sexta-feira, 26 de abril de 2013

O homem do bar





O homem do bar

Nessa cidade quem comanda?
A maldade é a maior audiência
Da nossa pobre mente humana
E leva embora nossa essência.

Um bom cliente vem chegando,
Está nesta bela noite de ciranda.
O Breve fim ele vem procurando,
Há mais procura que demanda.

É pesar ver nele a monotonia
Em reviver isso todo santo dia.
Não vejo nele nenhuma opção
Talvez tenha perdido o coração.


Ele vem vindo de um triste ato,
Vem para contar o seu relato.
Onde morava já não tinha vida,
Havia inveja, disputa, corrida.

Mas se persistir talvez consiga
Algo que lhe ajude na escapada,
Para recuperar a penosa vida
Que ficou perdida na estrada.

Autor: Henrique B. Lobato

terça-feira, 16 de abril de 2013

Confessionário





     Confessionário

     De vez em quando eu prefiro
     O silenciar da minha mente.
     O vento me mostra um abrigo
     Da tempestade que se sente.

     Faço pesar a janela dos olhos
     Para fechar os feixes de luz.
     Faço cessar todos os sonhos
     Para lembrar de tudo que fiz.

     Lembro de ter tido muito medo
     De deixar para trás o arvoredo.
     Mas eu acho que dormi de sono
     Naquele outono, aind’era cedo.

     Ainda lembro de ter me desfeito
     De velho defeito, pois era peso.
     Agora eu venho e me confesso:
     Coragem, luz é tudo que peço.

     Autor: Henrique B. Lobato
     Domini

sábado, 30 de março de 2013

O pão e a pedra







O pão e a pedra

A espera angustiante cala o brado
Dos pássaros que cantam no quintal.
Recorrência me fez ser sentenciado
A reviver aflita dor do mesmo mal.

Neste ambiente frio e carregado
Não há hino ou festa de natal,
Só correntes de medo refinado.
Refazer esperança é carnaval.

Pois enfim as lâmpadas se apagam
E com elas morre minha televisão.
E os pobres que por aqui divagam
Esperam sua próxima ressureição.

Pois quando vem e vêem escuridão
Se perdem esperando algum abrigo.
E nem pensam que é própria opção
Se enganar e ver tudo como castigo.

O divino dom da criação é dado
A todo individuo com carinho.
Mas se vê isso como um fardo
E por isso se perde o caminho.

Mesmo sozinho se tem a queda,
As provas vem se queira ou não.
Cabe a cada um pegar sua pedra
E conseguir transformar em pão.

Autor: Henrique B. Lobato

Moloch SA






Moloch SA

O meu desejo de hoje é despertar
Comprei o nosso pão de cada dia
Vendendo um hiato para completar
O valor do custo de alguma alegria.

A minha vontade agora é de gritar!
Pois meu sonho se tornou utopia:
Viver a vida em um distinto lugar
Que não tenha moeda ou correria.

Pois o nosso oficio é bem amolar
A faca para furar nossas feridas.
E já não te basta morrer e gritar?
As férias dos feridos é fantasia...

Vou comprar uma mascara de ar
Pra aguentar o louvor a covardia,
Refinado noite e dia e sem parar
Por pessoas totalmente poluídas.

E eu não durmo só em imaginar
As armas que o sistema se utiliza,
O karma que se insiste em ganhar,
Para transformar medo em rotina.

Pois o normal é bem dizer e batizar
Com sangue e uma falsa honraria.
É banalizar o fardo de ter que servir
A vida em uma bandeja todo dia.

Autor: Henrique B. Lobato

quinta-feira, 21 de março de 2013

Em busca do pão e da sopa


                                           





     Em busca do pão e da sopa

     É como se eu não pudesse escapar
     Desses conceitos que há muito sigo.
     E não funciona o botão de deletar,
     Não há direito de mudar de destino.

     Para esse mundo conseguir apreciar
     Descartar todo o concreto é preciso.
     E se firmeza nos passos lhe escapar
     A certeza na fé será um seguro abrigo.

     Um abrigo da injuria desse caminho,
     Da escuridão, da chuva e tempestade
     Que insistem em cercar o peregrino.

     Espero encontrar no fim da viagem,
     Se me faltar luz, sabedoria e vinho,
     Coragem para continuar o caminho.

Autor: Henrique B. Lobato

quarta-feira, 20 de março de 2013

Mulher






 Mulher

      Quero tentar descrever-te em palavras,
      Escrever essa força sutil e avassaladora.
      Tentar sonorizar as tuas notas oitavas,
      Tão belas curvas alvorecidas de aurora.

      Navega junto com a deva água da vida
      Esse gigante amor que tens por instinto.
      Esse fervor que tens tal como uma brisa
      Me captura de imediato pelos sentidos.

      Pois é o átomo, é o hiato, o teu belo ato
      De completar-me com essa tua vontade,
      De seduzir-me com verbos ou salto alto.

      E se vem em lua cheia a tua tempestade
      Me ponho como um lobo em meu canto,
      E deixo no manto da noite tua potestade.

Autor: Henrique B. Lobato

Um devaneio lúcido



 Um devaneio lúcido


Não faz sentido esse empreendimento.
Dá-se tanto valor ao que nada nos soma
E as vezes até deixa negativo o dividendo.
E coisa de pouco discernimento e honra.

Não faz sentido querer tanto uma miragem
Se cobrir de pluma e pano de fina linhagem
Mas pouca coragem de se auto-descobrir,
Mas pouca vontade de viver o agora e aqui.

Que bobagem se encher de facho para fora.
E quando se chegar a hora de lutar ou fugir?
A meia-noite do natal que te mostra outrora
O que eras e o que seras se assim proseguir.

Outro codigo de barra que eu já não preciso.
Outro que narra no onibus sua falta de juiso,
Pedindo um trocado que ninguém pode dar.
Até educado o coitado que até tenta ajudar.

Mas ele fala para uma assembleia de surdos
Que nem ao menos lhe deseja um bom-dia...
Alguns dão moedas pra mostrar seus burgos,
E enfim seguem e proseguem sua cega rotina.

Já passou da hora de tirar a poeira do tapete,
De descobrir nossos defeitos atrás da cortina.
É preciso dissecar, disscertar esse vil enfeite,
Esse defeito que a tanto tempo nos hipnotiza.

Seguimos alimentando uma falsa pespectiva
Sem perceber como é curta essa terrena vida.
Será que somos os donos do que temos posse?
Será que virtude é realmente igual a toda pose?


Autor: Henrique B.Lobato