terça-feira, 18 de junho de 2013

Um vaga-lume e um caracol



Um vaga-lume e um caracol

Ela começou tirando nossos sapatos.
E foi deitando-nos um por um.
Aquietando nossos corpos em seu ato
De serenata, de momento incomum.

Ela veio em seu tear de palavras
Colocando os versos em seus lugares.
Subimos e descemos as escadarias
Nessa morada misteriosa do ser.

Moinho, moinho e o dia vem chegando.
E assim ela foi fazendo de mim caracol.
Interior, interior redemoinho girando.
Sem dar nó, foi fazendo de nos girassóis.

Ao som desse hino a noite vem vindo.
E assim ela fez de mim um vaga-lume.
Negrume, negrume morada dos monstros.
Noite, noite morada dos nossos outros.

Laço na palavra. Não era noite nem dia.
Não era mais vaga-lume nem caracol.
Era apenas eu que voltava à rotina, era vida.
Mas agora existia um vaga-lume e um caracol.


                                                           Autor: Henrique B. Lobato

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