sexta-feira, 19 de julho de 2013

Cinco vontades sobre os quadros

Cinco vontades sobre os quadros

Quero virar os quadros na parede. Esses olhares não transmitem sentimento. Será que sentem? São olhares prepotentes que pensam que sabem, divulgam as vantagens de cada alma vendida, nos escritórios, nas salas de aula, nos oratórios... Mas, onde está o preço de cada trocado? Mente ou mentira? Escolha agora, não temos saídas na rua.

 Quero voltar para casa, essas paredes me dão medo, elas não refletem a beleza do mundo, não são muros, mas como labirintos me querem tirar a liberdade, querem lançar tendências na revista. Igualdade? Duvidas não são permitidas.

 Quero arrancar as teias da parede. Pintores de estereótipos ligam com teias os quadros. – não temos tinta dessa cor! – eles me falam, eles calam e zombam.
 – Não temos tinta dessa cor!
– Não quero molduras.
 Não quero molduras de aço inox, que penetram na avidez do tempo. Quero enferrujar e escorrer letras de tinta no papel. Não tenho a pretensão de ser mais um quadro emoldurado, colocado para expor o coração sem alma e sem calma, neste labirinto enclausurado.

 Autor: Henrique B. Lobato
Domini

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