sábado, 11 de maio de 2013

Carisma -A




       Carisma -A



     Estou de volta ao teu carisma
     Com menos A que me afirma.
     Cheguei aqui de bom grado...
     Com boa graduação de gado.

     De volta ao teu dissertar sobre
     O sagrado livro que é a bíblia.
     A tua legislação de Eva e Adão,
     De Abraão, João e companhia.

     É pensar ver em ti a monotonia
     Em reviver isto todo santo dia
     E deixar de entender a opinião
     Do teu irmão com teu coração.

     Isso é perder o pão de cada dia
     Julgando o que o outro carrega.
     É perder o tesouro, a sabedoria
     Por seguir o que alguém prega.

     É uma pena esse dilema infernal.
     Desintegrar o caminho espiritual
     Para discutir um dogma, política,
     Para lançar uma maligna crítica.

     Tenho saudade do teu bom senso
     Que tristemente ficou fora do véu.
     Eu sobre carisma as vezes penso
     E vejo o que por cisma se perdeu.

     O que restou foi só o compromisso
     Que fiz de terminar com dignidade.
     Não quero estar nesse jogo político
     Que deveria ser magna fraternidade.


                 Autor: Henrique B. Lobato

Até quando...






      Até quando...
 
     Até onde consigo perceber?
     Do que eu tanto estou falando?
     Não sei a verdadeira perspectiva
     Que nos move, e tanto nos cativa.

     Essa força que não dorme e vigia
     A todos os loucos desta confraria.
     Essa multidão bate ponto todo dia
     Quando sai de casa para a corrida.

     Deixa esvair no suor a criatividade
     Para conseguir quase por caridade
     A moeda que tanto lhes é problema
     E me deixa inquieto esse vil dilema.

     Estamos fora do ar por um minuto.
     Estou atrasado, parado no viaduto.
     Estamos presos, está congestionado.
     Está é a pressa, prece do condenado.

Autor: Henrique B. Loato.

sábado, 4 de maio de 2013

Sopro de Boa sorte





Sopro de boa sorte

Suave vento de uma terra distante
Leva nas costas esse caminhante
Quando cair em mim duras penas,
Quando não andar minhas pernas.

Vigorosa brisa de um leque divino,
Ajuda este peregrino nesta jornada.
Se minha noite escura já vem vindo
Sopra sempre nas novas alvoradas.

Oh nuvem que navega o firmamento
Seja meu relento se estiver perdido.
Guarda-me das tormentas do vento,
Da chuva quando estiver sem abrigo.

Se segue comigo nobre sentimento
Não me faltam nunca bons amigos,
Nem que seja a brisa, nuvem, vento,
Que vem soprar pra longe os perigos.

Autor: Henrique B. Lobato

O casal parado na rua




O casal parado na rua

 Hoje enquanto caminhava na rua, passei por uma cena que me deixou um pouco perturbado.

 Eu estava na avenida Nazaré, uma avenida movimentada de Belém, e ainda iluminava há poucas horas a luz do sol. Como sempre, haviam pessoas muito apressadas correndo de um lado para o outro, haviam carros buzinando e tentando estacionar na beira da pista, haviam apitos de guarda de transito e de flanelinhas, mas essas cenas eram comuns.

 Porém, em meio a essas engrenagens da maquina do sistema, tinham duas pessoas sentadas na calçada, um jovem casal, o rapaz aparentava ter vinte e poucos anos, mesmo com o rosto sujo pela barba bagunçada, usava uma calça jeans e camiseta amarrotada sem estampa, sua mão esquerda descansava sobre uma mochila marrom muito velha, que me passou um sentimento forte de lealdade. Além disso, uma moça um pouco mais jovem do que o rapaz descansava ao seu lado, ela segurava forte a mão direita dele, como se o usasse de apoio para enfrentar o mundo, tal como ele usava a mochila.

