Passos anônimos
Outros passos correm sem sentir.
Sapatos cercam e cobrem, mas não
Sentem as pedras de mármore frio
Que escutam os passos de ficção.
Há memórias gravadas no corredor
Porque sapatos correm sem sentir.
E o coração passa sem lembrar da dor,
Passa sem olhar o que vem no porvir.
Testemunhas de várias fábulas tortas
Elas não julgam quem fica ou passa.
As pedras frias de mármore, mortas,
Mas vibrantes pelos anônimos passos.
As sombras sempre seguem alguém
Mas são mudas. Sombras ou pessoas?
Não há diferença entre as pedras frias
No piso dos rápidos passos das pessoas.
Autor: Henrique B. Lobato

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