Disse o velho no
fundo do armário, que todos os poetas vieram de Pasárgada. Se o velho estiver
certo então podemos imaginar que pedaços de céu passeiam pela sala onde aqui
fica a televisão, que redes balançam pelos corredores para embalar o vento das
palavras. E com saudade de casa o grupo “os guardadores da palavra poética”
resolveu decorar o velho armário do velho com poemas, para que todos os que
ouvirem sua história sintam um pouquinho do gosto de Pasárgada e queiram se
perder por estas bandas.
"Ninguém quer confissões aqui, nem reminiscências. É apenas uma questão de manter o foco. Por isso, esse formato essa falsa elaboração. Se alguém quisesse ser realmente bom, contaria sílabas de um soneto perfeito, mas não é o caso. Nem é o caso aqui, em meio a tanta confusão ser ele um homem prestes a chorar ou não. Não! Taí uma coisa que não vai interessar você. Ninguém quer confissões aqui." Fernanda Young
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
terça-feira, 3 de setembro de 2013
A página esquecida
A página esquecida
A última carta de amor sincero.
Foi escrita com curva nas letras
A tinta parecia ser um raro pedido
Por mãos distintas e meigas tecído.
O papel respirava antiga lembrança
De uma história tatuada no coração.
Os dedos ritmavam sua bela dança
Compartilhavam a mesma canção.
Passo, passo, passo e serenidade
Sem compromisso de ter resposta.
É amor entregue com a caridade
De não esperar o carteiro na porta.
Envelopes selados com saudade
E enviados com um ermo destino
De nunca sair daquela fria tarde,
De ser deixada fora do caminho.
Nem mesmo assinatura continha
Na tormentória carta terminada
Sem endereço para ser entregue,
Ficou perdida no banco da praça.
Autor: Henrique B. Lobato
Em honra ao meu amigo poeta do tormentório.
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
A origem da vida ou porque os livros piscam.
A origem da vida
ou
Porque os livros
piscam.
Faz muito tempo,
tanto quanto o número de estrelas no céu. Os Deuses fizeram uma reunião, pois o
universo estava muito chato e havia chegado a hora de criar a vida no mundo
abaixo das ordens do tempo.
Teve inicio a reunião e os Deuses, vaidosos, mostravam suas
ideias para a grande criação. – Vamos fazer sistemas. – Dizia o dilema. – Tem que
ter filosofia! – Gritou a utopia. – Tem que ser no plano concreto... – Planejou
o arquiteto. E todos discutiam sem chegar a um acordo. Mas, no canto da sala,
um homem maltrapilho escutava o debate, ele tinha apenas uma mochila e uma
lira, além do que carregava no coração.
As palavras dos
Deuses eram todas muito dizíveis e perfeitas, por isso eles não conseguiam
convencer um ao outro e tudo estava tão cansativo que o universo dormia em sono
profundo. Foi quando aquele homem no canto da sala levantou-se, seguiu até próximo
aos Deuses e começou a tocar, sem dizer uma palavra, ele apenas dedilhava sua
bela lira...
O silêncio nas
palavras daquele homem chamou a atenção de todos os Deuses e estes aos poucos
se calavam para compartilhar o silêncio daquele maltrapilho. Sentavam-se para
escutar a lira e tal era a beleza da música que até o universo acordou, o sol
brilhou com força, a lua mostrava sua faces, as estrelas piscavam como os olhos
dos Deuses ao serem tomados pela música.
Ao perceber que havia
harmonia no ambiente, o homem simples tomou a palavra e com uma sonora
suavidade falou. – Vamos criar a vida como um grande poema que, visto de frente
parece prosa, visto de costa parece verso, se for lido do início parece lírico,
se for lido do inverso parece épico.
Os Deuses se
maravilharam com a ideia e sem palavras para contestar deixaram o poeta criar a
vida. Ao som da lira o homem começou a recitar as linhas daquele grande poema e
os Deuses, o sol e a lua, as estrelas e o universo foram ficando encantados com
aquela obra, tão encantados que desejaram fazer parte da história.
Sem que ninguém
percebesse o homem-contador foi guiando todos para dentro da história e naquele
dia se criou a vida, todos desceram para os domínios do tempo, tudo era beleza,
luz e harmonia. Até que alguém decidiu perguntar o nome do poeta.
