Podre vida
(tributo a augusto
dos anjos)
O vivo anda em meio as ruas escuras da outrora criança, a
noite.
O morto vaza, carne podre na rua, pela cabeça um escarlate
liquido vermelho.
O vivo se olha no espelho, no banheiro de um bar.
O morto apodrece na rua, na calçada de algum lugar.
O vivo sai da armadilha, a fuga do bar para a rua, afinal a
noite continua.
O morto cria um mar, de sangue no chão, já não tem irmão,
nem família.
O vivo começa a dançar, cambaleando pela rua, cruzando os
pés.
O morto ignora papeis, de jornal que são colocados sobre
ele, o vento logo leva.
O vivo é levado pela levada da musica em sua cabeça, canta
errado enquanto boceja.
O morto jaz jogado na lama, ninguém o chama ou chora por
ele, apenas os vermes o abraçam.
O vivo tropeça e cai, a luz para ele se vai, o sangue cai e
escorre, a vida corre para longe.
O morto dorme do escuro, sem luz, sem velas, acolhido apenas
pela fria morte escura.
O morto vaza, carne podre na rua, um escarlate liquido
vermelho.
O morto apodrece na rua, na calçada de algum lugar.
O morto cria um mar, de sangue no chão, já não tem irmão,
nem família.
O morto ignora papeis, de jornal que são colocados sobre
ele, o vento logo leva.
O morto jaz jogado na lama, ninguém o chama ou chora por
ele, apenas os vermes o abraçam.
O morto dorme do escuro, sem luz, sem velas, acolhido apenas
pela fria morte escura.
Autor: Henrique B. Lobato

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