quarta-feira, 2 de abril de 2014

Canção do Obstinado



Cancão do Obstinado

Tenho cantado uma mensagem
Para os silfos levarem ao destino.
Pois já não escolho a paisagem
Que ilustrará o árduo caminho.

Tenho cantado um distinto amor
Que habita em cada linha tecida
Como a noite habita o trovador
Que errante anda em passo lúdico.

Me embriago de sonhos já vividos,
Entardecidos da presença da noite,
Neste manto no tecido de estrelas
Que guarnece o amor justo e forte.

Me embriago em minh'alma poida
Em várias partes, escuros pedaços
Das virtudes que não foram polidas
E se despertam em outros abraços.

Autor: Henrique B. Lobato

Lar de Irasóis



Lar de Irasóis

Sonhei com os primeiros raios de sol
E que você os capturava depois os tecia,
Tecia um aroma em ternura de cristal
Na paisagem da aurora onde você sorria.

Vamos guardar este manto de ternura
Para vesti-lo em tarde longe e fria
Este manto de tua dourada candura
Que eu te vi tecer com a luz do dia.

Ele será o nosso novo guarda chuva
Para as tardes nubladas desta cidade
E se a noite vier fazer da beleza turva

Teremos o sol a transmutar felicidade
Pois é tempo de amar e estar enamorado
E ter borboletas brincando no tornado.


Autor: Henrique B. Lobato
Do livro: Amor embalado na rede
Para a moça que treina suas borboletas no tornado.

Sua criança

                


               Sua criança

Há uma formula de fazer poesia
Com um laboratório esquisito
Onde se faz uma distinta música
Com a brisa da asa do mosquito.

Se ouve as cores em cada gosto
Sem deixar, nos pratos, restos.
Não há sobras, lixos ou esgoto
Que um poeta não mescle gestos.

De um olhar nostálgico de lagarto
Faz-se existência ao dinossauro.
Uma bola esquecida ao lado da pia
É a lua que cai para surgir o dia.

Acho que já nascemos artistas
E se deixa escapar na vida poesias.
Que se possa dizer na vida e caminho:
“Eu vejo a cor do som do passarinho.”


Autor: Henrique B. Lobato

Canto de auto anistia




Canto de auto anistia

Oh! Águas do rio sereno
Por onde vai o meu caminho?
Navego em meus passos.

Meu caminho por onde vai
Quando cai torrente de chuva?
Navego em meus passos.

Chuva torrente quando cai
Molhas as tristezas por onde vai.
Navego em meus passos.

Águas do rio feito de chuva
Molha de tristeza minha duvida.
Navego em meus passos.

Minha tristeza lúcida
Sanada é por teus abraços.
Navego em teus pássaros.


Autor: Henrique B. Lobato
Do livro: Amor embalado na rede

Cotidiano 352




Cotidiano 352

Nostalgia é comer insetos
                Da fábrica
     Em cores de sépia
Largados do espírito
Sobre a faca sega
                                De um rio
Garrafa branca
Balde pingado
                De goteiras passageiras
Sem esperança
                De espírito
                Despido
Garrafa branca
Em cores de sépia
Nostalgia é comer insetos
Sobre a faca cega

                                De um rio


Autor: Henrique B. Lobato

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Primeira rosa




Primeira rosa
            Esta rosa é verdadeira,
            Fui eu quem a plantei.
            Coloquei um galho verde
            Em meu jardim molhado,

            Todos os dias doava à ela
            Um pedaço do meu amor,
            Mesmo com céu nublado
            Reparti com ela o esplendor.

            Toquei para ela meu violino,
            Cantei a canção do peregrino
            E do amor que aqui se fez
            Em flor tornou o jardim feliz.

            Pois o intenso trabalho que fiz
            De plantar o silêncio que se diz
            Com a palavra dos teus olhos
            Valeu o perfume da flor do galho.


Autor: Henrique B. Lobato
Do livro: Amor embalado na rede
Para minha (des)orientadora.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Fazedor de simbolos





Fazedor de símbolos

Ele não parou
De fabricar poemas novos.
Os sonhos não morrem.

Autor: Henrique B. Lobato