quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Tempestade de Novembro





                 Tempestade de novembro

     Certa nuvem tentou avisar-me
     No canteiro de obras do vento:
     Que havia de vir a tempestade
     E por culpa traria o sofrimento.

     Porém o sol resplandecia no céu,
     O dia seguia sem vil e triste chuva.
     A curva do horizonte era meu véu
     E segui a via da vida de vista turva.

     Corri sem lei, voei sem gravidade.
     O caminho aind’era pleno e plano,
     Mas enfim chegou a tempestade
     Que ferozmente foi me arrastando.

     Traído fui por uma falsa amizade
     De um vil falso profeta e puritano.
     Mas é erro grave faltar a verdade
     E triste destino ele viu chegando.

     Foi preciso relembrar meus atos
     Sem reviver nenhum cadinho.
     Foi preciso dissertar sobre os fatos
     Sem demonstrar amor, carinho.

     Ver o que passou sem passar.
     Falar do que sentiu sem sentir.
     A semente do amor resolvi deixar,
     Sabendo que a amada iria partir.

     A matéria vil e vã haverá de passar
     E para transmutar e real ascender
     É preciso aprender o real Amar
     E por consequência amado ser.


Autor: Henrique B. Lobato
Domini

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