Raios noturnos
Para onde vão os teus raios de sol
Quando não me iluminam à noite?
A curva das cores em teu farol
Tocam em mim sempre distante.
Mas quando cresce tua luz boreal
Teus raios curvam-se à minha volta,
E então somos fantasia sem final,
Sem temer o findar desta história.
Luz explode o céu em dois corpos
Disforme e desentendidos do medo
Que espreita o sentir de outros tempos,
Onde a nuvem chove em segredo.
Eu vejo um caminho para o futuro,
Como se a noite se fizesse branda.
Assim a pulsão maior do meu cárdio
É amar e amado ser nesta ciranda.
Esta aurora entorpece os sentidos
Que temos sobre deuses e destino.
E quando acordo pela noite no rio
O meu corpo dita o ritmo do vazio.
As ondas recuam na areia da praia
Os dedos tatuam na pele a incerteza
De um compromisso para toda vida,
E o rio leva a luz com a correnteza.
Autor: Henrique B. Lobato

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