O poeta,
constrangido, levantou-se e se escondeu dentro daquele grande poema, agora ele
está exalando por toda parte. Não se sabe ao certo se ele parou de compor sua
obra ou se ela cresce sozinha.
Sabe-se apenas que é
possível encontrar os rastros dele no por e no nascer do sol, nas noites
estreladas de lua, na natureza e no coração puro das pessoas. Sabe-se também
que é por causa dele que os livros piscam.
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Tua marca na minha roupa
Tua marca na minha roupa
Os teus livros piscam
Contam segredos...
De outros eus.
Os barulhos teus
Dentro de nós
Falam de paz.
Quem é que faz
Ruido térmico
No teu ouvido?
No meu tecido
Tem teu volume,
Alto e vibrante,
Tem vaga-lume
Que voa longe,
Leva o teu nome
Que as vezes some
Fica escondido,
Nunca perdido,
Apenas dorme
Se tenho sede,
Se tenho fome.
Autor: Henrique B. Lobato
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
A obra por uma vida?
Ele percebeu que teria que morrer
Depois de escrever o ultimo verso.
E esse destino lhe buscava sempre
Para envolvê-lo em abraço terno.
Ele planejou a hora da sua morte.
Era preciso completar a alquimia.
Ele decidiu suicidar-se de noite
Para que a obra nascesse de dia.
Ele não vai pular de algum prédio,
Não vai cortar os próprios pulsos,
Se afogar no mar, tomar remédio,
Ele não vai se jogar de um viaduto.
Desfazendo sua própria realidade
A personalidade também morreria.
Ele apagou seu nome, a identidade,
Queimou seus videos e fotos na pia.
Ele não deixou bilhetes nem cartas,
Não deixou culpas nem memória.
Preferiu apagar todas as marcas,
Todas as datas suas na história.
Ele se desprendeu das páginas
E bem devagar foi ficando solto.
Pois o leitor recitava as cantigas
Da obra de algum autor morto.
Autor: Henrique B. Lobato
Domini
terça-feira, 23 de julho de 2013
Serenata do amor alado
Serenata
do amor alado
Estrelas contam
histórias antigas.
Elas guiam meus passos noturnos.
Siga o som das minhas cantigas,
Pois as estrelas sabem quem somos.
O som transcende o belo horizonte
Com a esperança de ter sua resposta.
Talvez me venha o futuro distante
Enquanto toco com a minha flauta.
A lua desaparece atrás do castelo
E as catedrais badalam seus sinos.
Mas não surge aquela que espero
E sigo escutando o uivo dos lobos.
Será que ela por mim caminha?
Ou será que parou naquela cidade?
Será que ainda segue sozinha?
Será que sente a mesma saudade?
Ao amanhecer renasce a esperança
De encontrá-la em outro caminho.
Eu encho o meu cantil de esperança
E para o norte eu sigo sozinho.
E toco em todas as frias noites
A canção do nosso amor alado.
E as estrelas brilham ao longe
Quando penso em ter-te ao lado.
A solidão me ataca com maldade,
Mas sigo tranquilo as serenatas.
Os invernos passam sem piedade
Na avidez das longas caminhadas.
A mulher tão amada enfim escuta
Ao longe a cantiga deste amor alado
A ressoar no fundo de uma gruta.
Ela corre em direção ao seu amado.
Mas ela não esperava no encontro
Ver pegadas de sangue na estrada.
Pois o guerreiro em um bravo ato
Seguiu ferido por toda a jornada.
Marquei meus passos com tinta rubra
Um pouco além do muro destes olhos.
Para que você me siga e me descubra
Um pouco além do mundo dos sonhos.
Autor: Henrique B. Lobato
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Três pedras quentes
Três pedras quentes
As vezes somos a
morada da ira
E começamos batalhas perdidas.
A paciência aos poucos se retira
E se começam a ver as partidas.
As vezes todo galho tem espinho.
Todavia, quando te tocar a ferida
Guarda a dor sentida no caminho
Pois isso faz parte de toda a vida.
Tua beleza tem três pedras quentes.
O teu carisma é brasa incandescente.
É espontâneo, sedutor, envolvente.
Mas pondera se a palavra é ardente.
Pois o fogo consome quem lhe aviva
Sem se importar com o ambiente.
Queima a palavra que seria dita.
Deixa mais cinzas no dia da gente.
Autor: Henrique B. Lobato
Domini
Assinar:
Postagens (Atom)




