.
O despertar é belo, é poesia, é bom humor diante a
monotonia.
As cortinas se abrem, o sol me da bom dia.
Saio da cama, saio de casa, tenho que fazer por merecer
minha asa.
Dormir pra que?
“Terei muito tempo para dormir depois que eu morrer.”
Autor: Henrique B. Lobato

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