terça-feira, 23 de julho de 2013

Serenata do amor alado



Serenata do amor alado

       Estrelas contam histórias antigas.
       Elas guiam meus passos noturnos.
       Siga o som das minhas cantigas,
       Pois as estrelas sabem quem somos.

       O som transcende o belo horizonte
       Com a esperança de ter sua resposta.
       Talvez me venha o futuro distante
       Enquanto toco com a minha flauta.

       A lua desaparece atrás do castelo
       E as catedrais badalam seus sinos.
       Mas não surge aquela que espero
       E sigo escutando o uivo dos lobos.

       Será que ela por mim caminha?
       Ou será que parou naquela cidade?
       Será que ainda segue sozinha?
       Será que sente a mesma saudade?

       Ao amanhecer renasce a esperança
       De encontrá-la em outro caminho.
       Eu encho o meu cantil de esperança
       E para o norte eu sigo sozinho.

       E toco em todas as frias noites
       A canção do nosso amor alado.
       E as estrelas brilham ao longe
       Quando penso em ter-te ao lado.

       A solidão me ataca com maldade,
       Mas sigo tranquilo as serenatas.
       Os invernos passam sem piedade
       Na avidez das longas caminhadas.

       A mulher tão amada enfim escuta
       Ao longe a cantiga deste amor alado
       A ressoar no fundo de uma gruta.
       Ela corre em direção ao seu amado.

       Mas ela não esperava no encontro
       Ver pegadas de sangue na estrada.
       Pois o guerreiro em um bravo ato
       Seguiu ferido por toda a jornada.

       Marquei meus passos com tinta rubra
       Um pouco além do muro destes olhos.
       Para que você me siga e me descubra
       Um pouco além do mundo dos sonhos.

Autor: Henrique B. Lobato

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