No escuro da noite
(Epilogo de um bêbado lúcido)
Caio novamente na noite, em baixo
da luz de algum lugar.
Um poste, uma lâmpada, quer saber, sei lá.
Caio novamente na noite, espaço vazio na rua.
Afinal minha vida é de quem, é minha? Não, não
acho que é sua.
Caio novamente na noite, as estrelas enfeitam
a lua.
Não sei se estou sóbrio, mas vejo anjos na
rua.
Caio novamente na noite, alguém anda ao
telefone.
E eu ali sentado, tentando lembrar meu nome.
Caio novamente na noite, anjos me mostram o
paraíso.
Mas na minha cabeça, está o véu que esconde o
juízo.
Caio novamente na noite, sentado na calçada em
baixo de um poste de luz. Na minha frente está à selva de pedra que esconde um
predador.
Penas brancas voam por todo lugar, anjos
diante de um perdedor.
Caio novamente na noite, o anjo da guarda que
deveria olhar por mim, cuidar de mim, está corrompido.
Todos os dias pessoas vendem seus valores, sua
honra, sua alma. Não deveria ser proibido?
Caio novamente na noite. Anjos puros, dizem
que não tem pecado.
Talvez seja verdade, me mostre algum que foi
condenado.
Caio novamente na noite, anjos somem e pessoas
com cordas aparecem em todo lugar.
O que é isso? Eu vou escolher quem vai me
controlar?
Caio novamente na noite, votos em branco,
secretos e de cabresto.
Aqui no Brasil, a língua portuguesa se
diferencia pelo contexto.
Caio novamente na noite, crimes, e anjos de
terno e colarinho branco, o grande vip.
Maletas de couro cheias de papel, o dinheiro
fica em outro lugar, procure atrás do zíper.
Caio novamente na noite, largado ali pra seu
governo.
Mas pelo menos “doutor”, eu ainda me olho no
espelho.
Caio novamente na noite, não se admire se eu
te chingar.
Sabe por que “doutor”? Por que a suada renda
dos humildes você vem aqui roubar.
Mas aqui fica uma dica rapaz, corrupção é
corda banda.
Por que mais cedo ou mais tarde você cai na
noite e acaba se vendo na lama
Autor: Henrique B.
Lobato
Domini

Nenhum comentário:
Postar um comentário