Serenata
do amor alado
Estrelas contam
histórias antigas.
Elas guiam meus passos noturnos.
Siga o som das minhas cantigas,
Pois as estrelas sabem quem somos.
O som transcende o belo horizonte
Com a esperança de ter sua resposta.
Talvez me venha o futuro distante
Enquanto toco com a minha flauta.
A lua desaparece atrás do castelo
E as catedrais badalam seus sinos.
Mas não surge aquela que espero
E sigo escutando o uivo dos lobos.
Será que ela por mim caminha?
Ou será que parou naquela cidade?
Será que ainda segue sozinha?
Será que sente a mesma saudade?
Ao amanhecer renasce a esperança
De encontrá-la em outro caminho.
Eu encho o meu cantil de esperança
E para o norte eu sigo sozinho.
E toco em todas as frias noites
A canção do nosso amor alado.
E as estrelas brilham ao longe
Quando penso em ter-te ao lado.
A solidão me ataca com maldade,
Mas sigo tranquilo as serenatas.
Os invernos passam sem piedade
Na avidez das longas caminhadas.
A mulher tão amada enfim escuta
Ao longe a cantiga deste amor alado
A ressoar no fundo de uma gruta.
Ela corre em direção ao seu amado.
Mas ela não esperava no encontro
Ver pegadas de sangue na estrada.
Pois o guerreiro em um bravo ato
Seguiu ferido por toda a jornada.
Marquei meus passos com tinta rubra
Um pouco além do muro destes olhos.
Para que você me siga e me descubra
Um pouco além do mundo dos sonhos.
Autor: Henrique B. Lobato

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