Afeto com
cartas marcadas
Desfiguramos o silêncio dos passantes.
Sou culpado com o beijo desatado,
Um beijo destinado a perder-se
Pois nunca será devolvido!
Impedido pelo silêncio desfigurado
Do público sedento por livrar-se
Do nó que lhes impõe
o próprio pudor.
As vezes a moral engana a si mesma
E tenta, em vão, se sobrepor ao amor
E nem foi um beijo daqueles de sexta
Quando nos despedimos para começar
Outro amanhã, uma manhã seguinte,
Onde rege a nossa incerteza juvenil
Que não entende totalmente o vazio
Habitado pelo acaso, no nosso caso
O afeto tem cartas marcadas, datas
Escolhidas pelo dejavù para desfigurar
O silêncio de onde não habitar
O amor de almas desditas.
Autor: Henrique B. Lobato
Do livro: Amor embalado na rede
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