segunda-feira, 5 de maio de 2014

Canção do sertão




Canção do Sertão

Preciso decidir onde cair.
Entendo um novo amanhã.
Por que tenho que ser assim?
Sem derivar com hortelã...
Cada palavra registrada
Não é nada, não é piada,
Não é discurso, nem cantada,
Não sei fazer outra fornada.
Não sei se já é condenada
A minha perdida estrada,
Só sei que te perdi em mim. (x3)

Preciso decidir onde dormir.
Entendo um novo amanhecer.
Por que você é assim por mim?
Não sei hoje o que vou fazer,
Fazer chover até cair...
Longe de mim sem perceber,
Fazer canção sem enfraquecer,
Fazer o céu escurecer aqui. (x3)

Fazer delírio envaidecer
Por mim que quis me libertar,
Eu quis fugir sem perceber,
Correr e já não mais parar
Até chegar no teu lugar
E entender bem mais de mim.(x3)

Preciso decidir onde ficar,
Não há lugar perto daqui.
Não há parada pra pensar,
Nem pra comer e repartir.
Não há carona pra tentar
Pegar nuvem que chega lá
Ou parar e entender, fingir.
Não é culpa, nem lamento,
Não é pudor, nem sentimento.
Não é largada e nem jornada,
Não é destino, não é nada.
Não é certeza e nem parada,
Não escolhi Sertão assim. (x3)

Autor: Henrique B. Lobato


Bonjour





Bonjour

Eu queria ser também pintor
Para eternizar a tua imagem
Mas me coube ser o trovador
Que ilustrará a tua passagem.

A tua quietude em gestos ternos
Quando o vento vem te passear
Trazendo consigo outros tempos
Onde bem se conjugava o amar.

Hoje a paisagem bem te veste
No final de manhã ou de tarde
E toda inquietação esvaneceu
Pois tua luz em mim amanheceu,

Fez surgir fios de cores pelo ar
Por isso eu bem te queria pintar
Pois é pintura o desdito momento
Onde te fiz canção e sentimento.

Autor: Henrique B. Lobato
Do livro: Amor embalado na rede

Cidade velha


A cidade velha

As ruínas da minha cidade
Andam querendo um só desejo:
Serem traídas com um beijo
Pois partem paroutra saudade.

Elas sussurram para os passantes
Que param e escutam sua arte,
Eles que pairam sem passaportes
Para partir ao tempo da bellepoque.

Já não há lembrança fotografada
Nos olhos da praça abandonada.
A preservação só ficou no oficio

Querem construir um edifício
No lugar da casa velha, lavrada
Foi pelo beijo feita sacrificio.

Autor: Henrique B. Lobato

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Mensagem no vento



Mensagem no vento

Quero contar para o vento do norte
Que hoje vi duas perolas pela noite.
Logo que ela veio me lançar estrelas
Fez meu medo minguar dentro delas.

Quero contar para este vento do sul
Que vi a aurora em raios ouros no céu.
E a esperança irradiou pelas nuvens
Trazendo consigo a paz aos homens.

Quero cantar para o vento do oeste
Que vi o errante caminhar da sorte
E deixei-a encerrada sobre o acaso
Pois no solo da fé se firmou o passo.

E ao vento do leste eu quero cantar
Para levar a mensagem ao seu lugar.
Pois o amor em nós achou morada
E não se teme o destino, tempo, nada.

Autor: Henrique B. Lobato

Folha peregrina



Folha peregrina

Há uma folha prestes a lançar-se
Para a aventura do novo destino.
Move-se o vento e até ó universo
Em conjectura, parceria unisolo.

Ao desprender-se da árvore mãe
A pequena folha fica desprotegida
A navegar por terreno onde outras
Insistem em uma existência fatídica.

Não sabe a pequena folha confusa
Que o seu caminho está preparado
E sua escolha foi uma doce mesura

Para quem escreve sobre o folhedo
Que se lançou solitário ao caminho
Que anuncia que o outono vem vindo.

Autor: Henrique B. Lobato

Canção da vontade



Canto da vontade

Na primeira tentativa de iluminação
Ele foi varrido e chutado como cão
E assim fracassou na primeira viagem
Pois se irritou com distinta miragem.

Depois retentou alcançar a iluminação
Mas encontrou no caminho um leão
Que apareceu para cobrar a divida
Outrora feita com nobre força divina.

Tentou e tentou com muitos fracassos
Que não abalaram vontade de fogo e aço.
Pois mesmo depois de grandes cansaços

Novas viagens ele sempre empreendia
E por vezes subiu montanhas sem guia
Até que ascendeu à luz que não apagaria.

Autor: Henrique B. Lobato

Stela Mares



Stela Mares

É hora de se fazer outros nascimentos.
É preciso fazer abrigos para a chuva.
As mares ondulam os quadris
Para iniciar a próxima dança.
Ela é feita de linhas potentes
Veste fortes símbolos de fogo
Orquestrados pelo absoluto.
É ornamentada por esquadras
De nuvens e luzes.
Arcontes prostrados reverenciam.
Ela dança para saudar sua aurora,
Mesmo se a noite chega, não chora,
Apenas ora pela serenidade,
Pela luz que ilumina a cidade.

Autor: Henrique B. Lobato
Do livro: amor embalado na rede