Desértica
Hoje ao acordar me perguntei se estava em um sonho.
Pareço estar na mente doentia de um demônio, seus olhos
voltados para dentro a me encarar.
Hoje acordei e tudo aparenta vir de outro lugar, eu aparento
vir de outro lugar.
Não reconheço isso que me rodeia, não reconheço essas
arvores secas rodeadas de espinhos que me ferem no interior e me fazem sangrar
de tristeza.
De certa forma a cada passo adiante, um pedaço de mim fica
em um dos espinhos afiados que brilham hipnotizando-me
De certa forma eu queria estar aqui, eu queria morrer ontem.
Hoje eu acordei num pesadelo, eu acho que me perdi do bando.
Por onde ando apenas ruínas de florestas e ausência de vida.
Sombras de duvidas e poeira.
Chão deserto, futuro incerto e talvez maldito.
Não acredito que morri aqui.
Hoje acordei e senti minha alma fria como um iceberg, nem
mesmo o céu existe.
No lugar dele só um preto sem estrelas e sem lua.
No lugar do céu eu vejo meu interior refletido.
Vazio....
Não resto nada para se apegar. Não resto nada...
Terra desértica sem fim.
Terra desértica em mim e enfim parei aqui.
Será que sou um anjo? Caído de cansaço estou e olhando o
resto do céu por um minuto penso que nada importa.
Não pode ser! Não posso ter perdido!
Eu penso que ainda existe tempo e ainda existe vida lá fora.
Chegou a hora!
Vamos lá rapaz, levante-se!
Eu posso fugir, eu posso escapar daqui!
Eu preciso voltar, tenho uma missão a cumprir e um caminho a
trilhar.
Seja glorioso!
Autor: Henrique B. Lobato-----------------------Domini
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