sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Amor (o)posto



Amor (o)posto

Na tua altura o vento sopra e a lua
Irradia toda a boemia sobre a rua.
Não há centro de equilíbrio instável
Pois o sentido do real é confundivel.

Na tua altura o vento é mais forte
E a incenteza do tempo é inebriante.
Os deslimites hoje (de)forma cega
Baseiam tudo que o real nos nega.

Sobre um tecido de ilusão contente
Nada é seguro para se permanecer.
Essa varanda vigia a rua desforme
E tentamos voar juntos sem perceber.

Hoje os vorazes espreitam a noite
Esperando nalgum portal do abismo.
E nossa confusão é água e fonte
Para se embebedar de medo disto.

Enquanto no porão das casas velhas
Vive os exemplos de aureas eras.
Onde os amores podiam (ser)eternar
Nas lanternas dos olhos perenes.

Teve um tempo de cantar as paixões
Reacendidas pelos postes a querozene.
E na rua vagueavam os lampeões
Tal como vaga-lumes feitos gente.

Autor: Henrique B. Lobato

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