 Na medida em que, eu me concentrava no casal, o barulho e o caos daquela manhã iam ficando para trás, se tornando uma pintura moderna desforme, como se estivesse lá apenas para enaltecer a arte principal.

 Embora, aquele casal sentado a beira de um casarão antigo e abandonado estivesse sujo, eles não aparentavam serem pedintes. Então o que faziam ali parados? Por que não seguiam sua vida? Por que estavam ali jogados e não namorando em algum lugar mais discreto e confortável? Eu estava pensando como um cavalo do sistema... Não! O que realmente é vida? Essa rotina de maquina de produção? Esse papel já muitas vezes repetido e sem falas novas?

 Também reparei no olhar daquele casal, um olhar triste, reflexivo, cheio de medos e incerteza. Porém, um olhar vivo, cheio de contraste e brilho.

 Quando vemos alguém olhar para o alto por instinto também olhamos, segui caminhando sozinho naquela rua barulhenta, imerso em meus pensamentos, e enquanto refletia sobre todas estas coisas, sobre a possível história daquele casal, sobre a direção ou a falta de direção do olhar deles, parei... Olhei em volta e vi o que eles estavam vendo... Uma coisa exótica, mística, inusitada para a maioria das pessoas daquela multidão a minha volta:
 Estou vivo! Como é bela esta manhã!


 Autor: Henrique B. Lobato


sexta-feira, 26 de abril de 2013

O homem do bar





O homem do bar

Nessa cidade quem comanda?
A maldade é a maior audiência
Da nossa pobre mente humana
E leva embora nossa essência.

Um bom cliente vem chegando,
Está nesta bela noite de ciranda.
O Breve fim ele vem procurando,
Há mais procura que demanda.

É pesar ver nele a monotonia
Em reviver isso todo santo dia.
Não vejo nele nenhuma opção
Talvez tenha perdido o coração.


Ele vem vindo de um triste ato,
Vem para contar o seu relato.
Onde morava já não tinha vida,
Havia inveja, disputa, corrida.

Mas se persistir talvez consiga
Algo que lhe ajude na escapada,
Para recuperar a penosa vida
Que ficou perdida na estrada.

Autor: Henrique B. Lobato

terça-feira, 16 de abril de 2013

Confessionário





     Confessionário

     De vez em quando eu prefiro
     O silenciar da minha mente.
     O vento me mostra um abrigo
     Da tempestade que se sente.

     Faço pesar a janela dos olhos
     Para fechar os feixes de luz.
     Faço cessar todos os sonhos
     Para lembrar de tudo que fiz.

     Lembro de ter tido muito medo
     De deixar para trás o arvoredo.
     Mas eu acho que dormi de sono
     Naquele outono, aind’era cedo.

     Ainda lembro de ter me desfeito
     De velho defeito, pois era peso.
     Agora eu venho e me confesso:
     Coragem, luz é tudo que peço.

     Autor: Henrique B. Lobato
     Domini

sábado, 30 de março de 2013

O pão e a pedra







O pão e a pedra

A espera angustiante cala o brado
Dos pássaros que cantam no quintal.
Recorrência me fez ser sentenciado
A reviver aflita dor do mesmo mal.

Neste ambiente frio e carregado
Não há hino ou festa de natal,
Só correntes de medo refinado.
Refazer esperança é carnaval.

Pois enfim as lâmpadas se apagam
E com elas morre minha televisão.
E os pobres que por aqui divagam
Esperam sua próxima ressureição.

Pois quando vem e vêem escuridão
Se perdem esperando algum abrigo.
E nem pensam que é própria opção
Se enganar e ver tudo como castigo.

O divino dom da criação é dado
A todo individuo com carinho.
Mas se vê isso como um fardo
E por isso se perde o caminho.

Mesmo sozinho se tem a queda,
As provas vem se queira ou não.
Cabe a cada um pegar sua pedra
E conseguir transformar em pão.

Autor: Henrique B. Lobato