Tempestade de novembro
Certa nuvem tentou avisar-me
No canteiro de obras do vento:
Que havia de vir a tempestade
E por culpa traria o sofrimento.
Porém o sol resplandecia no céu,
O dia seguia sem vil e triste chuva.
A curva do horizonte era meu véu
E segui a via da vida de vista turva.
Corri sem lei, voei sem gravidade.
O caminho aind’era pleno e plano,
Mas enfim chegou a tempestade
Que ferozmente foi me arrastando.
Traído fui por uma falsa amizade
De um vil falso profeta e puritano.
Mas é erro grave faltar a verdade
E triste destino ele viu chegando.
Foi preciso relembrar meus atos
Sem reviver nenhum cadinho.
Foi preciso dissertar sobre os fatos
Sem demonstrar amor, carinho.
Ver o que passou sem passar.
Falar do que sentiu sem sentir.
A semente do amor resolvi deixar,
Sabendo que a amada iria partir.
A matéria vil e vã haverá de passar
E para transmutar e real ascender
É preciso aprender o real Amar
E por consequência amado ser.
Autor: Henrique B. Lobato
Domini

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