sábado, 18 de fevereiro de 2012

Podre vida


Podre vida
(tributo a augusto dos anjos)

O vivo anda em meio as ruas escuras da outrora criança, a noite.
O morto vaza, carne podre na rua, pela cabeça um escarlate liquido vermelho.
O vivo se olha no espelho, no banheiro de um bar.
O morto apodrece na rua, na calçada de algum lugar.
O vivo sai da armadilha, a fuga do bar para a rua, afinal a noite continua.
O morto cria um mar, de sangue no chão, já não tem irmão, nem família.
O vivo começa a dançar, cambaleando pela rua, cruzando os pés.
O morto ignora papeis, de jornal que são colocados sobre ele, o vento logo leva.
O vivo é levado pela levada da musica em sua cabeça, canta errado enquanto boceja.
O morto jaz jogado na lama, ninguém o chama ou chora por ele, apenas os vermes o abraçam.
O vivo tropeça e cai, a luz para ele se vai, o sangue cai e escorre, a vida corre para longe.
O morto dorme do escuro, sem luz, sem velas, acolhido apenas pela fria morte escura.

O morto vaza, carne podre na rua, um escarlate liquido vermelho.
O morto apodrece na rua, na calçada de algum lugar.
O morto cria um mar, de sangue no chão, já não tem irmão, nem família.
O morto ignora papeis, de jornal que são colocados sobre ele, o vento logo leva.
O morto jaz jogado na lama, ninguém o chama ou chora por ele, apenas os vermes o abraçam.
O morto dorme do escuro, sem luz, sem velas, acolhido apenas pela fria morte escura.

Autor: Henrique B. Lobato

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