quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Coreto das palavras




Coreto das palavras

Vou escrever enquanto fiam
Os raios de sol na luz do dia;
Escrever enquanto destinam
Estas águas confusas da vida.

A minha alegria é incompleta,
É serena(ta), treva abandonada
Nas noites estreladas de sexta,
Dia que visito sempre a tua casa.

Empresta-me algumas palavras,
Pois não tenho pose do silêncio
Que sabe provocar as tuas notas,
A tua dança, a festa aqui dentro.

Meu interior às vezes vem e diz:
Poemaevento de coração contrito,
Escrito em letras brancas de giz
Nas margens do poeta, do espírito.


Autor: Henrique B. Lobato

~Ca da pa la vra~



~Ca da pa la vra~

Oração cantada para a serenidade
De um buscador que hoje caminha.
Uma preciosa joia de áurea idade
Para um coração nobre se destina.

Agora o tempo esconde os segredos
Dentro da caixa no vazio do mundo.
E no interior destorcem-se os medos
Do descomunal tormento no futuro.

Ele tentou livrar-se de toda centelha
Deste mundo onde reina a loucura.
Pois só herdará sua tão distinta joia
O buscador vivente de nobre candura.

Nos seus ombros caem duras provas,
Dificuldades impedem o seu avanço.
Enquanto supera todas as mazelas
Ele conquista o merecido descanso.

O buscador enfim a descobre, nova
E bela, a joia que lhe fora prometida:
As nuvens lhe esperando em sua cova
E cada palavra de amor que foi vivida.


Autor: Henrique B. Lobato

Quins zé minutos de fama



Quins zé minutos de fama

Quis zé minutos de fama
Para poder
       Fingir que ama.
Quinze minutos de fama
            Para poder
                     Filmar. Quem ama?
           Notas sem datas marcadas
                        Deixadas
por outro amanhã,
   Sem laços ou traços riscados,
           Sem acordes tocados        por nós.
       A minha marca registrada
                      Foi deleitada
                        Foi deletada             Sem dó
                                                               Sem mim

                                                               Sem nós.        


Autor: Henrique B. Lobato 

Frater per Frater





Frater per Frater

Glaucos ventos florestais sussurram
Antiga lenda há muito já esquecida.
Em festim os deuses áureos cantam
Nesta data hoje dita comemorativa.

Leitores de altivos mistérios estelares,
Filhos da magistral mãe estelamares,
Nos hoje caminhamos sem símbolos,
Sem estandartes, bandeiras ou ídolos

Polindo este coração humilde e contrito
Permite-se o ser(vir) de cada um de nós.
Buscando as virtudes do nobre espírito
Conquista-se a luz e desatam-se os nós.

Translucido e intrépido em cada estrada
Segue o povo sereno na dierna jornada,
Luz que irradia amor trilhando o caminho
E assim descobre o nobre ser peregrino.


Autor: Henrique B. Lobato

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O Ermitão



O Ermitão

No caminhar do pobre Ermitão
Com sua velha lanterna na mão,
No pesadelo da noite escura
E sem saber o que se procura.

Os passos seguem à longitude
E a vontade em ser determina
O destino de tanta inquietude
Em querer ver atrás da cortina.

O velho reflete nos seus valores
E enfrenta seus vícios, temores
Com a pouca luz que ele carrega
Para sair desta densa floresta.

Uma esperança ao mago perdido
Que confiante segue o caminho:
Se a escuridão te roubar o sentido
Lembra-te que és um peregrino!

Autor: Henrique B. Lobato

Tempos modernos



Tempos modernos

Hoje nós não brigamos.
Hoje nós somos amigos
E nos amamos.
Mas já faz tempo caminhamos
Destruidos!
Pois hoje o mundo corroi
Os nossos ossos, os nossos restos.
Pois hoje os outros corroem
As nossas almas, a nossa calma.
Tiram de nós o fundamental
Direito e sobre nós o ornamental
Defeito que foi por eles
Criado!
O passado pertence a eles,
As lembranças todas,
Felizes ou tristes,
Pertencem a eles.
O futuro pertence a eles
Os sonhos todos,
Completos ou inperfeitos,
Pertencem a eles.
A nós só resta o agora.
Esse agora tardio e breve
Lá fora.
Esse agora difícil e lúdico
Lá fora.

Autor: Henrique B. Lobato

Amor (o)posto



Amor (o)posto

Na tua altura o vento sopra e a lua
Irradia toda a boemia sobre a rua.
Não há centro de equilíbrio instável
Pois o sentido do real é confundivel.

Na tua altura o vento é mais forte
E a incenteza do tempo é inebriante.
Os deslimites hoje (de)forma cega
Baseiam tudo que o real nos nega.

Sobre um tecido de ilusão contente
Nada é seguro para se permanecer.
Essa varanda vigia a rua desforme
E tentamos voar juntos sem perceber.

Hoje os vorazes espreitam a noite
Esperando nalgum portal do abismo.
E nossa confusão é água e fonte
Para se embebedar de medo disto.

Enquanto no porão das casas velhas
Vive os exemplos de aureas eras.
Onde os amores podiam (ser)eternar
Nas lanternas dos olhos perenes.

Teve um tempo de cantar as paixões
Reacendidas pelos postes a querozene.
E na rua vagueavam os lampeões
Tal como vaga-lumes feitos gente.

Autor: Henrique B. Lobato