sábado, 18 de fevereiro de 2012

No escuro da noite


No escuro da noite
(Epilogo de um bêbado lúcido)

Caio novamente na noite, em baixo da luz de algum lugar.
 Um poste, uma lâmpada, quer saber, sei lá.
 Caio novamente na noite, espaço vazio na rua.
 Afinal minha vida é de quem, é minha? Não, não acho que é sua.
 Caio novamente na noite, as estrelas enfeitam a lua.
  Não sei se estou sóbrio, mas vejo anjos na rua.
 Caio novamente na noite, alguém anda ao telefone.
  E eu ali sentado, tentando lembrar meu nome.
 Caio novamente na noite, anjos me mostram o paraíso.
 Mas na minha cabeça, está o véu que esconde o juízo.
 Caio novamente na noite, sentado na calçada em baixo de um poste de luz. Na minha frente está à selva de pedra que esconde um predador.
 Penas brancas voam por todo lugar, anjos diante de um perdedor.
 Caio novamente na noite, o anjo da guarda que deveria olhar por mim, cuidar de mim, está corrompido.
 Todos os dias pessoas vendem seus valores, sua honra, sua alma. Não deveria ser proibido?
 Caio novamente na noite. Anjos puros, dizem que não tem pecado.
 Talvez seja verdade, me mostre algum que foi condenado.
 Caio novamente na noite, anjos somem e pessoas com cordas aparecem em todo lugar.
 O que é isso? Eu vou escolher quem vai me controlar?
 Caio novamente na noite, votos em branco, secretos e de cabresto.
 Aqui no Brasil, a língua portuguesa se diferencia pelo contexto.
 Caio novamente na noite, crimes, e anjos de terno e colarinho branco, o grande vip.
 Maletas de couro cheias de papel, o dinheiro fica em outro lugar, procure atrás do zíper.
 Caio novamente na noite, largado ali pra seu governo.
 Mas pelo menos “doutor”, eu ainda me olho no espelho.
 Caio novamente na noite, não se admire se eu te chingar.
 Sabe por que “doutor”? Por que a suada renda dos humildes você vem aqui roubar.
 Mas aqui fica uma dica rapaz, corrupção é corda banda.
 Por que mais cedo ou mais tarde você cai na noite e acaba se vendo na lama
 
 Autor: Henrique B. Lobato
Domini

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